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quinta-feira, 16 de maio de 2024

a carne para canhão do wokismo

Um texto que faz a radiografia do que há de subterrâneo nas politicas de migração da esquerda.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

o drama do beijo - parte V

Não creio que a "estátua" de Camilo, graciosamente cometida por Francisco Simões, possa ser descrita como uma obra prima: não é. Não gosto mesmo nada da "estátua” que apenas agora vi em algumas fotos a pretexto do drama. Nem aprecio o trabalho do seu autor que em tempos também ilustrava as capas dos livros de David Mourão-Ferreira. Cuja poesia, aproveito para dizer, também me “desgosta”. 
Quanto a Mário Cláudio, subscritor e provável autor do texto de uma carta que reclama a remoção da dita “estátua”, cumpre-me informar que me parece ser senhor de uma escrita de tal maneira afetada e pomposa que nunca consegui acabar a leitura de qualquer dos seus livros. Digamos que são para mim um "desgosto estético" que não sobrevive a alguns dos meus preconceitos. Também é autor de literatura para crianças, mas não me pronuncio acerca dela. Seja como for, com esta "notícia do meu desgosto" pela literatura de Mário Cláudio, ninguém deve presumir que exijo que os seus livros sejam sujeitos ao teste dos 233 graus Celsius ou reciclados em favor de qualquer outra função.
Além do “desgosto estético”, com que reclamam “o favor higiénico de mandar desentulhar aquele belo Largo de tão lamentável peça e despejá-la onde não possa agredir a memória de Camilo", os trinta e sete subscritores da carta também invocam a natureza “mais ou menos pornográfica” do “exemplar”, atributo que lhe foi aposto por subscritores como Ilda Figueiredo, “vereadora da CDU”, o “ex-banqueiro” Artur Santos Silva, o “antigo deputado comunista” Honório Novo e o “conselheiro” António Lopo Xavier.
Aparentemente a carta foi levada “a despacho” e o doutor moreira despachou "…concordando com o que tão ilustres cidadãos nos suscitam” e solicitando “que se proceda à remoção daquele objeto…”
Não sei quantos quilos de bronze Francisco Simões ofereceu ao município do Porto. Mas é seguro que saíram muito mais em conta que os muitos quilos facturados por Dinis Ribeiro pelo seu “Guterres a olhar para Vizela” ou ainda pelo seu “D. Afonso Henriques”, artigo para exportação. Serão “desgostos estéticos” para muito boa gente e assunto mais ou menos “pornográfico” para muitos mais por serem os contribuintes a pagar por tal entulho. Cuja remoção ainda não foi exigida por ninguém.
Talvez porque Vizela não tenha “ilustres cidadãos”. 
Como o conselheiro xavier.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

o drama do beijo - parte III

Depois de ouvirem tudo o que é cão a pretexto do drama do beijo, como é que ainda não ouviram um académico com currículo como o doutor boaventura, autor do tão celebrado “Pela Mão de Alice” e de tantos outros “modos de produção de poder social” ?
 Hã? Porquê? Já não há respeito? 
Eu exijo um académico como deve ser a tratar dessa coisa do beijo!

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

o drama do beijo – parte I

(Sou-me dado ao dever de dizer o que acerca do assunto nem cheguei a achar por causa de coisas há pouco surgidas com o simples e aparente delito do título "correspondente" à parte II.) ______________________________________________________________________________ 


  “No tempo do fascismo” – que foi num tempo em que eu era ainda muito pequerrucho -, recordo-me perfeitamente de que quando uma senhora era beijada, assim “à espanhola”, podia acontecer uma de duas categorias de coisas: 1) a senhora exprimia felicidade, alegria e coisas dessas com um sorriso – e foi isso que por acaso eu julguei ver -, ou 2) a senhora investia um violento bofetão nas ventas do valente. Entre estas duas hipóteses, só podia haver alíneas a dar maior ou menor expressão ao sentido. Podia, por exemplo na segunda hipótese, haver uma alínea para um violento pontapé nos tomates do artista, vá lá um homem saber ao certo o que se passa no coração de uma mulher… 
E, com rainhas por perto ou longe, as coisas ficavam por ali porque as rainhas eram rainhas e só muito excecionalmente se poderia achar que um beijo envolvia mais alguém além de duas pessoas. 
 Havia coisas feias quando eu era mais pequeno? Havia. Mas só de cima de um andaime. Porque geralmente as senhoras caminhavam em cima de uma imperial indiferença. Que decorria da certeza, de uns e outros, que o do andaime, se mais de perto, corria o risco de enfardar a violenta bofetada mencionada em 2) ou alguma das suas inúmeras alíneas. 
Mas voltando ao presente: veio a futebolista no primeiro instante do sururu esclarecer que não havia nele nada de impróprio. Para depois -na sequência de gente emocionalmente estraçalhada, por sua inteira culpa sem beijos, que não fode nem sai de cima, encharcar os noticiários e os debates com a peçonha da sua miséria afetiva -, porque além de futebolista não é senhora também, lá vir dizer que sim, na gelatina tão comum da sua espécie. Gente que me deixa naquele estado físico da náusea adequadamente descrita por Satre no literal contexto e atmosfera de uma ocupação nazi. 
Sendo absolutamente sincero, toda esta gentalha nojenta e hipócrita, toda a indignação de todos os comentadores enfurecidos, me oferece o presente de me deixar mais ou menos reconciliado com a finitude da vida. 
 Mas depois ouço o Armstrong naquela coisa do “I see blue” ou “l'important c'est la rose” e penso: Mas que grandes filhos da puta. Morram vocês, seus cabrões.