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sexta-feira, 18 de agosto de 2023

os nossos corruptos são muito melhores que os vossos

Quando, por força das circunstâncias se dá notícia de milhões embolsados por "socialistas", acontece logo sacarem um isaltino a comer ostras -"que até são o prato mais barato"...- por conta do orçamento. Tenho a certeza que se tivessem feito bem o trabalho tinham arranjado algo um bocadinho melhor. O isaltino? Aquele que já passou pela prisão porque se zangou com o partido? Só conseguem isso? Façam o vosso trabalho, caramba. Se escarafuncharem um bocadinho - nem precisa ser muito - tenho a certeza que "a direita" vos dá algo melhorzinho.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

“A revolta destes jovens de direita contra a correcção política no princípio do século xx não é uma chamada à radicalização ideológica. Muito pelo contrário, os colaboradores da Atlântico alertam contra o perigo de aproveitamento, por parte do populismo de direita, de temáticas deixadas sem resposta pelos liberais e pelos conservadores. Henrique Raposo, por exemplo, encontra a quintessência da correcção política no mito do multiculturalismo, negação do verdadeiro cosmopolitismo. O politicamente correcto impede, hoje, de se falar dos problemas da imigração, para não se correr o risco de ser rotulado de racista, de neocolonialista, de extremista de direita. Através da chantagem moral, a esquerda ocupa o espaço do debate público e impõe a figura do migrante não como um cidadão igual aos demais, nos direitos e nos deveres, mas como um refugiado titular de um estatuto especial, destinatário de subsídios. Esta dominação cultural das esquerdas é co-responsável pela realidade social deixada medrar nalgumas periferias da área metropolitana de Lisboa, onde – á semelhança do que se passa em França - as segundas e terceiras gerações de cidadãos nascidos em Portugal de pais estrangeiros não se integram culturalmente, nem sequer na aprendizagem da língua portuguesa, porque a assimilação é apontada como uma forma de etnocídio cultural supremacista. A esquerda é, assim, responsável pelos guetos multiculturais onde cresce o repúdio do Ocidente entre jovens desenraizados tanto do lugar de origem dos progenitores, quanto do lugar físico de nascença. Se é verdade que ninguém é obrigado a gostar e respeitar a cultura e a comunidade do país onde nasceu, também é verdade que o multiculturalismo impõe uma obrigação moral: aos ocidentais, a obrigação de ter vergonha de si e do seu legado histórico; aos não-ocidentais, a obrigação de preservar o orgulho das culturas de origem. Henrique Raposo define esta cultura pós-moderna de ‘comunitarismo reaccionário’, no qual é possível encontrar todos os ingredientes do romantismo do século XIX de um Johann Herder, de um Ferdinand Tönnies, de um Johann Fichte: o culto do Eu, a primazia da comunidade e da cultura, a crítica da razão iluminista, a recusa da ciência universal e da civilização mecânica anglo-saxónica. Nas directrizes da Kultur e do Volke convergem, hoje, a velha direita e a nova esquerda, portadoras de um nacionalismo identitário agressivo.
A partir de Maio de 1968, parte da esquerda recupera o conceito de etnicidade que se pensava sepultado sob os escombros do nacionalismo fascista. Com a queda do Comunismo, em 1989, esta esquerda substitui Karl Marx com Jean-Jacques Rousseau e a economia com a cultura: 0 novo sujeito antagonista contra o Ocidente é, hoje, o bom selvagem que deve ser protegido da assimilação corruptora imposta pelo dominador. O relativismo moral, promovido pela esquerda para se servir dos indivíduos em função antiocidental, é profundamente paternalista por tratar os imigrantes não como sujeitos autónomos, capazes de determinar a sua vida, mas como crianças indefesas, coagidas pelo Ocidente. Por sua vez, o Ocidente, demonstra ser vulnerável a este relativismo, tolerando, por exemplo, a vigência da lei da Sharia nalgumas comunidades muçulmanas em terras europeias, para evitar a acusação de racismo. Portugal não é imune a este fenómeno. Neste sentido, Henrique Raposo aponta a intervenção da esquerda - em particular da Associação para o Planeamento da Família - aquando da discussão da lei contra a mutilação genital feminina, no sentido de não estigmatizar a complexidade cultural das comunidades africanas. Na opinião do autor, esta postura paternalista discrimina as meninas com base na origem étnica, negando-lhes a protecção por parte do Estado de direito. Para Henrique Raposo, o relativismo epistemológico no processo de conhecimento do outro não pode implicar o relativismo moral: a dignidade humana é o chão comum e não pode ser sacrificado face a qualquer valor cultural. O direito natural deve prevalecer sobre qualquer direito romântico multiculturalista. A liberdade individual tem supremacia sobre a moral do comunitarismo multiculturalista. O Estado, com a sua constituição iluminista, não deve deixar espaços vazios no território nacional para o florescimento de moralidades diferentes, ancoradas em particularismos identitários. O princípio bio-étnico-comunitário deve ser rejeitado, venha ele da direita radical clássica ou da nova esquerda pós-materialista. A constituição iluminista igualitária, e não a origem étnico-racial diferencialista, determina os direitos. O direito à diversidade não pode ser sinónimo de diversidade de direitos.
Neste sentido, o multiculturalismo da esquerda pós-materialista faz o jogo da extrema-direita de sempre, reaccionária, romântica, anti-iluminista, antiuniversalista, pois o identitarismo das minorias provoca a reacção identitária das maiorias, cavalgadas pelos populismos de extrema-direita. O populismo de direita de um Pim Fortuyn (lider holandês anti-islâmico), estigmatizado até ao seu assassinato em 2002, é hoje celebrado porque encarnado pelo cineasta Theo van Gogh, assassinado em 2004 por um radical islâmico. Por isso, segundo Henrique Raposo, os moderados do centro político têm de incorporar na sua agenda o tema das migrações, para o retirar aos extremistas que aproveitam o vazio deixado por liberais e conservadores amedrontados.32 Para o futuro colunista do Expresso, entre a crítica ao relativismo cultural e ao multiculturalismo, e o apoio ao discurso nacionalista, existe o patriotismo constitucional liberal, no qual o próprio se reconhece, avesso a qualquer tipo de generalização comunitária das minorias étnicas. Não existem os ciganos ou os muçulmanos, mas, apenas, indivíduos com direitos e deveres iguais. Reconhecer e resolver os problemas ligados à presença muçulmana na Europa, fugindo ao politicamente correcto, não significa liquidar os indivíduos. O problema islâmico na Europa é um problema de integração nos valores ocidentais. O erro da esquerda é a inconsequência entre, por um lado, a defesa dos direitos dos homossexuais e das mulheres e, por outro lado, o sonegar, politicamente correcto, o machismo e a homofobia presentes na cultura islâmica. Esta constatação não tem nada a ver com o populismo de direita de uma Marine Le Pen, por exemplo, cujo humanismo é só para os franceses, ou seja, excludente do ponto de vista étnico, por estigmatizar um grupo inteiro de indivíduos em razão da sua pertença étnica. A abordagem certa é, pelo contrário, a resolução dos problemas concretos, específicos, vividos nos bairros e não a identificação do problema com todo um grupo humano. Isso significa rejeitar a ideia de que o Islão tenha de ficar fora da Europa. O Islão deve entrar na Europa, porque a Europa deve ser um melting pot como os Estados Unidos da América e também porque a Europa precisa da imigração, integrada nos mesmos direitos e deveres dos autóctones. A presença islâmica na Europa, portanto, vai ao encontro dos valores e dos interesses da Europa liberal.
32 Henrique Raposo, Atlântico, 24 de Novembro de 2005.”

A BOLHA - UMA DIREITA ANTIPOPULISTA, Riccardo Marchi, edições 70, 2022, pp. 69-72

sábado, 1 de setembro de 2018

enquanto nos for possível, é deixá-los proibir


O olho que na capa vê mais ou menos a direito fica aqui vendado pela frase de Roger Scruton, estranhamente editado entre nós pela Quetzal, uma editora que arrisca a proscrição pela temeridade. Mas Sartre, Deleuze, Adorno, Habermas e demais família, que  terão sido os bibelots da roda dentada e da enxada da udp do major tomé, são hoje substituídos pela estrelinha com cabeça e membros tribais.
Sem a tradicional direção estalinista, fazem agora uso de matarruanas de queixo quadrado para anunciar a excomunhão de uma qualquer criatura que arrisque assomos de ideia fora do cânon, para reclamar a incineração de um qualquer livro, para exigir o abate de um qualquer monumento erigido em memória de um Vieira em enxofre de sotaina.
Sem sombra de pudor, exigem o silêncio de todas as vozes que não reconheçam como sendo das suas tribos.
Com mais ou menos máfias cor-de-malva, o resultado é sempre o mesmo.

Mas enquanto nos for possível, a melhor e mais eficaz resistência é a de lhes consentir o espetáculo das suas assanhadas proibições.