sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

l'arpeggiata (cavalli's l'amore innamorato)



Fundado por Christina Pluhar em 2000, o “programa” de "L'Arpeggiata" tem vindo a assentar particularmente num reportório barroco, na música tradicional – tarantelas, folias, fado, … - assim como na música sacra dos países mediterrânicos (com uma incursão pela música tradicional sul-americana em “Los Pajaros Perdidos” e outra por contido improviso em Purcell - “Music for a While - Improvisations on Purcell”).
Contudo, este reportório que parece remeter para uma espécie de “museu” musical - escrupulosamente apoiado em fontes de arquivo, notações e instrumentos originais - é interpretado de forma absolutamente intemporal. Christina Pluhar tem o dom quase singular em música de juntar o popular ao erudito na mais perfeita harmonia, quer em temas, quer em intérpretes; o fabuloso Philippe Jaroussky com a igualmente fabulosa Luciana Mancini, o fado com a música italiana do século XVII.
Ah, para além das gravações, consinto-me recomendar o visionamento de concertos pelo youtube. De um modo geral não gosto de música “ao vivo” (por razões que agora não importam). Mas neste caso particular, ver alguém a arrancar um som absolutamente espantoso daquilo que parece ser mais nada que um corno, ver as emoções dos diferentes interpretes, é a melhor e mais poderosa ilustração do esplendor da grande música.

"Cavalli's l'Amore innamorato" é o seu último trabalho.

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Uma nota política: Sozinha, Christina Pluhar já fez mais pelo património musical europeu que todas as casas da música juntas em Portugal e nos arredores do fausto europeu. 

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