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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

a maldição dourada

“Neste contexto de dinheiro fácil, mas instituições políticas débeis, e com ainda apenas uma ou duas gerações de portugueses com níveis médios ou mais de educação, o país está a definhar e a produzir resultados económicos medíocres. Por um lado, não é possível acompanhar os desafios globais das últimas décadas sem uma economia mais aberta, com mais concorrência, e uma aposta no setor produtivo, não apenas na exploração de recursos e redistribuição. Mas fazer isso implicaria reformas de fundo, como desmantelar os protecionismos e corporativismos que se mantêm, por exemplo, nas ordens profissionais. No entanto, a competição partidária em ambiente de captura mediática recusa sequer considerar reformas, que grande parte da população não apoia ou entende, e que incomodam os poderes e grupos de pressão instala- dos. A competição política faz-se pelas promessas, como mais emprego público, mais dinheiro para os reformados, subidas do salário mínimo, e mais ofertas de bens do Estado Social «grátis» (mesmo quando são, na prática, ilusórias). Os partidos recompensam e alimentam as suas clientelas partidárias através da colonização da administração pública, fazendo nomeações em que critérios técnicos ou de mérito estão ausentes. Tudo isto se opera em detrimento da capacidade produtiva da economia, exige aumentos da carga fiscal, o que por sua vez agrava a dificuldade da economia funcionar de forma eficaz. É um ciclo vicioso. Os partidos do poder adotaram por facilitismo a crença no efeito mágico do Estado-providência, mesmo quando este não funciona.Os partidos e os políticos que os representam concorrem nas promessas mas quase não concorrem nas políticas. De resto, não há um debate sério sobre políticas públicas ou reformas estruturais em Portugal pelo menos desde a última intervenção externa em 2011 e nos anos seguintes. Neste contexto, o impasse apenas pode continuar. As reformas vão sendo adiadas até se tornarem outra vez inevitáveis.
As dezenas de milhares de milhões de euros de fundos comunitários que Portugal recebeu desde a adesão em 1986 viciaram o país no dinheiro europeu. Como é evidente, o contexto de hoje é muito diferente do que existia há três séculos e os mecanismos precisos através dos quais, como argumentei, os fundos europeus prejudicam hoje a economia são diferentes daqueles através dos quais o ouro do Brasil operou no século XVIII. Mas, genericamente, o fator fundamental é o mesmo: ou seja, dinheiro vindo de fora, com poucas ou nenhumas contrapartidas. Fluxos de dinheiro que entram no país desta forma não são saudáveis para a economia, como também não são para as instituições políticas. Há três séculos, o ouro do Brasil não desenvolveu o país - muito pelo contrário. Os fundos europeus não se têm revelado, hoje, diferentes.”


Nuno Palma em "As Causas do Atraso Português", D. Quixote, 2024, pp.267-68”


terça-feira, 1 de novembro de 2022

mas afinal quem é que telefonou?

A maneira como Macron se fez noticiar – mostrando-se surpreendido e dando a entender que a iniciativa do telefonema era do lula, ao mesmo tempo que se dava a interpretar muito ocupado, não parando de mexer em papeis – é absolutamente espantosa. Para mim, razão suficiente para um corte "de relações".

Só faltou fazer uso do truque do relógio de pulso, consultando-o ao mesmo tempo que falava, um truque em tempos muito em voga...
Manhas de quem se pensa com o rei na barriga…




segunda-feira, 3 de outubro de 2022

a ver os brasileiros que esperam os resultados da eleição

O resultado desinteressa-me de todo. Com um ou outro, nada de substancial mudará no Brasil. Permanecerá  sendo “o país do futuro".

Aquilo que me está a interessar realmente é verificar como os que votam em Bolsonaro têm ar humilde. Por contraste com  o ar próspero e lavadinho dos que exibem afeição por Lula. De resto, até os candidatos oferecem essa impressão: Bolsonaro de chanatos e cafona, o sindicalista em fatos de bom corte. Não obstante a sociologia de pataco que nos é oferecida pelos influencers, é isto o que realmente pode ver-se. No Brasil e aqui. A esquerda cheirosinha e próspera, a direita  transpirada e a vestir-se em mercados de rua.
Consciência de classe; a esquerda precisa de jardineiros e mulheres a dias. 

sábado, 2 de julho de 2022

helicóptero da sic

O banhista vai novamente a passeio a faturar no contribuinte. Numa das ultimas vezes em que o fez - na qualidade de chefe de estado - entrevistou-se com o ladrão e só depois com o seu homónimo democraticamente eleito. Os nossos "influencers", devidamente travestidos de "jornalistas", não deram boa conta deste desprezo pelos deveres mais elementares de um chefe de estado.

Este bandalho que os meus compatriotas elegeram para " chefe de estado" tem deveres enquanto viajar nessa qualidade. Se mais ninguém o lembra deles, que seja o capitão a fazê-lo.

Evidentemente, sempre carente de afeto, a criatura apenas quer agradar aos "influencers" domésticos com as prioridades. Mas seja como for, deveria ser capaz de distinguir os deveres dos afetos.
(BTW: Não há por aí um partido que proponha um travão nas despesas orçamentadas para a presidência da república? Já era tempo. O gajo até pode não ir à lata das bolachas, mas come todas as que pode.)



sexta-feira, 1 de abril de 2022

quora

Por que o povo do Rio de Janeiro não consegue eleger um governador que não vá parar na cadeia?

Meus caros amigos: isso bom não é. Mas sendo mau é, apesar de tudo, muito melhor que um país onde o povo só consegue eleger governantes que deviam estar na cadeia e nunca são presos.

domingo, 3 de outubro de 2021

quora


How are the diplomatic relations between Brazil and Portugal?



Not well.

Because the clown elected as president of Portugal - afraid of having "bad press" [political partisans passing themselves as "journalists"] and anxious to be loved... - went to Brazil and the first thing he did was meeting with a corrupt ex-president instead a democratic elected president by the Brazilian people.

And of course, when he went to do what he should do in the first place, he was welcomed with some dirty jokes.

He deserved it. And we Portuguese, should have had the discernment to elect a president with less psychiatric problems.

It's a shame. We – Portuguese and Brazilian people- deserved better.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

quora

E se o Brasil tivesse sido colonizado pelo Japão?

Não valia.
Os portugueses já tinha ido ao Japão, já os tinham tentado colonizar a eles e eles não deixaram. A principio ficaram curiosos e ainda lhes vendemos algumas espingardas. A ideia de matarem o vizinho sem terem que se aproximar dele pareceu-lhes moderna durante algum tempo. Mas depois aborreceram-se connosco e houve para aí uma meia dúzia de padres que passaram um mau bocado só porque se lhes meteu na cabeça a mania de não abjurar.
Seja como for, depois de os tentarmos colonizar e de nos terem destratado em tamanha desarmonia com os mandamentos da santa madre igreja, não me parece que tivessem a supina lata de meter o nariz nos nossos assuntos.
E, bem vistas as coisas, sou tentado a concluir que nem sabem a sorte que tiveram em sermos nós e não eles. Senão reparem: o japonês médio é a dar para o baixote e seco de carnes. Mas aquilo é gente que sabe temperar ferro e afia-o com arte que arrepia só de ver. E nas raras ocasiões em que decidiram fazer turismo lá na zona deles, provaram ser povo muito dado à patifaria, capaz de assanhadas selvajarias que nem em pesadelo vos passam pelas cabeça.
Para vossa sorte também são povo pouco dado ao turismo e de uma maneira geral são muito caseiros. Incapazes de se meterem num barco durante 9 meses com uma broa e um queijo por farnel.
Eles gostam é de fazer toyotas e sobretudo que ninguém os chateie.
Parece-me um povo muito sensato.
Demasiado sensato para se dar ao aborrecimento de vos colonizar.
Tenham paciência.

domingo, 9 de setembro de 2018

quora

Se o Brasil tivesse sido colonizado pela Inglaterra, ele seria um país mais rico?

Não. Creio que os ingleses teriam sido muito mais competentes que os portugueses a deixá-lo ainda mais pobre.

Mas as probabilidades de se fazerem perguntas estúpidas na língua de Shakespeare seriam francamente maiores.

quora

Quais são, além do idioma, as coisas que Brasil e Portugal têm em comum?

Muito respeitosamente, a pergunta parece-me quase absurda. Porque não há praticamente mais nada para lá da língua;  se a partilhamos temos uma forma de ser que nos é comum (cfr. Wittgenstein…). Pouco importa agora saber se isso é bom ou mau, se gostamos ou não. É assim.

sábado, 20 de maio de 2017

os nossos corruptos são melhores que os vossos

De repente graça por aqui um "diretas, já!" para os nossos compatriotas brasileiros.
Com argumentos do tipo "vai-se a ver e também vão à lata das bolachas, portanto..." que voltem “os nossos”.
De caminho esbagulham  ressentimento em relação à "delação premiada". Que é uma coisa imoral e vergonhosa, dizem. E é. Sobretudo quando serve para apanhar "os nossos". A ideia enerva-os porque temem que por aqui venha a ganhar favor e possa servir para escaqueirar a reputação dos “nossos” já que não há outra maneira de apanhar este género de delinquência em que todas as partes estão interessadas no silêncio. Ao diabo o "há fins que justificam os meios".
Depois afivelam uma expressão de pesar, a lamentar o que vai pelo Brasil.
Pois eu acho que o Brasil nunca foi tão bem. A justiça funciona, aparentemente anda cega como nos bonecos e possuí ferramentas para encarcerar vampiros.
Muito melhor que por aqui, portanto.