sábado, 20 de novembro de 2021

vamos continuar a fazer de conta que a compra à segurança social de um quarteirão no coração de Lisboa pelo mesmo preço de um andar na Bobadela é uma coisa normal. Está bem?

A pretexto do alegado pecado de uma senhora que alguns tontos identificam como representante das ideias de Peter Singer no parlamento português – a sério, como se toda aquela gente se mobilizasse por ideias… -, a generalidade dos camaradas que fazem a opinião publicada a que temos direito vieram agora sorrateiramente estabelecer comparações com um tipo que, vai-se a ver, e também não fez nada.

Aparentemente concertados, acharam por bem comparar a inocência dos "frutos vermelhos intensivos" da senhora deputada com o “alojamento local” de um camarada cuja desgraça lhes continua atravessada como uma espinha nas suas gargantas. Mas vamos lá ver: a senhora deputada dos "frutos vermelhos intensivos", tanto quanto sabemos da história, não ficará lá muito bem quando diaboliza a “agricultura intensiva” – seja lá o que isso for…- ao mesmo tempo que beneficia dos mesmos subsídios que a esta são atribuídos. E a contabilidade das suas empresas terá sido afetada por alguma criatividade no sentido de as tornar compatíveis com a lei. Tudo somado, umas pequenitas vigarices, inverdades ou assim. E no fundo o opróbrio a que a estarão a sujeitar será mais inspirado pela vontade que alguns sentem em esbofetear a sua cara abolachada quando a senhora deputada fala, do que pela gravidade das suas ações. Ações que só por chicana política poderão ser objeto de escrutínio, tal como em tempos aconteceu ao pobre Ricardo Robles, um vereador do bem que lutava galhardamente contra “os interesses” que promoviam o “alojamento local” -seja lá isso o que for…- ao mesmo tempo que em consórcio com a irmã – a quem posteriormente atribui todas “as culpas” - em 2018 colocava à venda por 5,7 milhões de euros um enorme prédio que teria comprado em 2014 à Segurança Social por 347 mil euros e após obras no valor de 650 mil euros. Depois de se saber que o edifício estaria originalmente destinado a ser explorado em regime de “alojamento local”. Muito a contragosto do seu partido e da opinião publicada, lá se admitiu que aquilo embora também não fosse pecado nenhum, também não era lá muito compatível com as ideias que eram defendidas pelo seu BE.
Queridos camaradas: vamos continuar a fazer de conta que a compra à segurança social de um quarteirão no coração de Lisboa pelo mesmo preço de um andar na Bobadela é uma coisa perfeitamente normal e os senhores não voltam a comparar os “frutos vermelhos” da senhora deputada com os negócios “familiares” do senhor Robles. Está bem?

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