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terça-feira, 27 de setembro de 2022

os nossos aliados americanos são amigos e nunca fizeram escutas à senhora merkel

De regresso a casa, ouço na rádio que em resultado provável de “explosões” (!) há fugas de gás no Nord Stream II.
E no Nord Stream I??
Algumas notícias falam em ambos, outras em apenas um deles. Como vem sendo habitual, no que diz respeito a factos, os serviços “noticiosos” não são fiáveis pelo que apenas podemos admitir várias hipóteses.
Já no que diz respeito a especulações parece haver consenso entre os vários "serviços noticiosos": a Rússia é a primeira interessada em rebentar com os gasodutos (na “notícia” da rádio) porque a Rússia quer aumentar os preços. Juro, foi o que o macaco de serviço afirmou. E -já em casa a ouvir o Milhazes -, porque os Russos querem “lançar o caos na Europa”.
Que os russos não necessitem de rebentar com um gasoduto do qual possuem uma torneira que, como qualquer torneira, serve para abrir e fechar, é um mero detalhe sem qualquer importância para estes serviços “noticiosos”.
Outro detalhe que não parece ter qualquer importância é o facto continuamente esquecido de a administração Biden, pouco antes da guerra que agora opõe a Rússia à Ucrânia, ter ameaçado rebentar com o Nord Stream II se a Alemanha insistisse na sua utilização.

Já não dou importância a nenhuma destas coisas. O que me deixa a ferver é verificar a facilidade com que esta canalha das “notícias” trata toda a gente como verdadeiros débeis mentais. 



domingo, 3 de outubro de 2021

quora


How are the diplomatic relations between Brazil and Portugal?



Not well.

Because the clown elected as president of Portugal - afraid of having "bad press" [political partisans passing themselves as "journalists"] and anxious to be loved... - went to Brazil and the first thing he did was meeting with a corrupt ex-president instead a democratic elected president by the Brazilian people.

And of course, when he went to do what he should do in the first place, he was welcomed with some dirty jokes.

He deserved it. And we Portuguese, should have had the discernment to elect a president with less psychiatric problems.

It's a shame. We – Portuguese and Brazilian people- deserved better.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

 “The time, it is to be hoped, is gone by, when any defence would be necessary of the ‘liberty of the press’ as one of the securities against corrupt or tyrannical government. No argument, we may suppose, can now be needed, against permitting a legislature or an executive, not identified in interest with people, to prescribe opinions to them, and determine what doctrines or what arguments they shall be allowed to hear.”

John Stuart Mill, On  Liberty, Penguin Books, 2010 (1ª ed. 1859), pág. 25

sábado, 19 de setembro de 2020

“Como tudo é harmónico! Vejam a imprensa. A imprensa é composta de duas ordens de periódicos: os noticiosos e os políticos.
Os políticos têm todos a mesma política:
A-quer ordem, economia e moralidade.
B-queixa-se de que não há economia nem moralidade, o que ele receia muito que venha a prejudicar a ordem.
C-diz que a ordem se não pode manter por mais tempo porque ele nota que principia a faltar a moralidade e a economia.
D-observa que no estado em que se vê a economia e a moralidade lhe parece poder asseverar que será mantida a ordem.
Os periódicos noticiosos têm todos a mesma notícia:
A- noticia que o seu assinante, colaborador e amigo X partiu para as Caldas da Rainha.
B-refere que o seu amigo, colaborador e assinante que partiu para as Caldas da Rainha é X
C- narra que para as Caldas da Rainha, partiu X, seu colaborador, assinante e amigo.
D-que se esqueceu de contar oportunamente o caso, traz ao outro dia:
‘Querem alguns dizer que partira para as Caldas da Rainha X, o nosso amigo assinante e colaborador. Não demos fé.’”


Eça de Queirós (1871), As Farpas, Relógio d'Água, 2018, pp.41-42

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

governo, oposição e camaradas unidos

A propósito da greve que agora se repete, a 19 de abril de 2019  escrevi:

“Se pararmos dois, três dias, pomos Portugal no caos. Temos perfeita noção disso”, afirmaram os dirigentes do novo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas. E como desde o primeiro dia suspeitei, se parassem durante cinco, seis dias, derrubavam o governo. Porque seria inevitável que até os perspicazes jornalistas da Lusa começassem a perguntar-se se não havia serviços de informação, se não havia gabinetes capazes de antecipar planos para situações de crise, se a governança acontecia assim mesmo, indolente, ao sabor da espuma dos dias, sem estratégias que se vissem, sem planos, reativa, desinformada, improvisando, diletante, enfim, assustadora e perigosamente incompetente.
...

Provando que nunca tinha chegado a ser ator político - ao contrário do camarada doutor que nunca foi outra coisa -, o sindicato aceitou pôr termo à greve, subscrevendo a proposta de negociar um acordo ao longo de oito meses.
Na sua boa-fé não percebeu que nunca mais poderá voltar a dizer: “Se pararmos dois, três dias, pomos Portugal no caos.” 
Quando o tiver percebido já o governo teve tempo para fazer o que devia ter feito.

A "oposição" é que já não vai a tempo de fazer o que não fez.
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Pois bem. Entretanto o  governo teve efetivamente todo o tempo do mundo para fazer o que devia ter feito. Sempre a surpreender-me na sua prodigiosa desnecessidade, o governo não apenas fez coisa nenhuma como, na conferência de imprensa cometida por três dos membros da quadrilha, começa por dizer e sublinhar que até nem tem nada a ver com o assunto “porque se trata de uma negociação entre privados”.
Mas enfim, magnânimos, condescenderam em informar os senhores jornalistas de que tinham feito uns planos que asseguravam o abastecimento de ambulâncias, carros de bombeiros e funerários.
Ao que ouvi em noticiário, o povo acha que o governo “está a trabalhar bem”. A oposição também.
Os camaradas do camarada doutor, na sua habitual e supimpa lata, informaram a nação de que a greve dos motoristas “…é impulsionada por exercícios de protagonismo e por obscuros objectivos políticos e procura atingir mais a população que o patronato .”





segunda-feira, 8 de abril de 2019

do esgoto a céu aberto

Há uma portentosa diferença nas dívidas contraídas pelo fontismo na monarquia constitucional e as dívidas contraídas pela terceira república: as primeiras são consequência do que era necessário fazer. As últimas são consequência do que vamos ouvindo em sucessivas escutas forenses. E as que temos, no acaso de as ouvir-mos, são depreciativamente descritas como fluindo à maneira de um “esgoto a céu aberto”.
Para essa canalha que faz o clima de opinião não me sobram quaisquer dúvidas que se sentiria  mais confortável se a imundice fluísse em manilha fechada.