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segunda-feira, 30 de março de 2026

a parábola finlandesa

Até à “operação especial” que visava a defesa dos ucranianos de origem russa contra a guerra civil que lhes era movida pelo governo central de Victoria Nuland -, em 2022, na Ucrânia, e à consequente imposição de sanções por parte dos “aliados”, a Finlândia mantinha profundos laços económicos com a Rússia.

Essa relação assegurava-lhe estabilidade através do comércio e proporcionou-lhe a invejável prosperidade com que financiava um dos melhores sistemas de ensino e um generoso estado social. Era o seu principal mercado de exportação até 2021 e, muito importante, beneficiava de energia barata.

A partir de 2022, com a adesão à OTAN, a adopção das sanções e o corte quase total das relações económicas com a Rússia, necessitou de substituir os combustíveis russos com alternativas muito mais dispendiosas. Enfrenta hoje uma queda do PIB, uma séria recessão técnica, subida da taxa de desemprego, queda de exportações, deficit na balança corrente e inflação.

Para amortecer o impacto de todas estas coisas, assim como o aumento abrupto das despesas com defesa – uma consequência da adesão à OTAN… -, a Finlândia endividou-se e a dívida pública já supera percentualmente a nossa. Estou convencido que a economia finlandesa continuará a definhar nos anos mais próximos apesar da adopção de medidas de austeridade e rigor fiscal
Poucos se lembrarão já das humilhações a que os finlandeses nos sujeitaram durante a troika, entre 2011 e 2014. (E que levaram a que alguém se lembrasse de fazer um vídeo que vi com enorme constrangimento e vergonha, intitulado “O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal” ).

Uma memória que oferece desmaiado conforto quando, tão periféricos quanto os finlandeses, com a UE somos arrastados para os mesmos erros, alinhando com o crepúsculo de uma superpotência governada por cães danados.

Em Bruxelas ninguém dará ouvidos a Bruno Maçães e poucos o terão lido.



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

5 anos atrás

Farão agora quase uns 5 anos que numa rede social respondi assim a uma pergunta que me pareceu interessante. 

A resposta não foi popular, mas já é possível concluir que envelheceu muito bem. 

A guerra que agora ameaça levar a Europa à ruína ainda não era expectável. Mas já era possível antecipar as consequências da tentativa de adesão da Ucrânia à OTAN que Victoria Nuland e os serviços secretos da administração americana promoviam. 

Hoje, a adesão da Ucrânia à UE é algo de completamente indefensável. Para não dizer impossível no respeito pelas condições de adesão.



sábado, 16 de agosto de 2025

e eles a dar-lhe...

Desde quando é que a Europa tem voz no assunto que na Ucrânia opõe as sucessivas administrações americanas – fundamentalmente através da senhora Victoria Nuland– à Rússia?
 
Nada, absolutamente nada. O sr. Trump já o disse várias vezes, preto no branco. Para Trump a Europa não é mais que um cliente privilegiado da teoria do “expansionismo russo”, uma coisa completamente idiota que ele acha que pode render 5% do PIB dos países que a escutam.
 
A Rússia não precisa acrescentar aos problemas que já tem o “expansionismo” que lhe atribuem.
O maior problema da Federação Russa é precisamente o seu tamanho e a sua pouca gente. Como é que alguém pode ser tão burro para acreditar que a Rússia é expansionista? Como é possível que alguém seja tão burro ao ponto de acreditar que a Rússia quer invadir quem quer que seja? Como é que alguém pode acreditar que alguém na Rússia possa ser tão burro ao ponto de achar que a Rússia pode invadir um qualquer país da OTAN e ser bem sucedida? Como, pelo amor da santa? Como?

A Rússia tem uma população de 146 milhões;
O conjunto dos 32 países da OTAN tem uma população que soma mais de 961 milhões de pessoas;
O orçamento militar russo é de 149 biliões de dólares (2024). E é importante notar que isto é o orçamento militar de um país em guerra e corresponde a 35% do total dos gastos do governo;
O orçamento militar do conjunto dos 32 países da OTAN é de 1506 biliões de dólares (números de 2024, 55% do total dos gastos militares globais). Mas excluamos os 997 biliões (2024) correspondentes à contribuição dos verdadeiros proprietários da OTAN. E com que os outros 31 países não podem realmente contar, como ficou recentemente demonstrado: ainda sobram 509 biliões de dólares.
(fonte para todos os números: Gemini)

Visto o “como” -aqui da borda de uma pequena aldeia, não de Yasenevo, na sede do SVR -, vamos ao porquê. Porque é que a Rússia haveria de querer invadir países da OTAN?
 
A Rússia é o maior país do mundo em extensão territorial e é o país com os maiores recursos naturais com valor estimado em 75 triliões de dólares.
 
Ou seja, além de uma total impossibilidade militar – ponderada a magnitude da diferença dos números -, não há aquilo que na gíria policial se chama “motivo” para servir de “porquê”.

O que o conflito na Ucrânia não revela é o expansionismo russo que o amigo americano nos vem vendendo através dos seus inúmeros tartufos que pululam pelas tevês e restante comunicação social para assanhar a necessidade que realmente não temos de aviões e mísseis capazes de fazer explodir orçamentos de estado.
Aquilo que o conflito da Ucrânia revela é que a Rússia, por força da ação americana está a defender-se e a tentar recuar a sua zona-tampão ocidental de Tiráspol para Donetsk, Luhansk e Kharkiv, no limite das suas fronteiras a sudeste, a pouco mais de uma centena de km de Moscovo. De onde, estou convencido, não vai retirar. Tal qual a Crimeia que já se vai reconhecendo como território historicamente russo.
Mas isso já são contas por ver.
Agora os jumentos que nos vendem psicoses marciais – muitos deles fardados, que mentem descaradamente -, esses estão à vista de quem não tenha palas.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

maus tratos do patrão

Fica agora à vista que esse desgraçado lacaio não deve ter serventia pela porta da frente e quando for hora de lhe dar palha deve apontar-se-lhe a mesa da cozinha. Que miserável figura..

Ah, quase me esquecia: Parabéns, dr. montenegro! Deu luta, hem?




a ameaça à segurança europeia

A única ameaça à segurança da Europa vem da administração americana. E para o caso, o eventual inquilino da casa branca é completamente irrelevante em assuntos da "defesa".  Quem manda é o governo federal, totalmente refém do lobby da indústria de armamento.

E são exemplos da ameaça à segurança da Europa por parte da administração americana os bombardeamentos de Belgrado (1999), a "revolução laranja" na Ucrânia (2004) e a ameaça de anexação da Gronelândia (2025).

Isto é matéria de facto. As opiniões que fazem o clima são propaganda ou sinal de intoxicação.

terça-feira, 24 de junho de 2025

o pizzo da administração americana

A OTAN é hoje uma ferramenta da administração americana dedicada à extorsão dos países europeus a pretexto da sua defesa. E tem um equivalente bastante exacto no pizzo italiano. Quem não paga arrisca o caos que tem na forma clássica de uma “revolução colorida” o seu exemplo mais comum.
 
Era caso para sabermos se não há mesmo ninguém capaz de resistir. De dizer que não vale a pena ter a porta aberta. De sair. Evidentemente, além das “revoluções coloridas” como efeito político, há também a ameaça das “tarifas” com efeito económico. E isso é seguramente o que mais se teme.
 
Mas vai ter de acontecer um destes dias. Como muito bem disse J.D. Vance, os EU estão a contrair empréstimos junto da China para comprar coisas chinesas.
Não estou a ser literal na citação; para dramatizar o significado do que pretendia dizer, disse-o de um modo mais expressivo. Infelizmente todos se ficaram pela forma – chineses e americanos - e atiraram o significado para trás das costas.
 
Mas as costas são insuficientemente largas para esconder que os EU devem 36,2 triliões de dólares e o valor anual do serviço da dívida está estimado em 1 trilião do mesmo papel que confia em Deus. Ainda não é caso para nos perguntarmos o que vai suceder às exportações europeias para o mercado americano quando o Japão ou a China deixarem de comprar dívida americana?
 
Por quanto tempo ainda vamos fingir que ainda a estão a comprar em vez de a estarem a vender tão discretamente quanto podem?


quarta-feira, 4 de junho de 2025

a pretexto dos 3% de impostos que pagamos

O empregado holandês da adm. americana anda muito activo na venda de canhões. É natural, tem de apresentar serviço ao patrão.
O que não se compreende é que por cá, a troco de fato e gravata, haja mamíferos a exigir-nos a compra de sistemas "Patriot" a pretexto da psicose da guerra que eles mesmo alimentam nos noticiários.
Não sendo especialista em assuntos militares, tem-se vindo a confirmar o que faz muito tempo aqui escrevi acerca do assunto dos arsenais: os conflitos contemporâneos - que remanescem essencialmente do colonialismo inglês - são invariavelmente ganhos com recurso a drones.*
O conflito que a OTAN alimenta na Ucrânia através do fantoche favorito da administração americana, é apenas mais uma ilustração do que venho dizendo. E nós não deveríamos necessitar de comprar nada. A indústria nacional de drones já tem muitos clientes. Como estes, apenas um exemplo, há mais. Viana do Castelo ainda pode construir porta-drones que dêem conta de uma tão vasta ZEE quanto a nossa. Já os deviam estar a fazer e já devíamos estar a investir em drones marítimos. Falta acrescentar o que, por lapso, nunca escrevi: os gabinetes de recruta militar deveriam afadigar-se muito no recrutamento dos jovens mais destros em videojogos, tentar recrutar os campeões... 
Valerá também lembrar outra coisa que já escrevi  escusando-me argumentar por tão óbvio: as forças armadas portuguesas devem subordinar-se à Marinha. Ou, pelo menos, terem nela o seu epicentro estratégico.
Em vez disso, apesar das manchetes que inicialmente nos davam como refractários à aquisição "epidémica" dos F35 - , quase apostava que os meus suados 3% de impostos vão parar aos bolsos dos accionistas da indústria de guerra americana.
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*E repito a esse pretexto o que havia dito acerca de uma aparente excepção porque ainda agora ouvi que as estradas que servem o envio de alimentos à população em Gaza eram considerados como "zona de guerra" por parte de Israel: o que se passa na Palestina não é uma guerra: é uma terraplanagem em que se usam os meios que são comuns nas demolições e terraplanagens. Entretanto as coisas evoluíram descomplexadamente para o genocídio do povo palestiniano. Mas continua a não ser uma guerra porque até nelas há limites que muito raramente se excedem na história da humanidade.



sexta-feira, 28 de março de 2025

títulos de um gajo ficar a modos que

O que é que a doutora-professora balão quer?

Interditar a navegação à marinha russa em toda a sua costa norte????
Se acham que estou a distorcer ou a caricaturar a doutora-professora balão, façam o favor de ler o artigo:
 
“[S]ignifica que todos os restantes Estados que estão alinhados com a Rússia e com a China terão acesso à região que faz parte do nosso quadro de segurança e defesa, que vai muito além do militar”.

Portanto, a doutora balão acha que a Rússia devia interditar as águas territoriais russas aos estados com quem tem relações diplomáticas?

“Tem a ver com a defesa das nossas próprias democracias, que assenta num quadro de valores de referência que os povos europeus e os povos americanos - os Estados Unidos, mas também o Canadá - não estão dispostos a abdicar. Porque isso significaria sermos governados por totalitarismos que controlariam a nossa vida pública e a nossa vida privada”, afirmou a especialista.”

Mais uma vez, a marinha russa, na medida em que navega no Ártico que confronta com a sua costa norte, ameaça “[governar totalitariamente controlando] a nossa vida pública e a nossa vida privada”.

É mesmo isso que queria dizer, doutora balão?

“Não nos podemos esquecer que a Rússia controla cerca de metade do Ártico e que tem poderes militares muito significativos e substantivos na região. A frota de submarinos russos tem a sua base naval na Península de Kola, no Ártico, encostada ao bastião da comunidade transatlântica. E é efetivamente um ponto de muito grande tensão na região”

Não esquecemos. Mas onde é que pretendia que estivessem as bases navais russas, doutora balão? Na Costa da Caparica?

“Acresce ainda que, neste momento, todos os Estados Árticos, à exceção da Rússia, são membros da Aliança Atlântica e que, com a entrada na aliança, primeiro da Finlândia em 2023 e depois da Suécia no ano seguinte, “o nível de tensão entre a Federação Russa e a NATO subiu de tom”.

Mas a doutora balão deve saber que a Rússia também pretendeu ser parte desse brinquedo americano chamado OTAN (em português não se diz NATO, doutora…). Mas o presidente Clinton achou que não era boa ideia, o que não deve ter ajudado em nada ao "tom da tensão"…
Isto já para não mencionar o surreal das suas preocupações no momento em que o boneco do artigo que cita a doutora balão aparece ilustrado precisamente com o cavalheiro que na administração americana vem dizendo que precisa anexar a Gronelândia, território sob jurisdição de um estado membro da OTAN.
Isto é no mínimo um bocadinho esquizofrénico, não acha?
É ou não de um gajo ficar a modos que?
E quem é a doutora balão?
O povo merece saber.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

ainda acerca dos encontros de paris

Macron é uma criatura patética que gosta de usar sapatos de tacão alto e essa é a única razão porque “convocou” os “principais líderes europeus”. Alegadamente para “discutir a invasão da Ucrânia pela Rússia e reforçar a sua posição comum no âmbito do processo de paz”.
Não compreendo como é que os “principais líderes” do quer que seja aceitam ser “convocados” por um pateta para debater um assunto de que nunca foram parte. Senão para participarem nas despesas.
Porque é que não pedem ao sr. mark rutte que agende uma reunião da OTAN, só para ver se o patrão deixa?
Será que nunca vão compreender?
E aproveitando a falta de convite, em vez de ficarem amofinados, porque é que os “líderes menos importantes” não aproveitam para se rasparem de mais despesas com um assunto em que têm tudo a perder e nada a ganhar?



a otan e os gastos na defesa da europa

Um texto de Miguel Morgado publicado ontem online  desenvolve duas ideias mais ou menos recorrentes que considero fundamentalmente erradas e passo a comentar

1. A ideia de que “[a] Europa fingia que não tinha problemas de segurança que exigissem a existência de forças armadas eficazes, e muito menos a disposição cultural para defender pela força das armas a sua independência e a sua liberdade.”

Na realidade a Europa não tinha nem tem hoje verdadeiros problemas de segurança que derivem de ameaças externas. Além da dos próprios EUA. Que depois de fragmentarem a Iugoslávia centraram na Ucrânia o seu confronto imperial com a Rússia. A Rússia pós-Gorbachev, depois da dissolução do pacto de Varsóvia, é um inimigo que nos vem sendo vendido pelos EUA. A guerra por procuração que impuseram à Europa e à Rússia na fronteira desta com a Ucrânia faz parte da teoria. Nunca foi uma ameaça real senão a partir da “revolução” laranja. As tensões que no passado deram origem a tantos conflitos entre os estados europeus foram largamente mitigadas com as suas adesões à UE. E não é só a Europa que vive uma paz das nações. O mundo vive consideravelmente em paz e o que remanesce de conflitos é largamente o que deflecte das heranças do colonialismo e da doutrina imperial americana já sem mundo ou condições morais de exercício. Neste contexto, a OTAN, com evidencia de enormes sinais de cansaço, para mais não serve senão para oferecer honorabilidade diplomática a operações militares realizadas à revelia do direito internacional.
É assim perfeitamente compreensível que nunca tenhamos sentido uma grande “disposição cultural para a defender pela força das armas”.

2. A ideia de que “… ano após anos todos os Estados-membros da UE praticamente sem excepção se tornaram especialistas a vigarizar as contas exigíveis dos gastos em defesa – os famosos 2% do PIB em despesas globais com a defesa e os convenientemente esquecidos 20% dessa despesa em equipamento militar.”

A única vigarice foi a de os líderes europeus contemporizarem com a ideia de risco que ia sendo vendida aos seus eleitores sem realmente acreditarem nela. Mas há boas e poderosas razões para terem procedido assim. A partir de certa altura – com Reagan - a administração americana abandonou a ideia de que o poder militar e a hegemonia tinham custos e substituiu-a por uma outra, menos benigna e muito mais barata, em que essas coisas têm um preço que pode e deve ser facturado em nome das nações “ocupadas”. Como nos tempos de Sun Tzu. Isso acontece não porque lhes pareça razoável, mas porque deixaram de ter dinheiro para pagar a factura. Não o admitem, mas isso já não é segredo para ninguém.
Num livro editado já há mais de uma década, Brzezinski dedica uma terceira parte ao assunto da hegemonia americana. Que intitula por “The world after America: by 2025, not chinese but chaotic”. Aí pode ler-se: “Enquanto uma crise repentina e massiva do sistema americano produziria uma rápida reação em cadeia levando ao caos político e económico global, a uma deriva constante da América em direção a uma decadência cada vez mais generalizada e/ou a uma guerra infinitamente mais ampla com o Islão, dificilmente produziria, mesmo em 2025, a 'coroação' de um sucessor global eficaz. Até lá, nenhuma potência estará pronta para exercer o papel que o mundo, após a queda da União Soviética em 1991, esperava que os Estados Unidos desempenhassem. Mais provável seria uma fase prolongada de realinhamentos um tanto inconclusivos e um tanto caóticos do poder global e regional, sem grandes vencedores e muitos mais perdedores, em um cenário de incerteza internacional e até mesmo de riscos potencialmente fatais para o bem-estar global.”*
O texto procede na análise de estimativas e projecções comparadas (EU, UE, China e Japão) e é só aí que, por momentos, Brzezinski parece um pouco menos sombrio. Sucede que a China em pouco mais de 10 anos superou todas as estimativas, a única coisa em que Brzezinski não parece ter sido extraordinariamente premonitório. Porque depois continua com a enumeração dos estados geopoliticamente mais ameaçados - dos quais o Paquistão é o único que ainda vai escapando aos noticiários -, e vai até a um capítulo que designou por “Fim da boa vizinhança”. Exactamente. Referindo-se ao México e ao Canadá.

3. como gastar

Se a Europa andou bem no modo como não investiu na OTAN - fundamentalmente dedicada à defesa de interesses exógenos depois do fim da guerra fria – precisa agora de investir numa solução defensiva partilhada em exclusivo pelos estados membros da União Europeia e em função de um cenário geoestratégico em que os EUA enfrentam o seu crepúsculo enquanto superpotência. Um investimento ponderado na proporção dos riscos e exclusivamente em benefício das indústrias europeias. Com os meios de defesa a serem considerados em função do seu real valor em situações de conflito. Evidentemente, a gestão dos orçamentos militares é competência de painéis de especialistas militares. Mas algumas explicações devem ser dadas. Não se compreende, por exemplo, o que leva á compra de um modelo de avião militar por um grande número de estados europeus (também com compra mais ou menos anunciada por Portugal), que não é produzido na Europa, que é considerado mau e que tem preço de aquisição e custos operacionais considerados absurdos por especialistas respeitados. Não se compreende igualmente que se pondere ganhar as batalhas de hoje com os meios de defesa da II guerra mundial. Enfim, mais uma vez, sendo assunto para especialistas em defesa, continuo sem compreender que se invista em blindados quando até os carteis mexicanos usam drones para os destruir... E sendo tão sofisticado o armamento americano, não se percebe que tenham perdido todas as guerras em que os usam. Talvez com a excepção da invasão da ilha de Granada. No âmbito da campanha para a reeleição de R. Reagan.
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*Zbigniew Brzezinski ,“Strategic Vision – America and the crisis of global power”, Basic Books , 2012, p. 78

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

o empregado sem maneiras esteve por cá

Aquele doutor que agora é empregado do sr. trump e pouco delicadamente lamentou um dia o modo como gastávamos o pouco dinheiro que tínhamos, esteve por cá. 
Para nos dizer que devíamos gastar muito mais dinheiro a comprar pistolas e canhões.
Agora na qualidade de chefe de uma organização que, desde a queda do muro de Berlim nunca serviu para mais nada senão os interesses da administração americana e dar cobertura diplomática aos inúmeros crimes perpetrados por essa mesma administração. Designadamente na Europa, desde os bombardeamentos em Belgrado ao que agora acontece na Ucrânia.
Diz que os russos andam aí...
Foi recebido pelo dr. montenegro em muita cordialidade.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

o pai natal é mau...

E quando tudo já quase se tinha esquecido... perguntam-se se é caso para invocar o 5° artigo. Como se aquilo servisse a mais alguém além da administração americana.

Imagino que descobrir em idade avançada que um pau tem dois bicos deve ser tão traumático quanto descobrir só em idade avançada como se fazem os bebés.



sexta-feira, 12 de julho de 2024

"pode haver uma má introdução das coordenadas", disse ele agora mesmo

Há aí um doutor general que passa tanto tempo nas televisões e nas rádios - está agora mesmo na rádio observador... - a falar da Ucrânia e da OTAN que já nem sei onde vai arranjar tempo para olear as pistolas, ou lá o que agora fazem na tropa.
Se calhar está com licença sem vencimento.
Tem muito boa dicção, é muito expressivo, é um regalo ouvir o senhor general. Agora não me lembra o nome ou patente do senhor, mas só pode ser esse em que estão a pensar.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

suponhamos que os conflitos modernos ainda são resolvidos com caças e porta-aviões...

Como não sou o rogeiro - e não arrumava as roupinhas do "action-man" em caixas de sapatos como o rogeiro fazia e se calhar ainda faz...-, vejo-me compelido a declarar que não sei nada dessas coisas da guerra.
Sei contudo o que é quase impossível não saber: que o F35 é o pior avião militar alguma vez concebido, o maior flop da indústria aeronáutica e há imensas anedotas a propósito da sua "invisibilidade".
Quem duvide experimente fazer por aqui uma busca rápida com "F35". A busca até pode incidir apenas sobre as fontes mais insuspeitas e as mais especializadas. O resultado é sempre o mesmo. 
Julgo saber também que os países mais prósperos da UE estão a atravancar os seus arsenais com este flop. O anúncio do negócio doméstico é simultâneo ao da Dinamarca, por exemplo (Portugal tem estado a vender à Roménia os seus F16, com vários upgrades e ainda excelentes apesar da idade...)
As sucessivas administrações americanas têm vindo a sujeitar o povo americano aos interesses de três indústrias: a indústria alimentar, a indústria farmacêutica e a indústria do armamento. A primeira tornou-o um povo vítima de obesidade mórbida preponderante. A segunda tornou-o vítima de uma monstruosa epidemia de opiáceos. E a última de uma sucessão de massacres sem fim aparente.
Pela diplomacia e através da expansão da OTAN, que levou ao actual conflito no espaço europeu, sujeita-nos agora aos interesses desta última.
A notícia da cativação de cinco mil milhões dos nossos impostos por parte dos interesses dessa indústria americana é acolhida como facto consumado e na mais absoluta indiferença.
Será que as políticas de defesa - das quais deriva a arrojada conclusão de que "a nossa soberania do espaço aéreo" fica comprometida sem esta aquisição - é um assunto exclusivo dos militares?

sábado, 1 de outubro de 2022

erros estratégicos: a rússia e a interferência nas questões internacionais

[Mahbubani, num texto profundamente original menciona as relações com o Islão como o primeiro erro estratégico do ocidente. Não reproduzo porque não revela para o que mais me preocupa no que diz respeito ao futuro da Europa e porque entendo que este pequeno livro merece ser lido na sua totalidade]

....

"O segundo maior erro estratégico do Ocidente foi o de continuar a humilhar a já de si humilhada Rússia. A dissolução unilateral do império soviético levada a cabo por Gorbachev foi uma dádiva geopolítica para o Ocidente, em particular para os Estados Unidos. A Rússia que restou era uma pequena sombra do império soviético. Após ter vencido a Guerra Fria sem disparar uma bala, teria sido uma atitude sábia do Ocidente seguir o conselho de Churchill: «Na vitória, magnanimidade». Ao invés, fez exatamente o oposto. Contrariando as garantias implícitas dadas a Gorbachev e aos líderes soviéticos em 1990, o Ocidente expandiu a NATO até aos países anteriormente vinculados ao Pacto de Varsóvia, entre os quais a República Checa, a Hungria, a Polónia, a Bulgária, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Roménia e a Eslováquia. Tom Friedman tinha toda a razão quando afirmou: «Opus-me à expansão da NATO na direção da Rússia depois da Guerra Fria, num momento em que a Rússia atravessava o seu período mais democrático e menos ameaçador. Continua a ser uma das atitudes mais idiotas que tomámos  e, claro, abriu caminho à ascensão de Putin.» A humilhação da Rússia originou uma reviravolta inevitável. O povo russo elegeu um líder forte, Vladimir Putin, para defender os interesses nacionais com determinação.

Putin foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2012, tendo também ocupado o cargo de primeiro-ministro entre 1999 e 2000 e entre 2008 e 2012. Ainda assim, já com Putin no poder no início deste século, o Ocidente ameaçou expandir a NATO até à Ucrânia, muito embora alguns estadistas norte-americanos eminentes como Henry Kissinger e Zbigniew Brzezinski se tivessem manifestado contra. Referindo-se à Ucrânia, Kissinger disse: «Não me parece ser uma lei da natureza que todos os Estados devam ter o direito de serem aliados no âmbito da NATO.» Por seu turno, Brzezinski disse: «A Rússia deve receber garantias cabais de que a Ucrânia não se tornará membro da NATO. Estes avisos foram ignorados. Os Estados Unidos apoiaram as manifestações contra o presidente Viktor Yanukovich da Ucrânia quando o seu regime colapsou em 2014.

Putin sabia que o governo ucraniano seguinte poderia levar o país a aderir à NATO. O resultado poderia ser o de a Crimeia, que pertencera à Rússia entre 1793 e 1954, ser usada pela NATO contra a Rússia. Putin sentiu que não tinha outra hipótese senão reapropriar-se da Crimeia. Até mesmo Gorbachev o apoiou.

O episódio da Crimeia mostrou que há um limite para a humilhação que um país pode suportar. Era inevitável que o povo russo dissesse «basta!», e a eleição de Putin refletiu a vontade das pessoas. Estas desejavam um líder forte que pudesse também afrontar o Ocidente. E Putin fê-lo ao invadir a Crimeia e ao apoiar Assad na Síria. Não há santos nos jogos geopolíticos. Há apenas o «olho por olho». Se o Ocidente tivesse mostrado respeito pela Rússia em vez de a humilhar, não teria existido a ascensão de Putin. No verão de 2017, o líder russo foi aviltado pelos meios de comunicação social norte -americanos por ter interferido nas eleições dos Estados Unidos. Tal interferência representa claramente um comportamento errado. Por outro lado, nenhum líder norte-americano fez a pergunta óbvia nos debates de 2017: terão os Estados Unidos interferido nas eleições de outros países? Dov Levin, do Instituto de Política e Estratégia da Universidade Carnegie Mellon, compilou uma base de dados que prova que sim- mais de 80 vezes entre 1946 e 2000. O Ocidente também não é santo, embora corra frequentemente o perigo de acreditar nisso.

Passemos, então, ao terceiro erro do Ocidente: as imprudentes intervenções nos assuntos internos de vários países. Não é uma coincidência o facto de o final da Guerra Fria ter trazido as denominadas «revoluções coloridas». Uma lista incompleta inclui as seguintes: Jugoslávia em 2000, Revolução Buldozer; Geórgia em 2003, Revolução Rosa; Ucrânia em 2005, Revolução Laranja; Iraque em 2005, Revolução Púrpura; Quirguistão em 2005, Revolução das Túlipas; Tunísia em 2010, Revolução de Jasmim; Egito em 2011, Revolução de Lótus. Muitas destas revoluções coloridas foram geradas internamente. No entanto, quando foram postas em marcha, o Ocidente apressou-se a apoiá-las, visto que, nas cabeças dos decisores políticos ocidentais, principalmente nas dos norte-americanos, a exportação da democracia era um bem inerente. Nesse sentido, acreditaram que estavam apenas a agir segundo os padrões morais mais elevados da civilização ocidental.

São poucos os que, no Resto do Mundo, acreditam que o encorajamento à democracia no estrangeiro após a Guerra Fria representa um impulso moral. Pelo contrário, encaram esta posição como uma última tentativa fútil para prolongar, através de outros meios, o período de dois séculos de domínio ocidental da história do mundo. E também estão cientes da cínica promoção da democracia em países adversários como o Iraque e a Síria, mas não em países amigos como a Arábia Saudita. Tremendamente desastrosa tem sido a decisão de, quando a intervenção corre mal, como no caso do Iraque ou da Líbia, o Ocidente virar as costas e não assumir nenhuma responsabilidade moral pelas consequências nefastas. Uma dolorosa verdade que não pode ser negada é que esta imprudente tentativa de «exportar a democracia» tem aumentado, em vez de diminuir, o sofrimento humano em muitos países.

É por demais evidente a forma como o Ocidente perdeu o rumo nas últimas três décadas. Terá de alterar o seu trajeto. Mas antes de formular uma nova estratégia, precisa de reconhecer a mudança de mentalidade das populações não ocidentais. Um Resto do Mundo emergente não admitirá o mesmo nível de intervenção ocidental que admitiu no passado. Enquanto o Ocidente não entender isto, não compreenderá o porquê de precisar de uma nova estratégia para continuar a prosperar.

Um relevante acontecimento recente ilustra o quanto a ignorância histórica gera mal-entendidos entre ambas as partes. Quando se deram os acontecimentos do 11 de Setembro, a maioria dos norte-americanos sentiu que era vítima inocente de um ataque injustificado. Muitos observadores internacionais ponderados viram-no como uma inevitável reação contra os atropelos cometidos pelo Ocidente no mundo islâmico ao longo de vários séculos. Não foram só os muçulmanos que acreditaram nisso. Um dos maiores romancistas da América Latina, Gabriel García Márquez, perguntou aos norte-americanos: *

Como te sentes ao ver que o horror estourou no teu próprio quintal e não na sala dos teus vizinhos? (...) Sabes que, entre 1824 e 1994, o teu país levou a cabo 73 inva sões a países da América Latina? (...) Durante quase um século, o teu país tem estado em guerra com o resto do mundo. (...) Como te sentes, ianque, ao saberes que, no dia 11 de setembro, a guerra finalmente te chegou a casa?

O Ocidente terá de reconhecer que a humanidade é só uma. Sete mil milhões de pessoas vivem em camarotes separados no mesmo barco. O grande problema é que, embora tenhamos comandantes e equipas a tomarem conta de cada camarote, não temos qualquer comandante ou equipa a tratar do barco como um todo. Podemos e devemos fortalecer as instituições multilaterais da governação global, como as Nações Unidas, o FMI, o Banco Mundial e a OMS, para que estas possam enfrentar os desafios globais comuns.

Não ajuda muito o facto de os Estados Unidos serem liderados por um presidente decidido a não reconhecer que pertencemos todos a uma só tribo humana que vive junta num pequeno e frágil planeta, o único lugar habitável no universo conhecido. Se arruinarmos o único planeta de que dispomos, não teremos um plano alternativo a que recorrer. Felizmente, a disseminação da razão do Ocidente tornou o Resto do Mundo mais consciente e responsável.

Por isso, mesmo apesar de Donald Trump, o líder da sociedade com as melhores instituições educativas a nível mundial, estar atualmente a tomar decisões insensatas acerca das alterações climáticas e a desencadear uma nova corrida ao armamento nuclear, o seu tipo de ignorância acabará por ser destronado pela ampla comunidade humana bem informada, que se revoltará contra esta falaciosa maneira de pensar. O Ocidente fez um favor ao mundo ao partilhar a sua cultura e a sua razão Agora, o Resto do Mundo, depois de ter obtido o mesmo acesso às melhores fontes de informação, será capaz de instruir o Ocidente a respeito das virtudes do trabalho conjunto, no sentido de proteger e preservar o planeta Terra. No mesmo instante em que Donald Trump retirou os Estados Unidos da batalha contra as alterações climáticas, as duas nações mais populosas, a China e a Índia, chegaram-se à frente, em vez de culparem o Ocidente por este ter criado a crise climática (o que é tecnicamente verdade). E, além disso, os povos chinês e indiano estão a apoiar os seus governos, pois sabem que os seus países sofrerão se as alterações climáticas se agravarem. Não havia garantias de que a China e a Índia continuariam a ser razoáveis neste tópico depois de Donald Trump ter tornado os Estados Unidos insensatos. O facto de terem continuado a sê-lo é um claro motivo de celebração."

*A autoria desta missiva foi negada por Gabriel García Márquez em declarações ao jornal La Jornada, a 15 de Fevereiro de 2003. (N. da E.)

Kishore Mahbubani, "A Queda do Ocidente? - Uma provocação", Bertrand Editora, 2018, pp. 69-76

sexta-feira, 8 de julho de 2022

a otan e a união europeia

A 5 de maio de 2021, num fórum que subscrevo foi feita uma pergunta dirigida aos cidadãos da União Europeia: 

"Would you support the entrance of Ukraine (of course after the reforms and decreasing of corruption) into the EU/NATO, and why?"

Ao que respondi:

Yes, without any doubt as far as the EU is concerned.

In what concerns NATO, I do not agree, it is an unfair provocation to the Russian Federation. The EU should not favor any external tensions-generating policies that do not even favor its own interests.

In addition, NATO is a geopolitically outdated institution, designed to deal with the "cold war" scenario and which currently does not serve European interests. In that regard - in matters of defense and foreign policy -, EU should aim for its own solutions, disfavoring those composed of exogenous parts.

Infelizmente, nem um ano depois, a história deu-me razão no que diz respeito ao efeito das tensões alimentadas pela administração americana e pelo caniche inglês. E continuo a pensar algo que já deve ser razoavelmente obvio para um grande número de pessoas: a NATO não serve interesses europeus e a UE devia urgentemente adotar soluções próprias no que diz respeito a defesa e política externa. E evidentemente, mudei de ideias no que diz respeito à adesão da Ucrânia na UE: só muito a longo prazo poderá vir eventualmente a reunir condições para tal.

terça-feira, 21 de junho de 2022

helicóptero da sic

O pateta do Milhazes, entre outros disparates avulsos, acabou de dizer em direto que a Rússia invadiu a Geórgia. Isto é uma falsidade que se repete ad nauseam. Por muito ridículo que possa parecer, foi a Geórgia quem invadiu a Rússia e não o contrário. Acreditou que a OTAN e a UE a apoiariam nesse desígnio – dispondo-se assim a uma 3ª G.M.- e perdeu 25% do seu território.

domingo, 17 de abril de 2022

"We are now on the same moral level, we are equal, we are doing more or less like you. I regret that we lost our moral superiority."

«Durante 25 anos, pessoas como eu disseram que a expansão da OTAN levaria à guerra. Putin disse várias vezes que, se a Ucrânia se tornasse membro da OTAN, seria o fim da Ucrânia. Em Bucareste, em 2008, havia um plano de adesão rápida da Ucrânia e da Geórgia à OTAN. Foi bloqueado pelos esforços da Alemanha e da França, mas desde então a Ucrânia foi integrada na OTAN. Foi saturada com armamento, as suas tropas treinadas pela OTAN e o exército foi ficando mais forte de dia para dia. Ao mesmo tempo, foi possível verificar um rápido aumento de uma sensibilidade neo-nazi, especialmente entre os militares, a sociedade e a elite dominante. Ficou claro que a Ucrânia se havia tornado em algo muito semelhante à Alemanha por volta de 1936-1937. A guerra era inevitável, eles eram a ponta de lança da OTAN. Tomamos a decisão muito difícil de atacar primeiro, antes que a ameaça se tornasse mais mortal»

Sergey Karaganov , “conselheiro presidencial no Kremlin” em entrevista que vale a leitura no Corriere della Sera

sábado, 16 de abril de 2022

helicóptero da sic

A administração americana - que tanto já fez para sabotar as tímidas conversações em direção à paz – sabe que a propaganda já levou à perda de várias guerras. Contudo, parece ainda não ter percebido que nunca nenhuma vitória foi conseguida com ela. Quando muito, ela pode favorecer as condições para que a guerra se torne mais selvagem e moralmente mais admissível.  

Ou então percebeu e sabe.

domingo, 6 de março de 2022

henry a. kissinger e a ucrânia num texto de 2014

“For the West, the demonization of Vladimir Putin is not a policy; it is an alibi for the absence of one.

Leaders of all sides should return to examining outcomes, not compete in posturing. Here is my notion of an outcome compatible with the values and security interests of all sides:

1. Ukraine should have the right to choose freely its economic and political associations, including with Europe.

2. Ukraine should not join NATO, a position I took seven years ago, when it last came up.

3. Ukraine should be free to create any government compatible with the expressed will of its people. Wise Ukrainian leaders would then opt for a policy of reconciliation between the various parts of their country. Internationally, they should pursue a posture comparable to that of Finland. That nation leaves no doubt about its fierce independence and cooperates with the West in most fields but carefully avoids institutional hostility toward Russia.

4. It is incompatible with the rules of the existing world order for Russia to annex Crimea. But it should be possible to put Crimea’s relationship to Ukraine on a less fraught basis. To that end, Russia would recognize Ukraine’s sovereignty over Crimea. Ukraine should reinforce Crimea’s autonomy in elections held in the presence of international observers. The process would include removing any ambiguities about the status of the Black Sea Fleet at Sevastopol.

These are principles, not prescriptions. People familiar with the region will know that not all of them will be palatable to all parties. The test is not absolute satisfaction but balanced dissatisfaction. If some solution based on these or comparable elements is not achieved, the drift toward confrontation will accelerate. The time for that will come soon enough.”


Henry A. Kissinger
5 de março de 2014