domingo, 4 de outubro de 2026
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
as presidenciais e o poder local
No que respeita às eleições autárquicas – a realizar em setembro de 2025 – o poder local só parece oferecer interesse jornalístico quando candidatos como a doutora sanfona são acusados de se apropriarem da agenda do “chega”.
Entretanto, na minha terra natal, os edis comprometem-se com a realização de 600 quilómetros de ciclovias. Que calham ser precisamente a coisa mais odiada pelos adeptos da modalidade. Isto não obstante várias das estradas municipais se assemelharem muito no seu estado de conservação a estradas que eu vi pelos arrabaldes de Odessa. Já em Águeda, a edilidade - eleita certamente por um dos dois, como na minha terra natal – promete reincidir no “maior pai natal do mundo”, coisa de meio milhão que mais uma vez não vai sair dos fundos do PRR. Supõe-se que já tudo estará feito. E nada mais havendo a prover, deu-se por concluída a imaginação.
Do norte às ilhas, muito poucas serão as localidades capazes de oferecer exemplos de boa gestão de dinheiros públicos. Torra-se o dinheiro dos contribuintes com a mesma leviandade com que se elaboram orçamentos para essa fonte de embaraços que é a presidência da república. Na mais imperturbável indiferença de todos.
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
helicóptero da sic
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
considerações sobre os resultados dos 5 partidos mais votados nas eleições legislativas de 2022
(textos originalmente publicados on-line em 31/01/2022)
ps
O ps conseguiu uma maioria absoluta à custa do efeito das sondagens nos eleitores. Sondagens em relação às quais reagi (24 de janeiro, 11.30h) com enorme estranheza perguntando-me como é que era possível uma diferença de 10 pontos no espaço de uma semana em que nada de politicamente superlativo acontecera. Não sou dado a teorias da conspiração, mas a viragem do discurso do doutor costa é insuficiente para me convencer de que não estava a fazer teatro e anular o meu desejo de explicações por parte das empresas que as deram à luz. E não me tranquilizam explicações do tipo “efeito moedas”. Não preciso. Tenho uma que é muito satisfatória: o cachopo que tinha ficado a fazer de presidente da câmara de Lisboa foi levado à desgraça pelo espetáculo televisivo da porteira de Arroios. Para quem não conhece as rotinas dos “militantes socialistas” aquilo deve ter sido chocante. A lembrar D. Corleone a passear-se pelo mercado, a pegar numa maçã aqui, outra ali, com beija-mão pelo meio.
psd
Como também aqui escrevi (28/11/21), o tipo das gincanas foi favorecido nos afetos dos “militantes social-democratas” pelo facto de o seu oponente ter tido a desgraça de declarar indisponibilidade para alianças com o ps. Como nenhum deles acreditava numa derrota suficientemente expressiva para afastar o ps do poder, rui rio oferecia hipóteses de os sentar à mesa, o verdadeiro significado da ”militância”. Por lá, como pelo ps. O episódio das sondagens levou-os à ilusão de que era possível. Completamente indiferentes ao facto de rui rio situar o partido e a si próprio na área ideológica do “centro-esquerda”, seja lá o que isso for. Por cálculo, evidentemente; não nos esqueçamos que é contabilista e deve ter feito as contas todas para concluir que é “aí” que se ganham eleições. Não é de “centro-esquerda” por inclinação ideológica porque pelo psd - tanto quanto pelo ps-, a ideologia não interessa para nada. Apenas precisam falar em “esquerda” e “direita” porque isso vai chegando para produzir a ilusão de que têm ideias. Feitas as continhas, sabendo o que a casa gasta no que a convicções diz respeito - e porventura animado pelas sondagens que momentaneamente evaporaram uma diferença de 10 pontos (dez!) no espaço de alguns dias-, o tipo das gincanas ficou à espera que a direita em peso cerrasse fileiras em torno da sua augusta pessoa.
Já começou a falar alemão. Não acredito que se enxergue e vai ficar à espera que o atirem borda fora.
chega!
Ventura capitalizou o ressentimento, a raiva surda que o nepotismo, a corrupção e o despudor instila em qualquer pessoa com um par de olhos e o sentimento de impotência que resulta de um clima de opinião publicada que parece completamente indiferente aos sucessivos atropelos à ideia de um estado de direito. Veja-se, a título de exemplo -e já quase em período de campanha-, a junção dos ministérios da administração interna com o ministério da justiça sob a mesma tutela. Uma solução simbolicamente acolhida com a mais olímpica indiferença... Resumindo, ao doutor ventura “a situação” ofereceu um bodo político que o fez sorrir de alegria. Mas sinto-me tentado à imprudência de especular acerca de uma digestão que tem muito para se tornar difícil: por esta altura o “chega!” já estará tão infetado de videirinhos arrivistas quanto qualquer um dos outros partidos que afronta e presenteiam com uma razão de ser; tendencialmente será menos imune à boçalidade que tão frequentemente contamina o ressentimento e a impotência; não me parece que seja um partido onde abundem pessoas qualificadas para o combate político (para além do próprio ventura e do Gabriel Mithá Ribeiro, não me ocorre mais ninguém, admito que por estar muito mal informado…); tendo elegido 12 deputados, é altamente improvável que o “chega!” tenha multiplicado as virtudes tribunícias de ventura – bastante ao contrário, ventura passa a ter que lidar com doze flancos aos olhos de gente muito animosa…; a denúncia sem programa - além de uma espécie de justicialismo peronista -, pode revelar-se insuficiente para mobilizar eleitores e garantir-lhe um futuro.
Mas nem tudo será mau: a maioria do doutor costa de volta da travessa gorda dos fundos europeus deixa antecipar todo um programa de “novas oportunidades”; os ataques de comentadores, humoristas e demais bloquistas vão continuar a favorecer e a mobilizar vigorosamente os eleitores em torno de ventura.
Mas tenho muitas dúvidas que estas coisas cheguem para superar os constrangimentos que alinhei pouco exaustivamente.
Pensando melhor, não sei se não chegará. Eu a acabar de escrever isto e pouco depois a ver isto:
domingo, 30 de janeiro de 2022
helicóptero da sic
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
helicóptero da sic
helicóptero da sic
Se alguém conhecer um jornalista “acreditado junto do primeiro-ministro em funções”, por favor, peçam-lhe que pergunte ao candidato a primeiro-ministro se essa coisa dispendiosa das eleições é mesmo necessária ao regular funcionamentodas instituições.
Obrigado.
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
helicóptero da sic
Nos Estados Unidos, ambos os candidatos à presidência declaram-se vencedores. É um espetáculo relativamente comum em algumas zonas do mundo. Que me recorde, a última vez que isso aconteceu foi na Venezuela. É sempre um espetáculo deprimente. Que por uma qualquer obscura razão, desta vez, parece merecer um interesse apaixonado por parte de um grande número dos meus compatriotas.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
de que lado estão os que procuram um cordeiro para imolar?
“A direita moderada não gostou de ver anos de lua-de-mel de Marcelo e Costa e pôs um anúncio nos classificados em busca de um cordeiro de Deus para a imolação de 2021”
E eu pergunto: É a "direita moderada" quem anda à procura de um cordeiro para imolar?
Não são Marcelo, Costa e o regime inteiro quem o procura?
É que a "direita moderada", a menos que seja completamente vesga, por esta altura já deve ter reparado num touro escuro capaz de a resgatar do pecado original de ter votado em Marcelo. (Rui Calafate dá-lhe 10%.... Assim, sem mais nem menos, redondinho?).
A “direita moderada” já deve ter compreendido que só um touro a poderá tirar do “pecado do mundo” em que se lançou ao votar em Marcelo. Para mais, sem custos de consciência, tratando-se de votar apenas nessa dispendiosa inconsequência que é a "presidência da república"...
De resto, porque espécie de danação haveria a “direita moderada” de querer imolar o cordeiro que alegadamente busca tão desajeitadamente entre os seus?
E procura precisamente um "cordeiro" para enfrentar quem? Marcelo?
Acreditam mesmo que foi a “direita moderada” que atirou para o ar o nome de Adolfo Mesquita Nunes?
Acreditam mesmo que a “direita moderada”, seja lá o que isso for, precisa ou quer sacrificar um dos seus cordeiros?
quinta-feira, 21 de maio de 2020
do regime sob a ameaça de um escrutínio
(foto: António Cotrim / Agência Lusa)
André Ventura apresenta-se como candidato antirregime.
Ana Gomes “acusa” Marcelo de ser o candidato do “regime” (uma “acusação” cómica, vinda de quem vem…).
Marcelo, fazendo de conta que Ventura e Ana Gomes não usam o termo “regime” do mesmo modo com que outrora era usado para designar o Estado Novo. Diz que sim, senhor, ele é o regime, tanto mais que jurou respeitar e defender a constituição, era o que mais faltava e tal.
O coiso que ficou a fazer de presidente da república da madeira insiste que é necessária uma candidatura de “centro-direita” que se oponha a Marcelo.
Já toda a gente sabe que todos os atores do regime, de modo mais ou menos tímido e por instinto de sobrevivência, terão que cerrar fileiras em torno do candidato que afinal os representa como nenhum outro.
Se a televisão vendia tudo – e Marcelo continua a usá-la como mais ninguém para se vender a si próprio-, com o "cogumelo do tempo" começo a suspeitar que tenha deixado de ser a melhor esquina para montar banca.
André Ventura, com alguma mercadoria contrafeita para vender, é boicotado nos centros comerciais das notícias mais finas, mas dispara nas vendas em feiras cada vez mais povoadas de gentios desencantados com produtores de notícias pinocas e realidades envernizadas pelo poder.
Marcelo já o sabe. Acho graça quando o descrevem como “imprevisível” e“espontâneo”. Tudo nele é premeditado, tal como premeditadas são todas as centenas de“selfies”que têm o seu álbum de família nas redes.
Ele sabe muito bem onde essas fotos vão parar e é por isso que vai ao supermercado; "parece um de nós", desta vez até com direito a reproduções nos meios da informação pinoca.
É já longínqua aquela infância política que o levou a vestir a pele de um taxista. Infelizmente para ele e para o regime que tão bem representa, não se pode consentir as mesmas coisas que André Ventura.
Nas próximas eleições presidenciais, para essa dispendiosa inconsequência que é a presidência, se não houver alteração significativa de oponentes, é a popularidade do regime que vai ser escrutinada.
Os atores, se não o sabem, já o sentem.
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Este texto não é mais do que a continuação deste outro.



