“não tap os olhos”
Desta vez, um dos choferes dos aviões da TAP, em apenas um voo, custou ao contribuinte (os noticiários chamam-lhe “estado português” mas é de si que eles estão a falar) a módica quantia de 40.000€. Aparentemente, o Senhor Presidente da República da Eslovénia e a sua comitiva - convidados pelo Senhor Presidente da República Portuguesa para virem a Portugal inaugurar um banco de jardim (assunto de que aqui dei a devida notícia) - terão chegado atrasados “2 a 3 minutos” ao avião da TAP que os levaria de volta à Eslovénia. Depois de descarregar a bagagem destes passageiros - porque o chofer do avião se recusava a abrir-lhes a porta -, o “estado português” fretou um jato. O chofer do avião alega ter obedecido a instruções da empresa.
Viajo muito pouco de avião. Adoro fazer milhares de quilómetros por terra e sempre que posso, é em carro que viajo. De modo que a minha experiência de companhias aéreas é muito pequena. Apesar de ter algumas opiniões: as Turkish Airlines são de longe as minhas favoritas; a UIA ucraniana, logo que a meio dos voos começam a vender bebidas, é de longe a mais divertida ( e assustadora em voos mais longos…); procuramos esquecer o assunto da aviação quando, ao embarcar num avião da British Airways e à medida que caminhamos pela manga, vemos as asas a abanar; fico aterrorizado com a ideia de deixar cair o quer que seja ao chão num avião da Rayanair porque é literalmente impossível conseguir recuperá-la no espaço disponível entre as pernas e o banco da frente; adoro os aviões da SATA, com assentos de espessura igual a 4 ou cinco assentos de um avião da Ryanair e onde – ao contrário do que sucede com esta última -,é literalmente impossível sermos importunados por inglesas bêbadas. Mas nada, absolutamente nada me levaria a embarcar voluntariamente num avião da TAP. Tendo o custo da passagem por critério na escolha da companhia, como sucede no meu caso, nunca há perigo: o transporte pela TAP é sempre duas, três vezes, às vezes mais caro do que em qualquer outra. O problema é quando outras companhias aéreas vendem bilhetes da TAP em seu nome. Foi exatamente isso que me aconteceu da última vez que viajei na TAP. Comprei um voo pela LOT e fui num avião da TAP até Varsóvia. O avião saiu de Lisboa com mais de uma hora de atraso; não sei exatamente quanto, porque não estamos de cronómetro na mão quando somos surpreendidos com estas coisas. Nunca em nenhum momento da longa espera – em que não entrou ninguém no avião – foi oferecida qualquer explicação aos passageiros que aguardaram a descolagem sem a exigir, de modo paciente e civilizado. Sentados nos bancos à minha frente, os mais espaçosos, imediatamente atrás da cabine, seguiam os tripulantes do voo e colegas (porventura a caminho de outras escalas). Sensivelmente a meio do voo, um dos cavalheiros - de barba irrepreensivelmente cuidada e que me parecia mais alto enquanto sentado-, levanta-se e começa por servir os seus colegas com uma cerimónia que - não pude deixar de reparar -, contrastava com o ostensivo desdém com que posteriormente serviu os passageiros.
Ao chegar a Varsóvia e à saída, três senhoras à minha frente, com ar modesto- provavelmente ucranianas, a ajuizar pelo modo como se expressavam em português – interpelaram o referido cavalheiro acerca de a quem deveriam exigir satisfações por haverem perdido a ligação do seu voo para Kiev. O estafermo olhou as senhoras de baixo para cima e essa foi a sua única resposta. Acrescento que esta desprezível criatura era baixota, o que noutras circunstâncias seria completamente irrelevante. E – descobri alguns meses mais tarde, já em Portugal e numa qualquer notícia acerca de tripulantes de cabine – presidente de um dos sindicatos da classe.
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