Marcelo escusa-se a comentar inconstitucionalidade da quarentena imposta nos Açores.
O quase silêncio com que a opinião publicada acolhe a ociosa inanidade desta criatura não pára de me espantar.
Açores e Madeira: a caminho da independência, defendeu-se hoje no Observador: "Só há uma pessoa que pode parar este processo. É Presidente da República e chama-se Marcelo Rebelo de Sousa." Ou seja: não há rigorosamente ninguém capaz de o parar. Pode-se contar com a criatura para ter opinião acerca de tudo e um par de botas. Incêndios, chouriços, holandeses, queijos, ponchas? É só dizer. Mas já sabemos que não comenta nada que tenha a ver com a constituição da república. Agora imagine-se da disponibilidade para a defender e fazer cumprir...
Já o escrevia aqui em 2016: a porcaria insular que medra à conta das "autonomias" não tem nada de especificamente insular e não é mais do que o equivalente bastante exato das nomenclaturas continentais. Era altura de rever a constituição e, de uma vez por todas, acabar com as “autonomias”. Já não há razão para continuar a tolerar os "movimentos independentistas" de que são tumor e que nasceram como reação à tentativa de tomada do poder por parte do PCP. É preciso pôr um ponto final nesta dispendiosa extravagância que põe periodicamente em causa a nossa identidade coletiva. Se os naturais de São Miguel ou do Funchal querem independência que se faça um referendo acerca da mesma. Se ganharem em voto popular, deve-se dar-lhes a independência que reclamam. Imediatamente. Evidentemente, o referendo não poderia ser como alguns pensam: teria que ser ilha por ilha. Cada uma das ilhas dos Açores tem a sua identidade. E se querem brincar às independenciazinhas os independentistas de São Miguel, não podem determinar a independência da Terceira ou do Corvo, por exemplo. Depois, se perderem o referendo, baixam a bola e passam a ser governados por Lisboa (ou por Angra do Heroísmo, tanto se me faz...) como todos os outros portugueses. E quem não quiser que se atire ao mar. O país tem problemas que cheguem e não tem dinheiro para continuar a alimentar esta palhaçada.

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