quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

putin tem razão

 

"Putin ameaça Ocidente: "Se continuarem com atitudes agressivas, vamos responder com passos poucos amigáveis""


Putin tem razão.
Para ter mercados, a indústria de armamento precisa criar a necessidade num continente quase em paz desde a decomposição da Jugoslávia patrocinada pela OTAN. Esta necessidade alimenta-se do medo. Um medo que é industriado pela diplomacia e serviços de informação que desde a derrota americana no Vietnam instrumentalizam a “comunicação social” oferecendo-lhe “programas” que, por sua vez, são distribuídos “prontos a comer” em países satélites como o nosso por agências de notícias.

A guerra fria acabou em 1989 com a reunificação da Alemanha, a dissolução da URSS e do Pacto de Varsóvia. Desde então a OTAN é uma organização obsolescente, dado que a sua única razão de ser já não existe; a europa democrática já não é ameaçada pelo totalitarismo comunista. Ela existe porque é do interesse estratégico do seu principal patrono.

Pouco importa que Putin faça uso destas tensões em seu benefício político; é o que fazem ditadores e governantes democraticamente eleitos de todas as vezes que lhe dão pretextos para o fazer. O alargamento da OTAN aos países do extinto Pacto de Varsóvia é objetivamente uma violação da paz implicitamente instaurada pela parte que espontaneamente se declarou vencida: com Yeltsin, com a implosão da URSS e a redução do império à Federação Russa. E são provocatórias para quem vive uma “derrota” ainda hoje sentida como uma humilhação por parte da maioria dos cidadãos russos. As “ocupações” da Crimeia ou de Donetsk são descritas pela “comunicação social” com historietas que só sobrevivem na preguiça do “pronto a comer”. Quando alguém se dá à fadiga de as tentar compreender, afundam-se nos factos que tentam escamotear.

A União Europeia andaria bem em dispensar-se de colaborar neste tipo de ficções. E fazer um esforço para diligenciar soluções e políticas de defesa que dispensassem interesses que lhes são exógenos.

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