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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

as presidenciais e o poder local

Jornalistas e influenciadores andam literalmente obcecados com os presidenciáveis. Investem especial atenção num almirante que, lá para janeiro de 2026, poderá eventualmente suceder à coisa que por lá anda agora.
No que respeita às eleições autárquicas – a realizar em setembro de 2025 – o poder local só parece oferecer interesse jornalístico quando candidatos como a doutora sanfona são acusados de se apropriarem da agenda do “chega”.
Entretanto, na minha terra natal, os edis comprometem-se com a realização de 600 quilómetros de ciclovias. Que calham ser precisamente a coisa mais odiada pelos adeptos da modalidade. Isto não obstante várias das estradas municipais se assemelharem muito no seu estado de conservação a estradas que eu vi pelos arrabaldes de Odessa. Já em Águeda, a edilidade - eleita certamente por um dos dois, como na minha terra natal – promete reincidir no “maior pai natal do mundo”, coisa de meio milhão que mais uma vez não vai sair dos fundos do PRR. Supõe-se que já tudo estará feito. E nada mais havendo a prover, deu-se por concluída a imaginação.
Do norte às ilhas, muito poucas serão as localidades capazes de oferecer exemplos de boa gestão de dinheiros públicos. Torra-se o dinheiro dos contribuintes com a mesma leviandade com que se elaboram orçamentos para essa fonte de embaraços que é a presidência da república. Na mais imperturbável indiferença de todos.


quinta-feira, 28 de setembro de 2023

o saco do pai natal está à venda

O doutor costa, um militante católico como todos sabemos, foi a Roma agradecer a escolha de Lisboa para as jmj. Por coincidência, precisamente no dia em que o doutor medina, o ministro caramba e um tipo de quem não me lembra agora o nome ou funções anunciaram em pompa a reversão da reversão da propriedade da tap. 
A acreditar nestas criaturas, os candidatos à compra já se esgadanham uns aos outros na tentativa de comprarem o saco do pai natal. Que embora dele já não conste a discreta esposa do doutor medina assim como a senhora despedida com “justa causa”, ainda é promessa de prosperidade em lucros. De tal modo que o doutor medina se sente compelido a pôr ordem nestes oportunistas: para além de inúmeras imposições em caderno de encargos – “a nossa bandeira” e assim -, o nosso porcino ministro exige que a invicta cidade do Porto fique no coração dos novos donos da empresa, coisa que os gestores públicos sempre tiveram como prioridade, como é do conhecimento de todos.
Há uma coisa irritante em toda esta história: a insinuação, a quase explicita afirmação de que o doutor costa foi coagido a reverter a privatização da tap para a salvar “da covid”.
Não, não foi. O doutor costa apenas apanhou com “a covid”  depois de haver revertido a privatização da tap, em grande pompa e em pessoa, naquele que terá sido um dos seus primeiros actos de gestão depois de haver perdido as eleições por poucochinho.
Mas adormeçam os contribuintes na santa paz dos justos: o dinheiro que enfiaram na “nossa bandeira” ser-lhes-á todo devolvido com enormes juros. O “novo banco” já lá vai. O luminoso futuro é já ali.



domingo, 12 de fevereiro de 2023

o circo republicano

Habituámo-nos a governantes que ou andam no gamanço ou estão de bem com ele. E aos domingos à noite temos circo a fazer humor com as façanhas.
Em campanha eleitoral o circo faz entrevistas fofas aos artistas.
Os contribuintes riem muito e batem palmas.

Melhor ir deitar que amanhã é segunda feira e isto é gozar com quem trabalha.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

helicóptero da sic

 a ver navios...

A sic anuncia uma entrevista ao senhor dos navios que é amigo e é suspeito de “fuga ao fisco”. Mas aquilo em que eu estou realmente interessado há anos é em saber como é que um governo regional rejeita um navio que muito obviamente necessitava - está a ser substituído por um catamaran de pavilhão grego, com tripulação grega e manifestamente inadequado às águas dos Açores - e custou 40 milhões de € aos contribuintes. A explicação que na altura chegou à CS seria o facto de o navio – que agora navega no Ártico – fazia duas milhas/hora a menos que a velocidade contratada e era "inadequado às águas açorianas". Rejeitado depois de construído.
Agora da “fuga ao fisco”, não, não estou interessado em saber. As pessoas “normais” não fogem. Sabem que não têm perninhas para isso. Mas é rotina entre amigos e está devidamente normalizada. Por exemplo, o Sr. Nabais, que também é amigo e muito querido dos portugueses pela sua generosidade, de acordo com a CS da altura, viu perdoada uma “fuga ao fisco” no valor de 500,000 contos (2.493.989 €, sem contabilizar inflação…). Pelos mesmos amigos.
Era mesmo só da história do navio que, de repente, depois de construído, não servia que eu queria muito saber.
Era só isso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

helicóptero da sic

 “não tap os olhos”

Desta vez, um dos choferes dos aviões da TAP, em apenas um voo, custou ao contribuinte (os noticiários chamam-lhe “estado português” mas é de si que eles estão a falar) a módica quantia de 40.000€. Aparentemente, o Senhor Presidente da República da Eslovénia e a sua comitiva - convidados pelo Senhor Presidente da República Portuguesa para virem a Portugal inaugurar um banco de jardim (assunto de que aqui dei a devida notícia) - terão chegado atrasados “2 a 3 minutos” ao avião da TAP que os levaria de volta à Eslovénia. Depois de descarregar a bagagem destes passageiros - porque o chofer do avião se recusava a abrir-lhes a porta -, o “estado português” fretou um jato. O chofer do avião alega ter obedecido a instruções da empresa.
Viajo muito pouco de avião. Adoro fazer milhares de quilómetros por terra e sempre que posso, é em carro que viajo. De modo que a minha experiência de companhias aéreas é muito pequena. Apesar de ter algumas opiniões: as Turkish Airlines são de longe as minhas favoritas; a UIA ucraniana, logo que a meio dos voos começam a vender bebidas, é de longe a mais divertida ( e assustadora em voos mais longos…); procuramos esquecer o assunto da aviação quando, ao embarcar num avião da British Airways e à medida que caminhamos pela manga, vemos as asas a abanar; fico aterrorizado com a ideia de deixar cair o quer que seja ao chão num avião da Rayanair porque é literalmente impossível conseguir recuperá-la no espaço disponível entre as pernas e o banco da frente; adoro os aviões da SATA, com assentos de espessura igual a 4 ou cinco assentos de um avião da Ryanair e onde – ao contrário do que sucede com esta última -,é literalmente impossível sermos importunados por inglesas bêbadas. Mas nada, absolutamente nada me levaria a embarcar voluntariamente num avião da TAP. Tendo o custo da passagem por critério na escolha da companhia, como sucede no meu caso, nunca há perigo: o transporte pela TAP é sempre duas, três vezes, às vezes mais caro do que em qualquer outra. O problema é quando outras companhias aéreas vendem bilhetes da TAP em seu nome. Foi exatamente isso que me aconteceu da última vez que viajei na TAP. Comprei um voo pela LOT e fui num avião da TAP até Varsóvia. O avião saiu de Lisboa com mais de uma hora de atraso; não sei exatamente quanto, porque não estamos de cronómetro na mão quando somos surpreendidos com estas coisas. Nunca em nenhum momento da longa espera – em que não entrou ninguém no avião – foi oferecida qualquer explicação aos passageiros que aguardaram a descolagem sem a exigir, de modo paciente e civilizado. Sentados nos bancos à minha frente, os mais espaçosos, imediatamente atrás da cabine, seguiam os tripulantes do voo e colegas (porventura a caminho de outras escalas). Sensivelmente a meio do voo, um dos cavalheiros - de barba irrepreensivelmente cuidada e que me parecia mais alto enquanto sentado-, levanta-se e começa por servir os seus colegas com uma cerimónia que - não pude deixar de reparar -, contrastava com o ostensivo desdém com que posteriormente serviu os passageiros.
Ao chegar a Varsóvia e à saída, três senhoras à minha frente, com ar modesto- provavelmente ucranianas, a ajuizar pelo modo como se expressavam em português – interpelaram o referido cavalheiro acerca de a quem deveriam exigir satisfações por haverem perdido a ligação do seu voo para Kiev. O estafermo olhou as senhoras de baixo para cima e essa foi a sua única resposta. Acrescento que esta desprezível criatura era baixota, o que noutras circunstâncias seria completamente irrelevante. E – descobri alguns meses mais tarde, já em Portugal e numa qualquer notícia acerca de tripulantes de cabine – presidente de um dos sindicatos da classe.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

o gajo do porsche acaba de comprar uma porrada de aviões

O gajo do porsche está aqui na televisão a ir ao cu ao indígena a tentá-lo convencer que lhe vai usar o dinheiro de várias gerações para continuar a ter uma empresa de aviões para a sua família biológica e política. Se - porque o dinheiro dos outros, de uma maneira ou doutra, chega sempre ao fim -, depois não chega para hospitais e tudo o resto que pudesse estar vagamente aparentado com as razoáveis funções de um estado a sério, vossas senhorias terão que ter paciência; a coisa dos aviões é importante. Estratégica.
Por causa das colónias.
Ups… Não, que raio, por causa da estratégia.
“Nós compramos”, está o cabrão a dizer.
Juro.

terça-feira, 19 de maio de 2020

helicóptero da sic


Com milhares e milhares de pessoas a perderem o seu trabalho ou com os seus rendimentos consideravelmente diminuídos, acabo de ouvir uma senhora jornalista a falar da necessidade de, com o dinheiro dos contribuintes, injetar “umas largas centenas de milhões de euros” na TAP.*
Eu continuo à espera que essa coisa da “empresa estratégica” seja um dia adequadamente explicada pelos sobas da opinião indígena. É que continuo sem perceber como é que a Espanha, a Bélgica, a Holanda, a Itália, Suíça, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, França, Bulgária, Áustria e rigorosamente quase todos os outros países europeus que, para benefício dos seus contribuintes, abdicaram da propriedade de companhias de bandeira conseguem sobreviver sem essa coisa da “estratégica”….
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* A dívida financeira da TAP é de mil milhões de euros.