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sábado, 22 de novembro de 2025

um passageiro desentendimento

Na sequência de um desentendimento com o partido, o sr. isaltino morais fez um retiro forçado de um ano. Inicialmemte estava para ser de 7 anos, passou para 2 na sequência de recurso, e foi libertado ao fim de um ano. Em 2025 voltou a ser eleito com o apoio do psd no município com o valor médio de rendimento líquido mais elevado por pessoa.

Também beneficiou desta vez do estranho e súbito afecto de uma certa esquerda, alguma da qual é inclusivamente "proprietária" de programas de televisão. Ao fim do passageiro desentendimento, já beneficia de "boa imprensa".

Enfim, nem toda é boazinha.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

não estava nada à espera de uma coisa destas

É um pouco extraordinário ouvir o dr. Sérgio Sousa Pinto a tentar impor a ideia de que o psd deve privilegiar o diálogo com o ps. Será que já teve tempo para esquecer que foi exactamente isso que o dr. Rui Rio propunha ao ps? Durante todo o tempo em que o ps o expunha ao ridículo com um sorriso de bonacheira indiferença na pessoa do seu secretário geral? Ao mesmo tempo que atirava o país para os braços de uma extrema-esquerda completamente tresloucada?

Sejamos sérios. O ps não tem sítio de onde defender tal coisa. Mais: ao contrário do que sucedia com o ps - com os resultados que se conhecem -, o psd não tem que se atirar para os braços de ninguém. Negoceia à esquerda ou à direita, conforme lhe convenha.

E no fim, veja-se as voltas que a vida dá: é preciso que uma e outra, esquerda e direita se entendam para o derrubar.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

massagens do regime (II): ladrões de malas

Ontem, um programa que tem por comentadores o candidato à presidência da câmara do Porto (PS D) e a candidata à câmara de Lisboa (PS), além do dr. pacheco pereira que faz de sardanisca, encerrou uma semana dedicada a massajar a honra do dr. santos. A pretexto de alegadas malfeitorias jurídicas descritas por “averiguação preventiva ao líder do ps”.
 
De nada destas coisas entendo, apresso-me a esclarecer.
Destes assuntos só entendo o que decorre da minha observação directa de alguns factos. Observo por exemplo que os comentadores põem alguma emoção no modo como se exaltam sempre que algo menos honroso é soprado a propósito dos “meninos d’ouro”. E nessas alturas até condescendem em lembrar patifarias semelhantes dirigidas a cavalheiros do PS D. No supramencionado programa, o dr. pereira, para dar fé da sua sinceridade, chega mesmo ao extremo de jurar que faria o mesmo por alguém do Chega!. Aproveitou até para lembrar o dr. costa cujo governo - na tese do dr. pereira -, foi “derrubado por aquele parágrafo”.
O dr. pereira sabe muito bem que ninguém derrubou governo nenhum. O que “derrubou” o governo do dr. costa foi o próprio dr. costa. Ao entregar um pedido de demissão que ninguém lhe exigiu. Dizem até as más línguas - entre as quais tenho a honra de contar a minha -, que foi o pretexto por que ansiava. E que se não foi encomendado, lhe caiu do céu. Pois que vivia na aflição de ter um para ir para onde agora está.

Mas voltando ao que observo por experiência: o dr. santos até pode ser um anjo de uma candura que o eleva muito acima da terra pisada pelo dr. montenegro. Com quem alegadamente – sempre alegadamente… - o querem comparar. Mas não se livra de me deixar um bocadinho despeitado pelo facto de o IMI que pago pelo meu T1 aqui à borda de uma aldeia, ser superior em quase 40 paus em relação à casa que alegadamente lhe custou mais de meio milhão no município de Montemor-o-Novo.
Isso deixa-me realmente amofinado. É claro que isto em nada bule com o dr. santos, coitado do senhor. Ele sabe lá a como fica o IMI a um desgraçado que não vive num município governado pelos seus camaradas. Só tem que pagar o que lhe exigem. E em Montemor-o-Novo exigem-lhe 143 paus.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

a pretexto da falta de credibilidade

Não, não doutores, o telhado dos outros não vos devolve um grama disso.
50 anos da vossa credibilidade já chegam.



domingo, 21 de janeiro de 2024

o bloco central não tem cura

Apenas quando for claro para todos, por cerimónia e a pretexto da crise política que aí vem, o psd acabará a viabilizar um governo minoritário do partido socialista.
À saída da "convenção da AD", o doutor montenegro foi assaltado com aquilo que adequadamente descreveu como a "agenda" da CS - deu para perceber que uma das senhoras com a tal agenda ficou um pouco incomodada, mas o doutor montenegro insistiu. Que a agenda dele era o país, respeitava muito a dos senhores "jornalistas", mas essa não era a dele.

Tarde demais.
Não vão longe os dias em que a "agenda" da CS consistia em saber ad nauseam se o doutor montenegro estava disposto a render-se às "linhas vermelhas" - "cordão sanitário", para os mais lidos...
Na altura, o doutor montenegro acabou por claudicar a esta "agenda", coisa que lhe valeu rigorosamente nada porque continuaram a jurar que o doutor ia quebrar "as linhas vermelhas".
Lá terá pensado - não sozinho...- que seria a melhor maneira de estancar a sangria que o "Chega!" fazia no seu eleitorado.

Não estancou rigorosamente nada.
Mas se essa era realmente a intenção do doutor montenegro - a dúvida é retórica - a melhor maneira de o fazer teria sido a paciência. Se atentarmos nas sondagens, o "Chega!" tem aproximadamente metade dos votos que teria o psd sozinho. Numa eventual aliança "das direitas", não creio que o "Chega!" pudesse continuar a falar tão alto quanto o faz agora.

Voltando à "convenção da AD": o doutor Paulo Portas fez um magnífico discurso, se presumirmos que foi escrito na ignorância de sucessivas sondagens. Porque elas sugerem muito expressivamente que os eleitores já se cansaram das "curas de oposição" que ele agora propõe para o ps. Já sabem que ao fim de cinquenta anos o bloco central não tem cura. Já sabem que quase toda aquela gentinha que o aplaudiu sem o entusiasmo de antigamente e se deu ao cuidado de enfeitar a "convenção", foi lá com o único propósito de tentar ficar por "perto da chicha", para fazer uso da maravilhosa expressão de um deles.

sábado, 6 de janeiro de 2024

da seda das aranhas

Não é a ficção que imita a vida. É a vida que imita a ficção. 

Como mais uma vez se ilustra com o actual momento pré-eleitoral. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

a moção de censura até pode ser infantil

Mas na muito improvável circunstância de o doutor montenegro conseguir vencer as próximas legislativas por "poucochinho" que seja, aquilo que o "Chega" tem a fazer é abster-se aquando do sufrágio parlamentar de eventual orçamento.
Não aprenderam nada com o doutor rio...

segunda-feira, 24 de julho de 2023

linhas vermelhas para o doutor montenegro

Aquele senhor do psoe que agora não me lembra o nome declarou-se vencedor nas eleições. Não será de estranhar que o doutor costa tenha contribuído significativamente para esta forma de interpretar os resultados eleitorais: contam-se os votos que são próprios e juntam-se-lhe todos os outros obtidos por tolos e incendiários. É o sentido de estado do impostor que preside aos socialistas espanhóis. Quanto ao senhor do pp, tendo um maior número de votos, teve uma justíssima derrota. Uma derrota que em meu entender ofereceu ao senhor do psoe quando lhe propôs em direto nas televisões um acordo de regime em que os oponentes se comprometiam a deixar governar quem tivesse mais votos. E nessas circunstâncias poderia comprometer-se a dispensar o apoio sulfuroso de uns senhores que estão para lá da “linha vermelha” que os senhores do psoe lhe impõem. Evidentemente, aceitar tal acordo seria oferecer o poder a quem pudesse ganhar as eleições, hipótese que muito evidentemente o senhor que preside ao psoe não estava disponível para considerar. Por cá, o doutor rui rio também usou da uma estratégia semelhante em sucessivas tentativas de um acordo de regime com o ps. Foi constrangedor ver as sucessivas humilhações a que o doutor costa o foi sujeitando e o estado comatoso em que deixou o partido a que presidia. Dizer que ao contrário de quem herdou o esvaimento, o doutor rio pelo menos tinha um projeto – ao contrário do que agora sucede com o doutor montenegro -, não me parece grande consolo para o psd. Mas é em atenção do doutor montenegro que rabisco estas linhas. O que deve fazer para ganhar ao doutor costa: Deve em primeiro lugar estabelecer uma “linha vermelha”. Se o ps do doutor costa, os tolos, incendiários e influencers que agora fazem de jornalistas se consentem impor linhas vermelhas às suas políticas, deve o doutor montenegro impor as suas e declarar inequivocamente que em circunstancia alguma fará alianças com os impostores a que o doutor costa preside. Faz muito bem o doutor montenegro em declarar que não fará alianças com partidos racistas e xenófobos. Não tem, de resto, outro remédio – a constituição proíbe-os e portanto, não terá com quem as fazer. Feito isto, afirmará o direito de fazer ou não fazer as alianças pós ou pré-eleitorais que muito bem entender. Finalmente, tem que se dar à fadiga de ter um projeto político. Se é verdade que o doutor costa o não tem, também é verdade que isso não é uma boa desculpa para que o doutor montenegro o não tenha.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

considerações sobre os resultados dos 5 partidos mais votados nas eleições legislativas de 2022

 (textos originalmente publicados on-line em 31/01/2022)

ps

O ps conseguiu uma maioria absoluta à custa do efeito das sondagens nos eleitores. Sondagens em relação às quais reagi (24 de janeiro, 11.30h) com enorme estranheza perguntando-me como é que era possível uma diferença de 10 pontos no espaço de uma semana em que nada de politicamente  superlativo acontecera. Não sou dado a teorias da conspiração, mas a viragem do discurso do doutor costa é insuficiente para me convencer de que não estava a fazer teatro e anular o meu desejo de explicações por parte das empresas que as deram à luz. E não me tranquilizam explicações do tipo “efeito moedas”. Não preciso. Tenho uma que é muito satisfatória: o cachopo que tinha ficado a fazer de presidente da câmara de Lisboa foi levado à desgraça pelo espetáculo televisivo da porteira de Arroios. Para quem não conhece as rotinas dos “militantes socialistas” aquilo deve ter sido chocante. A lembrar D. Corleone a passear-se pelo mercado, a pegar numa maçã aqui, outra ali, com beija-mão pelo meio.

psd

Como também aqui escrevi (28/11/21), o tipo das gincanas foi favorecido nos afetos dos “militantes social-democratas” pelo facto de o seu oponente ter tido a desgraça de declarar indisponibilidade para alianças com o ps. Como nenhum deles acreditava numa derrota suficientemente expressiva para afastar o ps do poder, rui rio oferecia hipóteses de os sentar à mesa, o verdadeiro significado da ”militância”. Por lá, como pelo ps. O episódio das sondagens levou-os à ilusão de que era possível. Completamente indiferentes ao facto de rui rio situar o partido e a si próprio na área ideológica do “centro-esquerda”, seja lá o que isso for. Por cálculo, evidentemente; não nos esqueçamos que é contabilista e deve ter feito as contas todas para concluir que é “aí” que se ganham eleições. Não é de “centro-esquerda” por inclinação ideológica porque pelo psd - tanto quanto pelo ps-, a ideologia não interessa para nada. Apenas precisam falar em “esquerda” e “direita” porque isso vai chegando para produzir a ilusão de que têm ideias. Feitas as continhas, sabendo o que a casa gasta no que a convicções diz respeito - e porventura animado pelas sondagens que momentaneamente evaporaram uma diferença de 10 pontos (dez!) no espaço de alguns dias-, o tipo das gincanas ficou à espera que a direita em peso cerrasse fileiras em torno da sua augusta pessoa. 

Já começou a falar alemão. Não acredito que se enxergue e vai ficar à espera que o atirem borda fora.

chega!

Ventura capitalizou o ressentimento, a raiva surda que o nepotismo, a corrupção e o despudor instila em qualquer pessoa com um par de olhos e o sentimento de impotência que resulta de um clima de opinião publicada que parece completamente indiferente aos sucessivos atropelos à ideia de um estado de direito. Veja-se, a título de exemplo -e já quase em período de campanha-, a junção dos ministérios da administração interna com o ministério da justiça sob a mesma tutela. Uma solução simbolicamente acolhida com a mais olímpica indiferença... Resumindo, ao doutor ventura “a situação” ofereceu um bodo político que o fez sorrir de alegria. Mas sinto-me tentado à imprudência de especular acerca de uma digestão que tem muito para se tornar difícil: por esta altura o “chega!” já estará tão infetado de videirinhos arrivistas quanto qualquer um dos outros partidos que afronta e presenteiam com uma razão de ser; tendencialmente será menos imune à boçalidade que tão frequentemente contamina o ressentimento e a impotência; não me parece que seja um partido onde abundem pessoas qualificadas para o combate político (para além do próprio ventura e do Gabriel Mithá Ribeiro, não me ocorre mais ninguém, admito que por estar muito mal informado…); tendo elegido 12 deputados, é altamente improvável que o “chega!” tenha multiplicado as virtudes tribunícias de ventura – bastante ao contrário, ventura passa a ter que lidar com doze flancos aos olhos de gente muito animosa…; a denúncia sem programa - além de uma espécie de justicialismo peronista -, pode revelar-se insuficiente para mobilizar eleitores e garantir-lhe um futuro.

Mas nem tudo será mau: a maioria do doutor costa de volta da travessa gorda dos fundos europeus deixa antecipar todo um programa de “novas oportunidades”; os ataques de comentadores, humoristas e demais bloquistas vão continuar a favorecer e a mobilizar vigorosamente os eleitores em torno de ventura. 

Mas tenho muitas dúvidas que estas coisas cheguem para superar os constrangimentos que alinhei pouco exaustivamente. 

Pensando melhor, não sei se não chegará. Eu a acabar de escrever isto e pouco depois a ver isto:



iniciativa liberal

Com apenas 4 anos de vida já é o único partido ao mesmo tempo com representação parlamentar e um programa político; o pcp tem doutrina mas não tem programa político compatível com um estado democrático. 
Além dessa enorme vantagem sobre os demais partidos com representação parlamentar -e não, não o digo por causa das 600 ou 700 páginas que, de resto, não li…-, tem várias pessoas capazes de articular ideias. Cultiva a singularidade de confrontar regularmente os portugueses com factos (a que não dão a devida importância) através de infografias que vão impondo as causas da “il” no comentário e debate político (e que aqui vou reproduzindo, vez por outra). 
O curriculum profissional de Cotrim de Figueiredo por vezes faz-me lembrar a Ayn Rand. Que às vezes parece inspirá-lo e acabou os seus dias a viver da segurança social… O regresso de Guimarães Pinto a partir do parlamento vem matar algumas saudades do seu protagonismo. Não creio que a “il” venha a ter vida breve. Tem um programa político, como comecei por dizer.

cdu

Encolheu. E a vigarice que nunca foi a votos, batizada de “pev” - responsável por ter desacreditado o movimento ambientalista que havia nascido na oposição à central nuclear projetada para Ferrel e era apoiado pelos verdes alemães-, deixou de ter representação parlamentar. 
Especulando um pouco: não creio que o pcp tenha perdido votos para o ps. Se perdeu alguns (poucos…) tê-los-á perdido no Alentejo e para o “chega!”; não creio que o doutor ventura fale com desconhecimento destes assuntos. Mas o maior volume dos votos que o pcp perdeu relaciona-se com a crise das vocações religiosas e a ascensão do materialismo em dano do misticismo que a pouco e pouco vai exaurindo o número de fiéis. Não creio que essa tendência seja reversível.
p.s.: Alguns comentadores antecipam que o pcp irá usar a rua para conseguir o que não conseguiu nas urnas. Acho que se enganam. A rua já não é o que era. Entre outras razões porque não se faz uma geringonça sem consequências.

be

Se a ideia de uma maioria “socialista” a esgadanhar a travessa farta dos fundos europeus é de nos deixar em cova, a aparição apoteótica de catarina martins para anunciar a estrondosa derrota do be não deixou de ser divertida. O momento mais cómico foi quando ameaçou com a luta o partido “racista”. Pelo andar da carroça, o partido do doutor ventura vai continuar a crescer. Com inimigos destes seria uma vergonha que o não fizesse.
Muito evidentemente, depois de todo o trabalho de diabolização do “chega!”, aterrorizados com o “fascismo” anunciado pelo be, comentadores e outros humoristas, os seus eleitores naturais correram a defender-se da “direita fascista” em quem tinha maiores probabilidades de os salvar: o doutor costa. Para o bloco, a “direita fascista” começa logo no “centro-esquerda” do pobre doutor rio...
Foram as primeiras vítimas da maioria do doutor costa. Prova-se mais uma vez que é um partido com eleitorado yo-yo. Foi, mas passado o susto pode voltar.
Partido do táxi, não é improvável que tente as ruas. Sem apitos, mas com antifas, a sua tropa de choque.







domingo, 30 de janeiro de 2022

helicóptero da sic

A maioria do ps foi construída à custa da diabolização do “chega” por parte da extrema-esquerda e dos “influencers” que fazem de jornalistas nos dias que correm: a extrema-esquerda afundou-se com os seus eleitores a votarem “útil” para fugir do “fascismo”. Este é o elefante na sala que estão todos a fingir que não veem. E bem podem limpar as mãos à parede.
O gajo das gincanas lá anda. Costa por costa, o povo laranja tinha poucos motivos para ir botar voto. Se conseguir arranjar alguns empregos não o atiram já borda fora. Mas eu não contaria muito com a generosidade do “poucochinho”.
O ps está de parabéns e merece ficar. O trabalho está por concluir. A Bulgária ainda nos está a ganhar. 
Boa noite.

domingo, 28 de novembro de 2021

helicóptero da sic

A vitória do tipo das gincanas

Tirando algumas poucas honrosas exceções – que eu sei que existem e seria uma enorme falta de respeito desconsidera-las -, toda aquela gentalha com direito a  votar no líder anda por lá a tratar da vidinha. Por consequência, nada daquilo – eleições internas – tem qualquer relação com um projeto político; “direita”, “centro”,  “esquerda” são tretas para entreter calimeros.  Não se iludam, amiguinhos.  Na escolha, todos aqueles videirinhos fizeram o seguinte cálculo: o ps vai ganhar as legislativas. Tanto Rangel como Rui Rio vão perder as legislativas; “o dinheiro é do ps”. Por outro lado, ao contrário de Rio, o Rangel não oferece aliança  ao ps. De onde, em caso de aliança, ainda  é possível sentar à mesa do banquete. Mais não seja, a um canto. Com Rangel, tinham a garantia de ficarem todos ao frio.

É assim tão complicado?

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

helicóptero da sic

Aquele adolfo que ia à vida na cena da advocacia -nota bene, tem vida além das jotas-, deu de roncar furibundo que o Chicão é uma desgraça e perdeu tudo quanto havia para perder. Porque caminha para fundir a "democracia cristã" com o "PSD". Qualquer coisa assim. Isto porque o adolfo tem uma ideia para a direita: ser fofo com a irmã metralha, por exemplo. Uma direita como deve ser, portanto.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O Sérgio Sousa Pinto está a afirmar-se como o José Pacheco Pereira do PS. Mais inteligente, mais lesto, mais articulado, menos chato, mais denso e mais jovem.

Chego a ter pena que nunca chegue a jacaré.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

helicóptero da sic

Rui Rio é feio
Andam para aí a fazer notícia uns tipos aos saltinhos a dizer que o tipo das gincanas já não. Rui Rio queria um PSD mais à maneira de um PS. Sem se dar conta que nunca foi outra coisa senão simulacro de alternância. Uma alternância que capturou a democracia ao deixá-la refém da população envelhecida que ainda vota para acautelar os seus dias e do poder que lhe assegura as reformas como se não houvesse um amanhã para os esquemas de Ponzi.

Sua alteza, o presidente da república
Drama. Com o país em estado de choque, sua alteza, o presidente da república, dá detalhada conta do seu estado de saúde e anuncia que para voltar a ser presidente o povo tem de esperar o melhor do estado das suas carótidas.

domingo, 5 de maio de 2019

ciúmes

Seguramente lançados numa penosa crise de ciúmes, psd e cds decidiram disputar ao ps o favor de uma geringonça de esquerda votando favoravelmente a compra de votos por parte do be e pcp.
Os olhos do “poucachinho” reluziram. Consciente dessa imensa sorte  numa  campanha eleitoral onde arrastava em prejuízo a mobília do 44, o nº 2 até se deu à pompa  de fazer crer que punha o país acima da sua carreirinha: "mais importante do que eu perder um voto é perder a confiança que demonstramos merecer.”
Evidentemente que tudo isto lhe dá votos, muitos votos. Por eles até servia a mãezinha com um ovo a cavalo. Dados desta maneira não pode deixar de se sentir um “homem de estado”.

domingo, 2 de outubro de 2016

p. 207 (notas de leitura)

De onde se dá notícia de um calhandreiro com episódios de insanidade mental que vai a presidente da República. As páginas de Saraiva são enfadonhas porque não acrescentam nada; não era candidato à câmara nem seria candidato à liderança do PSD. Cristo desceu à terra, fez uma campanha sem dinheiro e no requinte de por ela ser pago em comícios dominicais até às vésperas do dia da eleição presidencial. Arabesco a que uma comissão de não sei quê das eleições disse nada, mais ou menos o que disseram os comparsas a concurso.

Diretor do Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa, na revisão de textos de uma secção de fait divers enfia o seguinte comentário: “Balsemão [proprietário do jornal] é lelé da cuca” (o senhor professor viria a fazer uso da expressão em relação a muitas outras pessoas). Entretanto já havia simulado o seu enforcamento no parapeito da janela da sala em que aguardava uma entrevista com o mesmo Balsemão. Outros episódios e histórias correm - e tive oportunidade de ouvir de quem se me afigura com possibilidades de as ter testemunhado - sobre o nosso querido presidente. Como a da receção a um embaixador. Em cuecas. Até podia acrescentar uma delas, relacionada com viagens e muito curiosa, que por um acaso tive a oportunidade de testemunhar. Não farei nada disso. Apenas o menciono para recomendar prudência quando, a propósito de alguém, o ouvirem pronunciar o diagnóstico de que é “lelé da cuca”.
Dá-se apenas esta coisa extraordinária de - um personagem excêntrico e idiossincrático, potencialmente divertido -, em poucos dias, ter conseguido exceder o irritante enfado que me dava volta ao estômago com o Jiló.

sábado, 1 de outubro de 2016

p. 179 (notas de leitura)

Saraiva almoçou bastantes vezes com Marques Mendes que chegava sempre atrasado. Levantava-se da cama e almoçava sem passar pelo pequeno almoço.
O “mendismo” tinha um truque para não darem pelos seus atrasos em dias de Conselho de Ministros: “… combinou com uma secretária do Conselho de Ministros que, antes da reunião começar, penduraria um casaco nas costas da cadeira onde ele se sentava -induzindo a ideia de que ele já ali tinha estado mas saíra”.
De onde se prova que os senhores conselheiros bem podem mandar o casaco e ficar a dormir. Nas “distritais” os debates não são mais acalorados:
“… [D]iz-se muito desiludido em relação ao PSD e aos partidos em geral. Os militantes não discutem ideias, só querem saber de lugares – é o resumo do que ele pensa. Dá exemplos de sessões partidárias em que procura lançar o debate político mas as únicas reações que obtém são perguntas acerca de lugares.”
De maneiras que se dedicou à escrita e garante que “escreveu mais de 50% dos discursos de Durão Barroso”.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

p. 176 (notas de leitura)

“Encontrámo-nos depois mais duas ou três vezes – e fiquei sempre com a mesma impressão: o seu principal objetivo era trepar as escadarias da política e concentrava aí todas as suas energias. Era um tático. Não o preocupava a discussão das ideias, mas o modo de subir. Faltava-lhe em densidade o que lhe sobrava em ambição.”

Viria a ser presidente do PSD, sucedendo a Marques Mendes, e presidente da Câmara de Gaia.
Foi nessa qualidade ou a esse pretexto que Luís Filipe Menezes apareceu um dia numa revisteca – Visão ou Sábado – que folheei em cima da mesa de snooker lá no café. Dessa “aparição” recordo com especial nitidez uma fotografia do carro de “presidente da câmara de Gaia”: um Audi dos gordos com ar de ser coisa blindada. Do teto pendiam monitores lcd, havia banquetazinhas para os pés e luzinhas por todo o lado. Recordo-me muito bem desses detalhes porque, precisamente por essa altura, o primeiro-ministro belga fora demitido na sequencia de um escândalo relacionado com a aquisição de um carro para seu serviço que era exatamente igual. Através do El País (que na altura lia em dias de Babelia), tive notícia de que a imprensa belga se comprazia a descrever os extras com que o carro era equipado – falavam mesmo nas tais banquetazinhas para os pés. Na sequência, a Bélgica viria a viver uma crise política que levou tempo a resolver-se e, sem governo, viria a experimentar um dos anos mais prósperos da sua história recente.
Achei estranho que ninguém tivesse reparado no carro de funções de um município que não era mais que um arrabalde - colossalmente endividado - da segunda cidade do país.
Não me recordo se na altura a imprensa portuguesa chegou ao ócio de falar em “menezismo”.
Deve ter chegado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

p. 173 (notas de leitura)

Do Pacheco, fiz notas. No livro, seguem-se-lhe 10 páginas dedicadas ao trampolineiro. Têm uma ou duas coisas que oferecem sensível diferença do “quadro clínico” que lhe havia diagnosticado há muitos anos. Calha-me refleti-las quando lavo os dentes. Também me acontece andar a pensar que Saraiva sabe e testemunhou muito mais coisas do que aquelas que dá a ler. Voltarei quando sentir que acabei.
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“Após o fim do cavaquismo*, Marcelo Rebelo de Sousa tomou conta do PSD, em março de 1996 – sucedendo a Fernando Nogueira que não aqueceu o lugar - De braço direito de Marcelo a braço direito de Barroso. Ora, um dos aspetos mais importantes desta época foi a constituição de uma ‘nova AD’ (Alternativa Democrática) – uma aliança entre PSD e CDS, liderados por Marcelo e Portas – que Leonor Beleza intermediou, com vista a disputar as eleições de 1999.
Esta intermediação de Beleza pareceu-me pouco dignificante. Grande parte da campanha contra ela quando era ministra
[da Saúde] fora feita, como disse, pel’O Independente [semanário de que Portas era diretor] – um jornal que se empenhara abertamente no derrube do cavaquismo (do qual Leonor Beleza fora uma das figuras mais destacadas. Como podia agora Beleza ser agora a promotora de um entendimento entre o líder do seu partido e o ex-diretor do jornal que a combatera com ferocidade? Como tinha estômago para isso? Mas a gota de água foi quando, depois da queda de Marcelo, anunciou o apoio a Durão Barroso – que tinha conspirado contra Marcelo! Eram cambalhotas a mais!”

Porventura em razão do seu desempenho à frente do Ministério da Saúde, em 2004 e por testamento, António Champalimaud designou Leonor Beleza como presidente da sua fundação, onde ainda hoje permanece não voltando à vida política.

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* A propósito do “cavaquismo”, valerá a pena reparar que jornalistas e comentadores políticos – porventura sempre em dificuldades para descortinar alguma caraterística distintiva de um qualquer líder político - arranjam sempre um “ismo” por cada criatura que passa pelo poder. Como se assim subsumissem e diferenciassem uma doutrina política. Desta maneira, com extraordinária ligeireza, falaram de um “cavaquismo”, de um “marcelismo”, de um “barrosismo”, de um “soarismo”, de um “guterrismo”, de um “socratismo” (juro que não estou a inventar; o corretor ortográfico só me dá erro em “barrosismo”!...), …
Com Valente de Oliveira (p. 184) haveremos de ver um excelente exemplo da verdadeira substância e natureza dos “ismos” fulanizados do regime democrático. De outra maneira, ao lerem as “fontes”, os historiadores futuros haverão de ficar confusos com o turbilhão ideológico em que parecemos afogar-nos.

(Oh, Rosas... Não baralhes os teus netos, meu sacana pançudo!)

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

a teia


















Quando alguém deu por ela a um bordo da vila, lá para os lados de Cabeçudo, já tinha para aí uns oitocentos metros quadrados, mais coisa, menos coisa. Foi quando o pobre do Matias espetou com dois balázios nas costas do filho, ia ele a sair de casa.
Veio a GNR, fita para aqui, fita para ali, a delimitar o "perímetro da ocorrência" e as ovelhas que por lá estavam, muito espantadas com tudo aquilo, sem saber se deviam ficar do lado de dentro ou do lado de fora da fita. Foi nessa altura que o agente Cebolo deu olho num borrego a enrodilhar-se naquilo. Ficou muito indignado com a dimensão, mas não passou nada para o relatório porque o borrego estava fora do perímetro e seria um despropósito muito capaz de o arrastar para escusadas chatices.
Por isso soltou o animal, limpou como pôde as botas e as mangas da camisa e ficou caladinho.
Do silêncio do agente Cebolo, a teia foi-se estendendo por sobre as copas dos pinheiros de maneira tal que embaciava a luz quando vista do chão e se confundia com nevoeiro quando vista de um subido.
Levou ainda uma eternidade que não estou em condições de especificar em rigor até que começassem a aparecer os primeiros sinais de mal-estar e o "Comarca da Sertã" viesse a fazer primeira página inflamada com a exigência de que “as autoridades” pusessem um fim naquela “pouca vergonha” e de que o “Correio da Manhã” fez eco em página mais tímida.
Pressionado, o Dr. José Farinha - presidente da câmara eleito pelo PS, que sucedeu ao Dr. José Farinha do PSD, por morte em funções deste último -, em entrevista ao “Expresso do Pinhal”, defendeu-se das acusações de inércia alegando que "os meios são manifestamente escassos e, sobretudo, há uma importante exigência de os afectar com a maior severidade possível”. 

E acrescentou:

“- Ele [o defunto Dr. José Farinha, do PSD] foi, no anterior mandato, um dos responsáveis que assumiu, imperturbado do alto da sua magistratura, os avanços da teia e a instalação da desestabilização política no concelho da Sertã com a ajuda oportunista dessa terrível catástrofe natural e do governo de então, colaborando e ajudando nessa desestabilização”.

À observação da entrevistadora de que tais motivos não remediavam o caso de já ninguém saber onde estava a estátua do Padre Manuel Antunes, soterrada numa montanha de baba, o edil limitou-se a responder com alguma exaltação que tinha conhecido pessoalmente o Padre Manuel Antunes:

“- Para mim, ele deveria ser o farol da Beira!”, concluiu ele numa magnífica metáfora acerca da actual invisibilidade do cónego.

A ser justo para com o Dr. José Farinha (o vivo), a “catástrofe” sucede na Sertã, mas não há uma única razão que nos autorize a supor que não podia acontecer ou esteja a acontecer neste preciso momento em qualquer outro lugar com rigorosamente as mesmas consequências.
Mas como a estátua do Padre Manuel Antunes afundada em baba de aranha fica mesmo em frente do tribunal de comarca da Sertã, nem vale a pena falar de justiça. Veja-se, por exemplo, o caso de Jorge Sousa, um reformado da Carris com 77 anos, que tem o carro parado na garagem desde o princípio do ano: o portão, os vidros, os fechos das portas, os pneus, tudo selado com aquela porcaria e “uma pessoa sujeita a ficar lá colada como um gafanhoto”. Deprimido, tinha calafetado portas e janelas, deixando de sair à rua até ao dia em que um repórter do CM o veio entrevistar para rabiscar uma breve encabeçada com o título “Teia gigante impede reformado de tirar Mercedes da garagem”.

Tudo o que ensaia movimento, patina prisão. Com a quadragésima sétima reforma do ensino promovida pelo novel ministro Tiago Farinha, todo o discente ou docente que se ache imobilizado em seda de aranha fica automaticamente dispensado de quaisquer actividades lectivas. No primeiro caso e em tais circunstâncias, os alunos são “sinalizados” e resgatados pelos bombeiros. Passam depois a ser individualmente acompanhados em casa na realização das suas tarefas escolares por professor tutor não atascado em seda. Como esta última disposição não é suficientemente popular entre os alunos, os gabirus enfiam nos pés uns sacos de plástico presos com elásticos e entretém-se a rasteirar os professores que ficam colados ao chão a dar às perninhas e mãozinhas como tartarugas viradas do avesso. Como na emergência de legislar não se cuidou de dispor o que fazer com estes, ao fim de poucos dias ficam vazios por dentro, secos e estaladiços por fora, de tal maneira que acabam em pó ao mínimo piparote. Daqui resultam grandes folguedos e barrigadas de riso. 
De onde não sobra diferença visível no antes e no depois da teia no que se refere ao sector do ensino.

Onde realmente se notam diferenças de bocado é na actividade económica. Do Convento de Santo António - hoje pertencente ao Município, rebaptizado “Sertã’s Convent Hotel” e gerido pela Dr.ª Idalina Farinha - não chegam boas notícias. Alojamento catita - os hóspedes têm direito a chinelos e tudo -, estaria hoje às moscas não fosse o caso de estas últimas terem sido exterminadas em todo o conselho.
A actividade florestal ficou completamente paralisada: cortados a motosserra, os pinheiros continuam onde estavam, amarrados pelas copas na teia. 
No "Pingo Doce", quando um cliente mais esfomeado arranja manhas de arrancar uma lata de atum a uma prateleira e a deixa cair ao chão, já não arruma forças para a levar às caixas.
A Câmara Municipal da Sertã, que estava a lançar uma empresa pública - a “Incubadora da Sertã” (INSER) - uma “incubadora de empresas de índole social e jovem ... ainda para mais numa região muito fustigada pelo despovoamento e afastada dos principais centros de decisão”, tal como é descrita nas palavras do seu presidente, Dr. Roberto Farinha, “...está a ver esboroarem-se todas as suas sinergias”.
Não chegou a haver alívio quando os chineses da loja ao lado do “MiniPreço”, falhos de clientela, começaram a catar teia dia e noite. Não se sabe muito bem para vender a quem ou porquê, assunto sobre o qual corriam as mais extravagantes teorias, sendo que a menos estapafúrdia de todas era a de que as teias eram prensadas com cola para madeira e posteriormente vendidas como calços de travões "biológicos"  para carros de luxo. 
Mas eram muitos quilómetros de teia para que pudesse ver-se diferença, mesmo para uma família de chineses.
No segundo “Festival de Marisco”, no já longínquo ano de 2008 e na Alameda da Carvalha, ainda havia ânimo para apresentar ao público a “maior sertã do mundo”. 
Neste lá vai, as coisas mudaram muito nas cabeças dos sertaginenses e já não sobra alento para tirar a teia da cabeça, deixando feridas na alma de quase todos.

Em entrevista à “Rádio Condestável”, o Dr. Arsénio Farinha, entomologista amador e professor de Biologia do quadro do Agrupamento de Escolas da Sertã, embora declarando não ser especialista em aracnídeos - porque os seus interesses estavam mais virados para os coleópteros - procurou tranquilizar a população garantindo que a teia não era obra de uma gigantesca aranha, mas de milhares de milhões de pequenas aranhas que nem sequer eram venenosas. 
De nada valeu.
Outro tanto tentou José Farinha, intelectual com coluna sobre nutricionismo no “Expresso do Pinhal”, professor de ioga e uma das “forças vivas da princesa da beira”. 
Apesar das maneiras um pouco afetadas e a dar para o parado, fazia insistentes apelos a uma coabitação mais serena com “a catástrofe”, com tentativas de preleção acerca da “dualidade de tudo o que existe no universo”, do dia e da noite, da biodegradabilidade e das propriedades antimicrobianas das teias.
Sucede que se vestia de uma maneira esquisita -  camisas de algodão cru sem colarinho, tererés, saquinha e alpargatas, tudo coisas com fraca reputação por aquelas bandas, de mais a mais num homem que já tinha idade para ter juízo. 
Além disso tinha a mania de se dirigir às pessoas com um “namasté” que quer dizer “olá, como estás?” em estrangeiro. 
Quando falava às outras “forças vivas” baixava a cabeça e juntava as mãos em cunha sobre o peito, a modos de quem reza em sinal de respeito. Ora isto, parecendo tudo muito bonito e não obstante a boa conta em que eram tidos os progenitores do Farinha -  parentes do Barão de Farinha -, deixava as “forças vivas” a pensar “lá está outra vez este cagão inútil armado em superior”. 
E nenhumas eram as “forças” que condescendiam em o ouvir. Limitando-se nesses casos a uma curta flexão de pescoço ao dizer “namasté”, ainda esboçou algumas desmaiadas tentativas em explicar a "dualidade de tudo" junto dos mais simples e rústicos. Mas ora se assustavam, ora cuidavam que lhes queria palmar a carteira.
Seja como for, em todos os casos o tomavam por tolo com danos de entendimento.
A companheira, peluda e de mau feitio, não o tratava com mais consideração e corriam rumores de que o fazia padecer de uma certa violência doméstica. Um dia apanhou o "expresso" e hoje vive em Coimbra onde realmente o respeitam, havendo mesmo quem jure que ainda vai a reitor e faz vida com um homem a valer que o trata bem.
Por culpa da teia e com a partida do José Farinha, a população da Sertã viu-se reduzida em 8,1%.

A única pessoa que não quis saber daquilo para nada e continuou a sua vidinha como se nada fosse foi o Simões do talho.
Continua a fazer os melhores e mais disputados maranhos em toda a Sertã.