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quinta-feira, 28 de abril de 2022

o anfitrião e o convidado



Boto aqui esta redação, um pouco fora de estação, mas para vosso benefício.

Comecemos por este último. Não interessa agora quem o apoiou e a quem obedece na sua fulgurante carreira de cómico que se transmuta em político. Porque nem sequer é muito original nessa metamorfose. E quem chegou a sentir realmente alguma curiosidade pelo assunto, já teve várias oportunidades para a satisfazer.

Vamos diretamente ao assunto que o traz convidado: a solidariedade do parlamento português para com o modo como vem lidando com a violência que a Federação Russa, à revelia do direito internacional, vem impondo ao povo ucraniano.

Não pude assistir ao encontro virtual no parlamento e não senti entretanto a menor curiosidade para confirmar o pretexto do convite, mas terá sido mais ou menos esse. Aparentemente, o momento alto da coisa terá sido a ausência dos deputados do PCP. Isto a ajuizar pelo ruído que se fez à volta dessa ausência. Uma ausência que – apresso-me a esclarecer – é inteiramente compreensível: entre os onze partidos proibidos na democracia à moda do convidado, pelo menos metade deles pertencem à família política do PCP, um partido que entre nós beneficia de todo o respeito e consideração, sobretudo quando honra as alianças com as pessoas do bem. Como se sabe. Mas nem sequer o PCP fala do ameno convívio que o convidado mantem com o Svoboda no democrático parlamento nascido da “Revolução da Dignidade”. Que depôs o democraticamente eleito Yanukovych. Como já todos percebemos, os “aliados” são sempre muito poéticos e inspirados na hora de batizar estas “revoluções democráticas”…

Mas não, não, não me dou à enorme fadiga de rabiscar isto para mencionar ninharias destas. De que ninguém quer saber, tantas que são. E não vamos falar da guerra civil que, desde 2014, as autoridades saídas da “Revolução da Dignidade” vêm impondo nas zonas do território ucraniano habitadas por populações de maioria russa. Ou de saber porque os edifícios esventrados e as vidas destruídas desde então não vêm sendo notícia ilustrada ou comentada nas televisões.

Não, não. Vamos diretamente ao assunto que levou ao vigoroso aplauso dos nossos valentes parlamentares: a solidariedade com a resistência de Zelensky e da democracia ucraniana ao invasor russo.

Pode ser? Podemos especular acerca dos méritos dessa resistência?
Bom, então com licença. Começo com uma pergunta:
Lembram-se vossas senhorias do general Vassalo e Silva?
Eu também não. Acho que nem sabia andar quando se veio a saber dele.

E só vim a saber muitos anos depois, quando começaram a falar-me da maldade do doutor Salazar, um louco tão perigoso e mau quanto o senhor Putin.
E de que modo é que as pessoas do bem serviam esse propósito ao ir buscar o general?
Assim: o doutor Salazar ordenou que o senhor general se matasse.
E que de caminho fizesse outro tanto com a pequena guarnição de 3300 homens que o doutor Salazar lhe havia orçamentado.

Em 1961, o doutor Salazar exigiu que, na defesa de Goa, Damão e Diu, estas 3301 almas - com quase mais nada, senão paus e pedras - se imolassem no confronto com o exército “invasor” de 45000 homens da União Indiana. O senhor general lá deve ter pensado no assunto. Pensou, pensou, e ao fim de 36 horas concluiu que estava vivo e ainda era cedo para estar morto. Pelo menos tanto quanto a rapaziada mais nova que estava sob o seu comando.

E cometeu o delito de desobedecer ao doutor Salazar. Confrontados com a desproporção de forças e meios, é perfeitamente normal concluirmos pela razoabilidade de uma desobediência que não oferece qualquer desonra. Por muito austera que fosse a vida em São Bento a honra era algo que o doutor Salazar poderia experimentar com menos sobressaltos.

Vossas senhorias vão já pôr-se a guinchar que isto não tem nada a ver.
Mas tem. Tem tudo a ver. Até nas palavras.

Por exemplo: a esta operação militar os portugueses chamaram “invasão de Goa”. Já os indianos preferiram referir-se-lhe por “libertação de Goa”. Fosse o que fosse, o senhor general Vassalo e Silva foi confrontado com a necessidade de tomar uma decisão militar e decidiu-se pela rendição. E creio que só um feroz salazarista poderá achar que Vassalo e Silva decidiu mal.

Já no caso do ex-pianista Zelensky, em circunstâncias absolutamente idênticas no que se refere à desproporção de forças e meios, acha-se valor na decisão de resistir ainda que com ela não pareça arriscar a vida. Ao contrário do que infelizmente sucede com milhares dos seus concidadãos.

Eventualmente duvidarão de mim quando falo nesta desproporção, habituados que já estão a ouvir os comentários do senhor Rogeiro, um homem que deve ter tido uma infância muito serena a arrumar as roupinhas do Action Man em caixas de sapatos. Apenas sugiro que oiçam militares a sério neste assunto: não sei de um único que não reconheça as desproporções que menciono e a consequente improbabilidade ou impossibilidade de uma vitória do exército ucraniano. Como já disseram muitos, Zelensky faz uma guerra por procuração.
E assim sendo vão certamente perdoar-me a bigorna da lógica: os senhores deputados são a modos que um bocadinho salazaristas quando felicitam Zelensky na honra de resistir.

E para aqui a falar em honra, quase me esquecia do augusto anfitrião. Antes de ser o que agora quis ser, pertence lembrar os muito esquecidos que o doutor silva era ministro dos assuntos parlamentares do 44 quando, em Julho de 2008, o governo português “ [considerava a] Líbia um parceiro estratégico para Portugal”. Numa atmosfera de imensas “fotocópias” e de negócios “Lino & Pino”, na bonacheira descrição de Hugo Chávez.

Na sequência dos bombardeamentos da OTAN na Líbia - em apoio de uma revolução “espontânea” e de mais um acaso – a coincidência com as cogitações que o senhor Kadafi deu de fazer acerca do petrodólar… -, em março de 2011, já na qualidade de ministro da defesa, o doutor silva fazia saber que “Portugal critica[va] o regime de Kadafi e não nega[va] participação em missão da NATO” :“o mundo deve ser 'muito claro' na condenação ao regime líbio de Muammar Kadafi”. Porventura inspirado pelos ventos que lhe eram soprados pela “primavera” tunisina.
Sem a menor dúvida, com a falta de pudor e cinismo desta criatura, foi a ocasião em que me senti mais envergonhado com a desonra da política externa do meu país … Em outubro de 2011, Kadafi seria assassinado em Sirte, à saída do esgoto em que o apanharam.

E é mais ou menos isto o que tenho a dizer sobre o tema. É tarde e já deve dar no mínimo para um suficiente menos.
Se ainda houver justiça neste mundo.

domingo, 30 de janeiro de 2022

helicóptero da sic

A maioria do ps foi construída à custa da diabolização do “chega” por parte da extrema-esquerda e dos “influencers” que fazem de jornalistas nos dias que correm: a extrema-esquerda afundou-se com os seus eleitores a votarem “útil” para fugir do “fascismo”. Este é o elefante na sala que estão todos a fingir que não veem. E bem podem limpar as mãos à parede.
O gajo das gincanas lá anda. Costa por costa, o povo laranja tinha poucos motivos para ir botar voto. Se conseguir arranjar alguns empregos não o atiram já borda fora. Mas eu não contaria muito com a generosidade do “poucochinho”.
O ps está de parabéns e merece ficar. O trabalho está por concluir. A Bulgária ainda nos está a ganhar. 
Boa noite.

domingo, 5 de setembro de 2021

de como a gelatinosa porcaria entende a unidade do estado












foto: Nuno Veiga/Lusa

A gelatinosa criatura que nos “preside” deu agora de dizer que "[a] autonomia foi uma conquista dos açorianos, tal como dos madeirenses, não foi uma condescendente benesse de ninguém."

Não foi. Foi a consequência direta do “processo revolucionário em curso” (PREC). Confrontadas com o assalto ao poder por parte do PCP, as elites locais deram origem a movimentos independentistas e foram posteriormente apaziguadas com as “autonomias” de que agora fazem modo de vida.

Os senhores jornalistas acrescentam que a mencionada porcaria lembrou que a unidade nacional "só é plena, porque os Açores e a Madeira são regiões autónomas".

Os senhores jornalistas agora tomam notas. Não fazem perguntas. E por consequência não vamos ficar a saber como é que esta extraordinária criatura  a quem os portugueses confiaram a garantia da "unidade do Estado” chega à conclusão que essa unidade  “só é plena" com as “regiões autónomas”. É que a mim parece-me uma ideia assim a dar para o manco. Para não dizer que é uma valente filhadaputice usada para mascarar o óbvio.

A miserável criatura acha que o alboroque é farelo e propõe-se oferecer os préstimos do contribuinte. Os insulares cleptocratas já reclamam partidos regionais.

Já aqui disse para que servem as autonomias.

segunda-feira, 15 de março de 2021

do "jornal" público

Parece que o "jornal" Público zangou outra vez algumas pessoas que distraidamente o lêem, porventura ainda convencidas que se trata realmente de um jornal, uma daquelas coisas que antigamente usávamos para nos informarmos e que por uma qualquer estranha constelação de fenómenos se tornaram panfletos. A mim parece-me que seria altura de os portugueses se mobilizarem no sentido de boicotarem as empresas do grupo SONAE, responsáveis pelo financiamento desta madraça que em nome de um internacionalismo marxista milita o apoucamento de tudo quanto remotamente tenha que ver com a nossa história, com a nossa memória e identidade coletiva. Deveríamos, no mínimo, exigir saber as razões porque um grupo económico que paga mínimos obscenos aos seus trabalhadores, financia tão generosamente um jornal que não é mais que um porta-voz dos órfãos de Enver Hoxha e uma extensão das “ciências” sociais de algumas “universidades” (enfim, este termo deveria ser usado com um pouco mais de exigência…). 

Como muitas outras pessoas, em tempos coloquei a hipótese de a SONAE pagar tão generosamente aquele panfleto a arremedar um jornal para comprar a “paz social” nas suas empresas. Com efeito, enquanto o concorrente Soares dos Santos era bastas vezes depreciativamente descrito como “merceeiro” (por VPV, que por lá escreveu também, por exemplo), o senhor Belmiro foi sempre “engenheiro”, vá-se lá saber porquê... Mas isto é muito pouco serviço por tanto dinheiro. Se por princípio a administração da SONAE não fosse tão avara na hora de pagar a quem a serve, essa hipótese até poderia ser válida. Não, não pode ser, a SONAE gasta muito dinheiro com aqueles “colaboradores”. A explicação tem que ser outra: os obscenamente ricos que vivem por conta do trabalho alheio são sinceramente de “esquerda”, são todos de “esquerda”. Os trabalhadores, as pessoas que vivem modestamente do seu trabalho, geralmente têm consciência de classe e são de “direita”. E não me venham com o PCP. O PCP não é um partido político. É uma igreja, a Igreja Adventista da Sétima Internacional. E como qualquer outra igreja é ultraconservadora. De “extrema-direita”, portanto. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

helicóptero da sic

 A "candidata engraçadinha" está a modos que um pouco inchada.  A lembrar uma lenhadora romena. Acho que isso não a favorece nas sondagens. Já a igreja adventista da sétima internacional desta vez arranjou também um “candidato engraçadinho”. Por causa das tosses. Agora a ver vamos. 


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

helicóptero da sic

"Ser catolica e de esquerda"

A filhota desse valente homem de esquerda que é o presidente da assembleia da república (para os menos instruídos nesta coisa das funções da segunda figura do estado esclareço que é o tipo que cospe regulamentarmente a informação de que "pode concluir, senhor deputado, o seu tempo acabou" ) explica o aparente paradoxo.

Já agora: para os menos versados em "problemas esquizofrenicos" e não sabem o valor das propinas praticadas pelo colégio S. João de Brito basta dizer que o custo é igual ao do automóvel da historieta; se pergunta quanto custa, não tem dinheiro para pagar…

Ainda assim não será liquido que de lá saiam a saber acentuar as palavras em mais cuidado que nessas peganhentas escolas publicas frequentadas pelo povo. 


domingo, 9 de agosto de 2020

helicóptero da sic


















 Marcelo escusa-se a comentar inconstitucionalidade da quarentena imposta nos Açores.

O quase silêncio com que a opinião publicada acolhe a ociosa inanidade desta criatura não pára de me espantar.

Açores e Madeira: a caminho da independência, defendeu-se hoje no Observador: "Só há uma pessoa que pode parar este processo. É Presidente da República e chama-se Marcelo Rebelo de Sousa." Ou seja: não há rigorosamente ninguém capaz de o parar. Pode-se contar com a criatura para ter opinião acerca de tudo e um par  de botas. Incêndios, chouriços, holandeses, queijos, ponchas? É só dizer. Mas já sabemos que não comenta nada que tenha a ver com a constituição da república. Agora imagine-se da disponibilidade para a defender e fazer cumprir...

Já o escrevia aqui em 2016: a porcaria insular que medra à conta das "autonomias" não tem nada de especificamente insular e não é mais do que o equivalente bastante exato das nomenclaturas continentais. Era altura de rever a constituição e, de uma vez por todas, acabar com as “autonomias”. Já não há razão para continuar a tolerar os "movimentos independentistas" de que são tumor e que nasceram como reação à tentativa de tomada do poder por parte do PCP. É preciso pôr um ponto final nesta dispendiosa extravagância que põe periodicamente em causa a nossa identidade coletiva. Se os naturais de São Miguel ou do Funchal querem independência que se faça um referendo acerca da mesma. Se ganharem em voto popular, deve-se dar-lhes a independência que reclamam. Imediatamente. Evidentemente, o referendo não poderia ser como alguns pensam: teria que ser ilha por ilha. Cada uma das ilhas dos Açores tem a sua identidade. E se querem brincar às independenciazinhas os independentistas de São Miguel, não podem determinar a independência da Terceira ou do Corvo, por exemplo. Depois, se perderem o referendo, baixam a bola e passam a ser governados por Lisboa (ou por Angra do Heroísmo, tanto se me faz...) como todos os outros portugueses. E quem não quiser que se atire ao mar. O país tem problemas que cheguem e não tem dinheiro para continuar a alimentar esta palhaçada.

 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

intelectuais de esquerda

“Riccardo Marchi … [q]uis estudar Ventura e o Chega, e desse estudo fez um livro, A Nova Direita Anti-Sistema. O Caso do Chega (Edições 70, 2020). Esse livro, entretanto, tornou-se objecto de opiniões. Nomeadamente, a opinião de 67 universitários que, em vez de o comentarem e criticarem pelas vias normais na academia, resolveram fazer um “abaixo-assinado”, publicado nos jornais, a proclamar, a pretexto de uma entrevista do autor, que não deveria haver liberdade na universidade para fazer investigações e publicar livros como os de Riccardo Marchi. Sim, sim, foi isso que proclamaram. Tenham ao menos a coragem do vosso ódio.
…
[V]ale talvez a pena lembrar quem é Riccardo Marchi. Não, não é um activista político, nem tem da academia a ideia de que deva ser activismo político, como muitos dos que se manifestaram contra ele. É um professor de Ciência Política com um CV dificilmente mais respeitável: bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, etc. Coordenou obras colectivas em que colaboraram professores de várias universidades e perspectivas. O seu tema de estudo? A “direita radical” em Portugal, antes e depois do 25 de Abril. Há quem, com o mesmo direito que Marchi, estude a “esquerda radical” e o Partido Comunista. Nunca vi manifestos contra isso, nem nunca vi ninguém preocupado em que o “estudo universitário” pudesse “branquear” ou “higienizar” o comunismo e a extrema-esquerda.
…
 Ah, mas não, ninguém quer proibir o livro. Pois não, é pior: querem proibir o autor. O objectivo do manifesto – porque senão, para quê mandar um abaixo-assinado para os jornais? – é tornar Marchi um “autor maldito”, fechar-lhe as portas, sujeitá-lo aos rigores da nova cultura de “cancelamento” e “desconvite” – em linguagem chã, “lixá-lo”. Porquê? Porque ele se atreveu a estudar em vez de se limitar a ter as opiniões da extrema-esquerda universitária. E porque é preciso dar exemplos para inibir quem por acaso pense em sair do rebanho para investigar o que não deve ou concluir o que não lhe é permitido. Sim, este é um abaixo assinado contra a liberdade de pensar que é a razão de ser de uma verdadeira universidade.”

Rui Ramos, aqui.
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No processo de apropriação por parte das nomenclaturas partidárias de todos os espaços e meios de que possam fazer uso para um modo de vida tranquilo e sem sobressaltos fala-se sempre dos partidos “do arco do poder”. Nunca se fala que outro tanto acontece em espaços aparentemente menos vistosos e apetecíveis – frequentemente, com auras de respeitabilidade – como as universidades, institutos, museus, etc.
Veja-se o corpo docente de qualquer universidade ou politécnico e facilmente se verificará que muitos deles, têm a militância no PCP (o maior número) ou no BE como nota maior dos seus currículos académicos. É, de resto, o caso da esmagadora maioria dos subscritores desta coisa.
Ainda por exemplo, veja-se o que muito recentemente aconteceu com a nomeação da dona rato para a direção de um museu* qualquer faz poucos dias…
Nestes meios, a venalidade dos partidos da “esquerda” não é diferente daquela que os das governações adotam em empresas publicas, bancos e em tudo o resto que se sabe.
Apenas parece mais respeitável.
São os “intelectuais de esquerda”.
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*- Ao ler as perguntas da entrevista citada, ia-me perguntando o que teria acontecido ao jornalista que as fazia. Estas “impertinências” – ou “discurso de ódio” como agora as batizam - não costumam ficar sem castigo…
Cliquei no link e percebi. A entrevista foi feita por um jornalista do CM, aquilo que o regime batizou de “esgoto a céu aberto”. Nunca será demais lembrar que aquilo que incomoda a esta gentalha não é a existência do esgoto moral do regime que só ali vê a luz do céu. Não. Eles apenas preferem que o esgoto corra em manilha fechada para que ninguém se incomode com o cheiro. 


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

governo, oposição e camaradas unidos

A propósito da greve que agora se repete, a 19 de abril de 2019  escrevi:

“Se pararmos dois, três dias, pomos Portugal no caos. Temos perfeita noção disso”, afirmaram os dirigentes do novo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas. E como desde o primeiro dia suspeitei, se parassem durante cinco, seis dias, derrubavam o governo. Porque seria inevitável que até os perspicazes jornalistas da Lusa começassem a perguntar-se se não havia serviços de informação, se não havia gabinetes capazes de antecipar planos para situações de crise, se a governança acontecia assim mesmo, indolente, ao sabor da espuma dos dias, sem estratégias que se vissem, sem planos, reativa, desinformada, improvisando, diletante, enfim, assustadora e perigosamente incompetente.
...

Provando que nunca tinha chegado a ser ator político - ao contrário do camarada doutor que nunca foi outra coisa -, o sindicato aceitou pôr termo à greve, subscrevendo a proposta de negociar um acordo ao longo de oito meses.
Na sua boa-fé não percebeu que nunca mais poderá voltar a dizer: “Se pararmos dois, três dias, pomos Portugal no caos.” 
Quando o tiver percebido já o governo teve tempo para fazer o que devia ter feito.

A "oposição" é que já não vai a tempo de fazer o que não fez.
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Pois bem. Entretanto o  governo teve efetivamente todo o tempo do mundo para fazer o que devia ter feito. Sempre a surpreender-me na sua prodigiosa desnecessidade, o governo não apenas fez coisa nenhuma como, na conferência de imprensa cometida por três dos membros da quadrilha, começa por dizer e sublinhar que até nem tem nada a ver com o assunto “porque se trata de uma negociação entre privados”.
Mas enfim, magnânimos, condescenderam em informar os senhores jornalistas de que tinham feito uns planos que asseguravam o abastecimento de ambulâncias, carros de bombeiros e funerários.
Ao que ouvi em noticiário, o povo acha que o governo “está a trabalhar bem”. A oposição também.
Os camaradas do camarada doutor, na sua habitual e supimpa lata, informaram a nação de que a greve dos motoristas “…é impulsionada por exercícios de protagonismo e por obscuros objectivos políticos e procura atingir mais a população que o patronato .”





domingo, 5 de maio de 2019

ciúmes

Seguramente lançados numa penosa crise de ciúmes, psd e cds decidiram disputar ao ps o favor de uma geringonça de esquerda votando favoravelmente a compra de votos por parte do be e pcp.
Os olhos do “poucachinho” reluziram. Consciente dessa imensa sorte  numa  campanha eleitoral onde arrastava em prejuízo a mobília do 44, o nº 2 até se deu à pompa  de fazer crer que punha o país acima da sua carreirinha: "mais importante do que eu perder um voto é perder a confiança que demonstramos merecer.”
Evidentemente que tudo isto lhe dá votos, muitos votos. Por eles até servia a mãezinha com um ovo a cavalo. Dados desta maneira não pode deixar de se sentir um “homem de estado”.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

excerto do manuscrito encontrado no rei das enguias

"A AOC  dizia que os gajos do PCP eram sociais-fascistas e que cada deputado eleito pela AOC era 'uma espinha na garganta do Cunhal'. O PCP, como quem não quer a coisa, lançou o rumor de que a AOC era uma organização política patrocinada pela CIA.
Foi tão gira, a nossa revolução."

domingo, 5 de março de 2017

aos camaradas

5 de março de 2017
Isso de fazerem funcionar a geringonça sem ao mesmo tempo consentirem ser peça da mesma – mais não seja com um secretáriozeco de estado para cada um –, não é assim coisa tão inteligente quanto parece. Porque ir ao "baile" e pretender continuar virgem acaba sempre com alguém a levar no pacote.
E, na hora da verdade, até o tiririca - de bracinhos no ar, a dançar o tiroliro - vos remata com um valente pontapé no olho do cú. Com muito afeto, evidentemente.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

independência para as colónias, já!






Ontem foram as eleições para o Governo da região portuguesa dos Açores.  Sei porque os noticiários andavam excitados com o assunto. Com painéis de comentadores a comentar os resultados, assunto acerca do qual não sinto a menor curiosidade. Eu e os 59,1% de açorianos que acharam ter assuntos mais importantes do que ir votar.
Mas os cerca de 40% de cidadãos eleitores chegaram e sobraram para eleger 57 mamíferos; não chegam a 250 000 os residentes nos Açores pelo que contabilizados os votos apenas dos cidadãos eleitores dá mais ou menos o número de votos correspondente aos membros das famílias de cada um deles.
Para manter todas estas famílias felizes, a república estorricou diretamente na assembleiazinha cerca de 11 milhões com um reforçozinho de cerca de dois milhões “para pagar as subvenções vitalícias dos antigos deputados.” Apesar de tudo muito menos gastadores (embora menos divertidos) que os da Madeira que sendo apenas 47 mamíferos para uma população idêntica abicharam mais de 14 milhões, sem contar com os reforçozinhos.
A estes 104 mamíferos juntam-se os 230 “cubanos do contenente”. A republiqueta elege 334 mamíferos no total.
Muitos são os meus concidadãos que, a ver vida a andar para trás, volta e meia lhes dá para comparar os 230 mamíferos do continente com o número de congéneres em países bem mais prósperos. E acham que são muitos. Outros fazem a mesma pergunta e chegam a conclusões diferentes. Por uma qualquer razão que me escapa, quer os primeiros quer os últimos, fazem sempre as contas a esquecer-se dos 104 insulares mamíferos. O que me parece uma grande falta de respeito.
A isto, que ainda é muita massa para um país falido, deve juntar-se a redundância de custos administrativos de institutos, organismos, secretarias, palácios que analisados ao detalhe deixariam qualquer alma em febre.
No mundo existe uma boa dezena e meia de cidades que sozinhas perfazem mais do total da população portuguesa. Imagine-se o que seria delas se tivessem idênticos custos administrativos.
Estou com tudo isto a sugerir que esta coisa das “autonomias” é uma valente merda com custos faraónicos e que a ninguém serve que não aos mesmos das mesmas famílias continentais?
Estou.
Politicamente não representam nada de especificamente regional, rigorosamente nada porque são rigorosamente os mesmos que medram em todo o território, mais coisa para um lado, menos coisa para o outro.
Há muito que os nossos compatriotas insulares deixaram de estar separados do continente por barcos à vela. Entretanto inventaram-se muitas coisas, dos meios de transporte às telecomunicações. E todo o dinheiro que se anda a gastar com este patético equívoco constitucional, podia muito bem ter uma distribuição mais justa em todas as ilhas e por todas as famílias.
E se os nossos compatriotas dos Açores ou da Madeira achassem em mal o acabar com o forrobodó, era referendar-se a independência; os mamíferos locais podiam usar nas suas campanhas o slogan “Independência para as colónias, já!”
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É importante acrescentar que o estatuto de "região autónoma" nas ilhas dos Açores, Madeira, Selvagens e Porto Santo resulta da tentativa de instauração em Portugal de uma República Socialista Soviética por parte do PCP (Partido Comunista Português).

Em compreensível reação ao que em Portugal continental se passava, as elites locais mobilizaram-se no sentido de darem forma a incipientes movimentos independentistas (na verdade, sem qualquer apoio ou acolhimento fora de Ponta Delgada ou Funchal…).

Para aplacar estas "insurgências", o governo central inventou as "regiões autónomas" e consagrou-as na constituição. Esta foi apenas uma das inúmeras consequências do período politicamente conturbado e desastroso que Portugal viveu entre 25 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975, dia em que finalmente foi instaurada a democracia em Portugal, o dia que deveríamos comemorar como dia da Liberdade. No período que mediou estas duas datas, tentou-se a substituição de uma ditadura por outra.

sábado, 2 de abril de 2016

sobre os votos de condenação a portugal

O texto que se segue é um comunicado apócrifo da Igreja Adventista da Sétima Internacional, uma agremiação mais vulgarmente conhecida por PCP. Só não tem aspas porque me dei à preguiça de alterar alguns locais, tempos verbais e sujeito. 


Reafirmando a defesa do direito de opinião e manifestação e dos direitos políticos, económicos e sociais em geral, a minha pessoa reafirma igualmente a importância do respeito pela soberania da República Portuguesa, do direito do seu povo a decidir – livre de pressões e ingerências externas – o seu presente e futuro, incluindo da escolha do caminho para a superação dos reais problemas de Portugal e a realização dos seus legítimos anseios.

Reiterando a defesa dos direitos e garantias dos cidadãos portugueses – e não me pronunciando sobre as motivações dos cidadãos portugueses envolvidos neste processo, nem sobre a forma como as autoridades portuguesas competentes intervieram no decurso deste –, a minha pessoa reitera a consideração de que cabia às autoridades judiciais portuguesas o tratamento deste ou de outros processos que recaíam no seu âmbito, no quadro do normal funcionamento das suas instituições e de acordo com a sua ordem jurídico-constitucional.

Não esquecendo a longa guerra de subversão e agressão externa que foi imposta ao povo português e que tantos sofrimentos e destruição causou, a minha pessoa não acompanha campanhas que, procurando envolver cidadãos portugueses em nome de uma legítima intervenção cívica e política, visavam efectivamente pôr em causa o normal funcionamento das instituições portuguesas e desestabilizar de novo a República Portuguesa. Importa realçar que os argumentos e pretextos então enunciados foram invocados para justificar a ingerência externa exercida sobre diversos países, nomeadamente no continente africano, com dramáticas consequências – de que a Angola é exemplo.

Foi neste quadro e tendo em conta estes aspectos que a minha pessoa não acompanhou os votos apresentados pela ONU assim como pela maioria dos países do mundo ocidental na sequência das decisões arbitrárias dos tribunais portugueses, que têm vindo a condenar cidadãos da Igreja Adventista da Sétima Internacional a penas de prisão pelos crimes que os Tribunais consideraram como de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores. Um processo que continuou a sua tramitação tendo em conta o mal-estar dos capitães do exército português e que veio a culminar em golpe de estado perpetrado em 25 de Abril de 1974 com a consequente libertação dos membros da supramencionada igreja. 

Recordando que a Constituição da República Portuguesa consagrava a separação dos poderes político e judicial e o respeito pela soberania e independência nacionais e que tais princípios tinham igualmente aplicação na relação de Portugal com outros povos, a rejeição do presente voto por parte da minha pessoa emana da defesa da soberania da República Portuguesa e da objecção da tentativa de retirar do foro judicial uma questão que a ele competia esclarecer e levar até ao fim no quadro do respeito pelos direitos, garantias processuais – incluindo os instrumentos legais de recurso –, normas jurídicas e princípios constitucionais da República Portuguesa. 

A Assembleia Nacional deveria contribuir para preservar e fortalecer as relações de amizade e cooperação entre o povo português e o povo angolano e entre Portugal e a colónia de Angola.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

outra coisa engraçada

Parece que o Tino teve quase tantos votos quantos os que manifestaram afecto pelo candidato apoiado pela Igreja Adventista da Sétima Internacional.
É a primeira vez que a extrema-direita com representação parlamentar não reivindica uma estrondosa vitória.