Mostrar mensagens com a etiqueta açores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta açores. Mostrar todas as mensagens

domingo, 10 de julho de 2022

helicóptero da sic

Na entrevista que aqui menciono, o entrevistado - embora não fosse interpelado acerca do assunto -, aflorou o que me atormenta: como é que um governo regional rejeita, depois de construído,  um navio que custou aos contribuintes 40 milhões de €:

 "-Esses [o governo regional dos Açores] que recusaram o navio é que deviam ser investigados", disse o arguido.

Ficamos à espera.
Sentados, evidentemente.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

helicóptero da sic

 a ver navios...

A sic anuncia uma entrevista ao senhor dos navios que é amigo e é suspeito de “fuga ao fisco”. Mas aquilo em que eu estou realmente interessado há anos é em saber como é que um governo regional rejeita um navio que muito obviamente necessitava - está a ser substituído por um catamaran de pavilhão grego, com tripulação grega e manifestamente inadequado às águas dos Açores - e custou 40 milhões de € aos contribuintes. A explicação que na altura chegou à CS seria o facto de o navio – que agora navega no Ártico – fazia duas milhas/hora a menos que a velocidade contratada e era "inadequado às águas açorianas". Rejeitado depois de construído.
Agora da “fuga ao fisco”, não, não estou interessado em saber. As pessoas “normais” não fogem. Sabem que não têm perninhas para isso. Mas é rotina entre amigos e está devidamente normalizada. Por exemplo, o Sr. Nabais, que também é amigo e muito querido dos portugueses pela sua generosidade, de acordo com a CS da altura, viu perdoada uma “fuga ao fisco” no valor de 500,000 contos (2.493.989 €, sem contabilizar inflação…). Pelos mesmos amigos.
Era mesmo só da história do navio que, de repente, depois de construído, não servia que eu queria muito saber.
Era só isso.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

helicóptero da sic

 Hoje, à laia de sobremesa noticiosa, ficámos a saber que “os gajos lá da europa” disseram que “olhem lá, pá, esse gajo dos barcos anda a abichar de uma maneira um bocado exagerada, digamos assim”.

No meio da poeira percebe-se o mistério de um barco construído em Viana do Castelo para servir as ligações entre as ilhas do arquipélago açoriano [entre São Miguel e a Terceira] (esta última parte é especulação minha, nunca os portugueses que pagaram o navio souberam exatamente…).
Depois de construído (!) o barco foi rejeitado pelo governo regional porque a sua velocidade ficava aquém do contratado em cerca de duas milhas/hora. Tenho a vaga ideia de terem acrescentado que o navio era “inadequado ao mar dos Açores” (mas aparentemente bom para o mar da Dinamarca...), mas já estou menos certo nestes detalhes. Apenas me lembro da perplexidade e indignação em que fiquei ao perceber como o governo regional dos Açores enviava para o lixo os 29 milhões* investidos pelos contribuintes para suprir necessidades dos açorianos. Depois de algum tempo o barco teria sido então comprado por 11 milhões pela “Douro Azul” e, logo depois, revendido a uma empresa dinamarquesa por 17 milhões.
De modo que parece que lá chamaram a PJ ou lá o que é . Outra vez.
Mas voltemos aos Açores. A ligação que eu suspeito que estaria originalmente em causa seria muito provavelmente a ligação entre a Terceira e São Miguel. Essa ligação é - ou era até há bem pouco tempo -, realizada por um catamaran de pavilhão grego, com tripulação grega (não sei se já falam português…) e gourmets nacionais inexcedíveis em atenções para com os passageiros. Logo que o barco abandona o cais distribuem diligentemente sacos de enjoo por todos os passageiros. Àqueles que declaram dispensar o saco insistem para que fiquemos com eles em qualquer caso, mesmo depois de explicarmos que não padecemos de enjoos marítimos. Não mais do que uma hora depois, com o casco do navio a dar violentos chapões -em mar que até pode estar relativamente raso -, podemos ver a maior parte dos locais e muitos turistas a fazerem uso dos ditos sacos. A esmagadora maioria dos passageiros. Os mais idosos e os mais pobres (porque para os poucos locais que viajam entre ilhas são precisamente os mais pobres que o fazem- os outros viajam de avião entre as ilhas; alegam os outros que o preço é quase o mesmo e é muito mais rápido e confortável…) gemem e apelam a “nossa senhora” cuidando que morrem…
Resumindo muito: nestes negócios estarão os contribuintes - na qualidade de jumentos, como sempre -, o governo regional da altura e o governo central que foi cúmplice numa coisa que tresandava de longe e uma comunicação social que não faz perguntas.
____________________________________________

* -Após cruzar textos de diferentes notícias, reeditei para corrigir 40 milhões para 29 milhões. Entretanto, a SIC Notícias continua a informar que o navio custou 40 milhões aos contribuintes. Algumas horas depois, reedito novamente porque a comunicação social não consegue um consenso acerca dos valores do navio nas diversas fases do negócio. Parabéns à prima no que diz respeito aos factos mais elementares de uma notícia. Estou agora a ver o navio, num dos noticiários e que agora navega nas mais difíceis águas geladas: lindo, suficientemente grande para anular enjoos. Imagino o bom que seria para o arquipélago dos Açores um navio daqueles a fazer a ligação entre ilhas. Ver as ilhas açorianas do convés de um barco foi uma das experiências mais deslumbrantes da minha vida, mesmo a partir de um catamaran que deixa 90% dos passageiros a encher sacos de vómito. Pronto, é só isto.

domingo, 5 de setembro de 2021

de como a gelatinosa porcaria entende a unidade do estado












foto: Nuno Veiga/Lusa

A gelatinosa criatura que nos “preside” deu agora de dizer que "[a] autonomia foi uma conquista dos açorianos, tal como dos madeirenses, não foi uma condescendente benesse de ninguém."

Não foi. Foi a consequência direta do “processo revolucionário em curso” (PREC). Confrontadas com o assalto ao poder por parte do PCP, as elites locais deram origem a movimentos independentistas e foram posteriormente apaziguadas com as “autonomias” de que agora fazem modo de vida.

Os senhores jornalistas acrescentam que a mencionada porcaria lembrou que a unidade nacional "só é plena, porque os Açores e a Madeira são regiões autónomas".

Os senhores jornalistas agora tomam notas. Não fazem perguntas. E por consequência não vamos ficar a saber como é que esta extraordinária criatura  a quem os portugueses confiaram a garantia da "unidade do Estado” chega à conclusão que essa unidade  “só é plena" com as “regiões autónomas”. É que a mim parece-me uma ideia assim a dar para o manco. Para não dizer que é uma valente filhadaputice usada para mascarar o óbvio.

A miserável criatura acha que o alboroque é farelo e propõe-se oferecer os préstimos do contribuinte. Os insulares cleptocratas já reclamam partidos regionais.

aqui disse para que servem as autonomias.

domingo, 9 de agosto de 2020

helicóptero da sic


















 Marcelo escusa-se a comentar inconstitucionalidade da quarentena imposta nos Açores.

O quase silêncio com que a opinião publicada acolhe a ociosa inanidade desta criatura não pára de me espantar.

Açores e Madeira: a caminho da independência, defendeu-se hoje no Observador: "Só há uma pessoa que pode parar este processo. É Presidente da República e chama-se Marcelo Rebelo de Sousa." Ou seja: não há rigorosamente ninguém capaz de o parar. Pode-se contar com a criatura para ter opinião acerca de tudo e um par  de botas. Incêndios, chouriços, holandeses, queijos, ponchas? É só dizer. Mas já sabemos que não comenta nada que tenha a ver com a constituição da república. Agora imagine-se da disponibilidade para a defender e fazer cumprir...

Já o escrevia aqui em 2016: a porcaria insular que medra à conta das "autonomias" não tem nada de especificamente insular e não é mais do que o equivalente bastante exato das nomenclaturas continentais. Era altura de rever a constituição e, de uma vez por todas, acabar com as “autonomias”. Já não há razão para continuar a tolerar os "movimentos independentistas" de que são tumor e que nasceram como reação à tentativa de tomada do poder por parte do PCP. É preciso pôr um ponto final nesta dispendiosa extravagância que põe periodicamente em causa a nossa identidade coletiva. Se os naturais de São Miguel ou do Funchal querem independência que se faça um referendo acerca da mesma. Se ganharem em voto popular, deve-se dar-lhes a independência que reclamam. Imediatamente. Evidentemente, o referendo não poderia ser como alguns pensam: teria que ser ilha por ilha. Cada uma das ilhas dos Açores tem a sua identidade. E se querem brincar às independenciazinhas os independentistas de São Miguel, não podem determinar a independência da Terceira ou do Corvo, por exemplo. Depois, se perderem o referendo, baixam a bola e passam a ser governados por Lisboa (ou por Angra do Heroísmo, tanto se me faz...) como todos os outros portugueses. E quem não quiser que se atire ao mar. O país tem problemas que cheguem e não tem dinheiro para continuar a alimentar esta palhaçada.

 

sábado, 6 de julho de 2019

diplomacia

Ao mesmo tempo que pretendia fazer valer a Portugal o estatuto de neutralidade durante a 2.ª Guerra Mundial – que entre outras coisas lhe permitia vender volfrâmio a ambas as partes e ao melhor preço-, Salazar esgotou todas as hipóteses de empatar a “anuência” à pretensão dos aliados em fazer uso dos Açores como base militar. Em finais de 1943 assinou um acordo para essa utilização. Perante os protestos de Huene (embaixador alemão em Lisboa), justificou-se nos seguintes termos:

('Na vastidão de áreas e complexidade de condições em que se desenrola a luta, a violação, mesmo com carácter permanente de um dever ou direito de neutro confinada a determinado espaço limitado não importa forçosamente e de facto não tem importado, a negação da qualidade de neutro do país em causa.') [Esta reação deixou] Huene mais perplexo do que nunca. Confessou a Teixeira de Sampaio que traduzi-la para alemão se revelara tão difícil que recorrera aos préstimos de um professor de línguas modernas para o ajudar.”*

*Filipe Ribeiro de Menezes em “Salazar – Uma biografia política”, ed. D. Quixote, 2010, pp. 311-312

quarta-feira, 16 de agosto de 2017





















"...I guess I could be pretty pissed off about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life... You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry... you will someday."

Alan Ball

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

de como nenhum povo é tão bom a odiar-se a si mesmo quanto o português mas que nenhum estrangeiro caia na tentação de o depreciar: recomendações para turistas





















Comentando uma grosseira descrição da essência do culto do Divino Espirito Santo - como se fora apenas distribuição de pão, vinho e carne, sem reclamar nada em troca - um italiano de que não cheguei a ver rosto (muito importante, esta coisa da observação dos rostos) -, sem grande empenho e talvez apenas a cuidar que estaria a ser gentil, voluntariou a confissão de qualquer coisa como “nada que se possa ver em Portugal”.
Dei-me por contente em apenas ouvir pela janela aberta. Porque fervi: “Olhem-me este filho-da-puta… É bem certo que a Itália não existe verdadeiramente para um italiano; para ele há a Sicília, há Milão e uma porrada de dialetos com tudo o que estas coisas da língua implicam. Mas há também um ror de coisas que este cabrão não sabe acerca do sítio em que veio parir disparate.” Pensei eu com os meus botões.
Se há coisa que eu sei de seguro é que os humanos são essencialmente iguais em qualquer canto em que a Terra calhe ser habitada. Foi o que disse há bem pouco com a mais absoluta sinceridade a uma jovem alemã com quem me sucedeu o desastre de perguntar-lhe se a sua mãezinha era judia. (Era bela como as flores, a rapariga. Mas isso agora não interessa).
Mas depois das verdades universais – porque a verdade não tem outra maneira de ser – há maneiras de ser que são pátrias. E passam pelo leite da língua. Por exemplo: não creio que outro povo à face da Terra saiba odiar-se a si mesmo tão vigorosamente quanto o português. Mas a merda fica séria se algum “estrangeiro” se embala na tentação de nos depreciar.
São tristezas que acontecem a todos. Só os ingleses eram alegres (isso mesmo, pretérito imperfeito…), nessa elegância de saberem rir de si próprios. Os franceses serão, talvez, os mais patéticos de todos na maneira de se acreditarem ser o que nunca foram. (E hoje então… )
E podia continuar por aqui afora, soubesse eu assim tanto acerca dos “outros”.

Bom, mas isso agora não interessa.
Voltando ao nosso umbigo e à boa maneira de um estrangeiro lidar com ele.
Porque o português tem a desgraça de - mais do que qualquer outro povo - adorar saber o que os “outros” pensam de si*, o estrangeiro não aclimado padece da tentação de ser hagiográfico.
Mau caminho. Como nos odiamos a nós mesmos, qualquer encómio parecer-nos-á refolho.
A maneira certa de um “estrangeiro” contender esta aflição em que os deixamos, aprendi-a eu na leitura e audição de entrevistas a “estrangeiros”. Nessas entrevistas calha-se muitas vezes ouvir ou ler um entrevistado com neurónios mais aplicados. E inevitavelmente, mais tarde ou mais cedo, vai levar com a estocada de ser inquirido acerca do que pensa de nós.
Os mais lúcidos salvam-se assim:

(Breve hesitação – figurada com os três pontinhos no caso de entrevistas impressas. Mas convêm mesmo que seja breve porque, se muito arrastada, a malta desconfia logo de qualquer marosca.)

Depois, qualquer coisa como isto:

“- … Os portugueses são absolutamente geniais na sua capacidade de improvisação. Como é que vocês dizem? ….A ‘desenrascar!’”

Não haverá um único português que não entenda o verdadeiro significado de uma afirmação tão cortês: somos displicentes, deixamos tudo para a última hora, não planificamos, não estudamos as coisas, … Enfim, vamo-nos safando com uma mão por baixo, como os ébrios e as crianças.
Ou seja: é necessário que um estrangeiro seja capaz de nos descrever na nossa maneira de ser odiosos mas é imperioso que o faça com afeto e gentileza.
Em contrapartida, de um “estrangeiro” o português suporta estoicamente toda a espécie de patifarias e indelicadezas, toda a sorte de coisas que nunca estariam dispostos a consentir de um compatriota.

________________
Para um povo tão ansioso de saber o que os outros pensam de si, há até uma gorda bibliografia que trata de coligir tais coisas…

domingo, 18 de junho de 2017

do ananás que podia muito bem ser beirão


aqui disse tudo o que acerca destes ananases tinha a dizer. São rigorosamente iguais aos do continente. O que ainda nenhum beirão se lembrou de inventar foi um presidente das Beiras cuja esposa presida a uma “Coordenação dos Palácios da Presidência”. Ficamos sem saber o número exato que está implicado neste plural do império açoriano. Nem tão-pouco o género de assuntos a coordenar pela “Coordenação”. A utilização das camas por parte do Sr. Presidente nos diversos palácios? Não se sabe.
Mas para que não sobrem dúvidas acerca de quem manda aqui pela República dos Ananases, parece que a senhora ainda arranjou vagar para “coordenar a ‘estrutura de missão’ para a criação da Casa da Autonomia”.
Eu cá acho que devíamos ser todos autónomos.
Quero a minha autonomiazinha.
E uma coordenadora para as minhas coisinhas.
E uma bandeirinha. Não gosto desta, a pior desgraça saída da cabeça do Columbano, acicatado pela canalha do partido republicano, liberdade, igualdade, fraternidade e assim.
E não vejo razão nenhuma para que os beirões não tenham a sua.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

independência para as colónias, já!






Ontem foram as eleições para o Governo da região portuguesa dos Açores.  Sei porque os noticiários andavam excitados com o assunto. Com painéis de comentadores a comentar os resultados, assunto acerca do qual não sinto a menor curiosidade. Eu e os 59,1% de açorianos que acharam ter assuntos mais importantes do que ir votar.
Mas os cerca de 40% de cidadãos eleitores chegaram e sobraram para eleger 57 mamíferos; não chegam a 250 000 os residentes nos Açores pelo que contabilizados os votos apenas dos cidadãos eleitores dá mais ou menos o número de votos correspondente aos membros das famílias de cada um deles.
Para manter todas estas famílias felizes, a república estorricou diretamente na assembleiazinha cerca de 11 milhões com um reforçozinho de cerca de dois milhões “para pagar as subvenções vitalícias dos antigos deputados.” Apesar de tudo muito menos gastadores (embora menos divertidos) que os da Madeira que sendo apenas 47 mamíferos para uma população idêntica abicharam mais de 14 milhões, sem contar com os reforçozinhos.
A estes 104 mamíferos juntam-se os 230 “cubanos do contenente”. A republiqueta elege 334 mamíferos no total.
Muitos são os meus concidadãos que, a ver vida a andar para trás, volta e meia lhes dá para comparar os 230 mamíferos do continente com o número de congéneres em países bem mais prósperos. E acham que são muitos. Outros fazem a mesma pergunta e chegam a conclusões diferentes. Por uma qualquer razão que me escapa, quer os primeiros quer os últimos, fazem sempre as contas a esquecer-se dos 104 insulares mamíferos. O que me parece uma grande falta de respeito.
A isto, que ainda é muita massa para um país falido, deve juntar-se a redundância de custos administrativos de institutos, organismos, secretarias, palácios que analisados ao detalhe deixariam qualquer alma em febre.
No mundo existe uma boa dezena e meia de cidades que sozinhas perfazem mais do total da população portuguesa. Imagine-se o que seria delas se tivessem idênticos custos administrativos.
Estou com tudo isto a sugerir que esta coisa das “autonomias” é uma valente merda com custos faraónicos e que a ninguém serve que não aos mesmos das mesmas famílias continentais?
Estou.
Politicamente não representam nada de especificamente regional, rigorosamente nada porque são rigorosamente os mesmos que medram em todo o território, mais coisa para um lado, menos coisa para o outro.
Há muito que os nossos compatriotas insulares deixaram de estar separados do continente por barcos à vela. Entretanto inventaram-se muitas coisas, dos meios de transporte às telecomunicações. E todo o dinheiro que se anda a gastar com este patético equívoco constitucional, podia muito bem ter uma distribuição mais justa em todas as ilhas e por todas as famílias.
E se os nossos compatriotas dos Açores ou da Madeira achassem em mal o acabar com o forrobodó, era referendar-se a independência; os mamíferos locais podiam usar nas suas campanhas o slogan “Independência para as colónias, já!”
__________________

É importante acrescentar que o estatuto de "região autónoma" nas ilhas dos Açores, Madeira, Selvagens e Porto Santo resulta da tentativa de instauração em Portugal de uma República Socialista Soviética por parte do PCP (Partido Comunista Português).

Em compreensível reação ao que em Portugal continental se passava, as elites locais mobilizaram-se no sentido de darem forma a incipientes movimentos independentistas (na verdade, sem qualquer apoio ou acolhimento fora de Ponta Delgada ou Funchal…).

Para aplacar estas "insurgências", o governo central inventou as "regiões autónomas" e consagrou-as na constituição. Esta foi apenas uma das inúmeras consequências do período politicamente conturbado e desastroso que Portugal viveu entre 25 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975, dia em que finalmente foi instaurada a democracia em Portugal, o dia que deveríamos comemorar como dia da Liberdade. No período que mediou estas duas datas, tentou-se a substituição de uma ditadura por outra.