Ao mesmo tempo que pretendia fazer valer a Portugal o estatuto de neutralidade durante a 2.ª Guerra Mundial – que entre outras coisas lhe permitia vender volfrâmio a ambas as partes e ao melhor preço-, Salazar esgotou todas as hipóteses de empatar a “anuência” à pretensão dos aliados em fazer uso dos Açores como base militar. Em finais de 1943 assinou um acordo para essa utilização. Perante os protestos de Huene (embaixador alemão em Lisboa), justificou-se nos seguintes termos:
“('Na vastidão de áreas e complexidade de condições em que se desenrola a luta, a violação, mesmo com carácter permanente de um dever ou direito de neutro confinada a determinado espaço limitado não importa forçosamente e de facto não tem importado, a negação da qualidade de neutro do país em causa.') [Esta reação deixou] Huene mais perplexo do que nunca. Confessou a Teixeira de Sampaio que traduzi-la para alemão se revelara tão difícil que recorrera aos préstimos de um professor de línguas modernas para o ajudar.”*
*Filipe Ribeiro de Menezes em “Salazar – Uma biografia política”, ed. D. Quixote, 2010, pp. 311-312
Sem comentários:
Enviar um comentário