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sábado, 16 de agosto de 2025

e eles a dar-lhe...

Desde quando é que a Europa tem voz no assunto que na Ucrânia opõe as sucessivas administrações americanas – fundamentalmente através da senhora Victoria Nuland– à Rússia?
 
Nada, absolutamente nada. O sr. Trump já o disse várias vezes, preto no branco. Para Trump a Europa não é mais que um cliente privilegiado da teoria do “expansionismo russo”, uma coisa completamente idiota que ele acha que pode render 5% do PIB dos países que a escutam.
 
A Rússia não precisa acrescentar aos problemas que já tem o “expansionismo” que lhe atribuem.
O maior problema da Federação Russa é precisamente o seu tamanho e a sua pouca gente. Como é que alguém pode ser tão burro para acreditar que a Rússia é expansionista? Como é possível que alguém seja tão burro ao ponto de acreditar que a Rússia quer invadir quem quer que seja? Como é que alguém pode acreditar que alguém na Rússia possa ser tão burro ao ponto de achar que a Rússia pode invadir um qualquer país da OTAN e ser bem sucedida? Como, pelo amor da santa? Como?

A Rússia tem uma população de 146 milhões;
O conjunto dos 32 países da OTAN tem uma população que soma mais de 961 milhões de pessoas;
O orçamento militar russo é de 149 biliões de dólares (2024). E é importante notar que isto é o orçamento militar de um país em guerra e corresponde a 35% do total dos gastos do governo;
O orçamento militar do conjunto dos 32 países da OTAN é de 1506 biliões de dólares (números de 2024, 55% do total dos gastos militares globais). Mas excluamos os 997 biliões (2024) correspondentes à contribuição dos verdadeiros proprietários da OTAN. E com que os outros 31 países não podem realmente contar, como ficou recentemente demonstrado: ainda sobram 509 biliões de dólares.
(fonte para todos os números: Gemini)

Visto o “como” -aqui da borda de uma pequena aldeia, não de Yasenevo, na sede do SVR -, vamos ao porquê. Porque é que a Rússia haveria de querer invadir países da OTAN?
 
A Rússia é o maior país do mundo em extensão territorial e é o país com os maiores recursos naturais com valor estimado em 75 triliões de dólares.
 
Ou seja, além de uma total impossibilidade militar – ponderada a magnitude da diferença dos números -, não há aquilo que na gíria policial se chama “motivo” para servir de “porquê”.

O que o conflito na Ucrânia não revela é o expansionismo russo que o amigo americano nos vem vendendo através dos seus inúmeros tartufos que pululam pelas tevês e restante comunicação social para assanhar a necessidade que realmente não temos de aviões e mísseis capazes de fazer explodir orçamentos de estado.
Aquilo que o conflito da Ucrânia revela é que a Rússia, por força da ação americana está a defender-se e a tentar recuar a sua zona-tampão ocidental de Tiráspol para Donetsk, Luhansk e Kharkiv, no limite das suas fronteiras a sudeste, a pouco mais de uma centena de km de Moscovo. De onde, estou convencido, não vai retirar. Tal qual a Crimeia que já se vai reconhecendo como território historicamente russo.
Mas isso já são contas por ver.
Agora os jumentos que nos vendem psicoses marciais – muitos deles fardados, que mentem descaradamente -, esses estão à vista de quem não tenha palas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

“todos têm direito às suas opiniões, mas não aos seus factos"

Venho aqui criticando a administração americana a pretexto desta guerra. Mas é assim que a designo e em nenhum momento a confundo com o povo americano ou com as suas instituições. A propósito destas últimas importa lembrar que, ao contrário do que sucede na Europa, nenhum canal de informação russa foi censurado nos Estados Unidos.
A censura a que assistimos na Europa, em total indiferença de mais ou menos todos – com o “Regulamento Europeu [EU] nº 2022/350 do Conselho Europeu de 1 de Março”, a informação que aparecia nos canais censurados (“suspensos”, como eles dizem…) e que aqui denunciei no dia 4 de Março, logo que tomei conhecimento-, é completamente impensável nos Estados Unidos.
Não surpreende, portanto, que ao contrário do que sucede entre nós, a dissensão não seja mais ou menos criminalizada como delito de opinião.

(O texto de Stephen F. Cohen que reproduzo sob estas linhas pode ser copiado e transposto para o google translator)
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“The late Senator Daniel Patrick Moynihan famously said: "Everyone is entitled to his own opinions, but not to his own facts." The US establishment's new Cold War orthodoxy rests almost entirely on fallacious opinions. Five of these fallacies are particularly important today.
Fallacy No. 1: Ever since the end of the Soviet Union in 1991, Washington has treated post-Communist Russia generously as a desired friend and partner, making every effort to help it become a democratic, prosperous member of the Western system of international security. Unwilling or unable, Russia rejected this American altruism, emphatically under Putin.
Fact: Beginning in the 1990s with the Clinton administration, every American president and Congress has treated post-Soviet Russia as a defeated nation with inferior legitimate rights at home and abroad. This triumphalist, winner-take-all approach has been spearheaded by the expansion of NATO accompanied by non-reciprocal negotiations and now missile defence -into Russia's traditional zones of national security, while excluding Moscow from Europe's security system. Early on, Ukraine and, to a lesser extent, Georgia were Washington's "great prize."
Fallacy No. 2: There exists a "Ukrainian people" who yearn to escape centuries of Russian influence and join the West. Fact: Ukraine is a country long divided by ethnic, linguistic, religious, cultural, economic, and political differences - particularly its western and eastern regions, but not only those. When the current crisis began in late 2013, Ukraine was one state, but it was not a single people or a united nation. Some of these divisions were made worse after 1991 by a corrupt elite, but most of them had developed over centuries.
Fallacy No. 3: In November 2013, the European Union, backed by Washington, offered Ukrainian President Viktor Yanukovych a benign association with European democracy and prosperity. Yanukovych was prepared to sign the agreement, but Putin bullied and bribed him into rejecting it. Thus began Kiev's Maidan protests and all that has since followed.
Fact: The EU proposal was a reckless provocation compelling the democratically elected president of a deeply divided country to choose between Russia and the West. So too was the EU's rejection of Putin's counter proposal for a Russian-European American plan to save Ukraine from financial collapse. On its own, the EU proposal was not economically feasible. Offering little financial assistance, it required the Ukrainian government to enact harsh austerity measures and would have sharply curtailed its longstanding and essential economic relations with Russia. Nor was the EU proposal entirely benign. It included protocols requiring Ukraine to adhere to Europe's "military and security" policies-which meant in effect, without mentioning the alliance, NATO. Again, it was not Putin's alleged "aggression" that initiated today's crisis but instead a kind of velvet aggression by Brussels and Washington to bring all of Ukraine into the West, including (in fine print) into NATO.
Fallacy No. 4: Today's civil war in Ukraine was caused by Putin's aggressive response to the peaceful Maidan protests against Yanukovych's decision.
Fact: In February 2014, the radicalized Maidan protests, strongly influenced by extreme nationalist and even semi-fascist street forces, turned violent. Hoping for a peaceful resolution, European foreign ministers brokered a compromise between Maidan's parliamentary representatives and Yanukovych. It would have left him as president, with less power, of a coalition reconciliation government until early elections in December. Within hours, violent street fighters aborted the agreement. Europe's leaders and Washington did not defend their own diplomatic accord. Yanukovych fled to Russia. Minority parliamentary parties representing Maidan and, predominantly, western Ukraine-among them Svoboda, an ultranationalist movement previously anathematized by the European Parliament as incompatible with European values-formed a new government. Washington and Brussels endorsed the coup and have supported the outcome ever since. Everything that followed, from Russia's annexation of Crimea and the spread of rebellion in southeastern Ukraine to the civil war and Kiev's "anti-terrorist operation," was triggered by the February coup. Putin's actions were mostly reactive.
Fallacy No. 5: The only way out of the crisis is for Putin to end his "aggression" and call off his agents in southeastern Ukraine.
Fact: The underlying causes of the crisis are Ukraine's own internal divisions, not primarily Putin's actions. The essential factor escalating the crisis has been Kiev's "anti-terrorist" military campaign against its own citizens, mainly in Luhansk and Donetsk. Putin influences and no doubt aids the Donbass "self-defenders." Considering the pressure on him in Moscow, he is likely to continue to do so, perhaps even more directly, but he does not fully control them. If Kiev's assault ends, Putin probably can compel the rebels to negotiate. But only the Obama administration can compel Kiev to stop, and it has not done so.
In short, twenty years of US policy have led to this fateful American-Russian confrontation. Putin may have contributed to it along the way, but his role during his fourteen years in power has been almost entirely reactive - a complaint frequently directed against him by more hardline forces in Moscow.
***
In politics as in history, there are always alternatives. The Ukrainian crisis could have at least three different outcomes. The civil war escalates and widens, drawing in Russian and possibly NATO military forces. This would be the worst outcome: a kind of latter-day Cuban Missile Crisis. In the second outcome, today's de facto partitioning of Ukraine becomes institutionalized in the form of two Ukrainian states-one allied with the West, the other with Russia. This would not be the best outcome, but neither would it be the worst.
The best outcome would be the preservation of a united Ukraine. It will require good-faith negotiations between representatives of all of Ukraine's regions, including leaders of the rebellious southeast, probably under the auspices of Washington, Moscow, the European Union, and eventually the UN. Putin and his foreign minister, Sergei Lavrov, have proposed this for months. Ukraine's tragedy continues to grow. Thousands of innocent people have already been killed or wounded.”


Stephen F. Cohen, “War with Russia: From Putin & Ukraine to Trump & Russiagate”, Hot Books, 2019, pp. 31-34


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

a leste nada de novo e a ocidente lixa-se o mexilhão que fica entre o mar e a rocha

 

Nordstream II 

O que Olaf Scholz declarou hoje - que "recusava" um certificado qualquer -, seja o que for, ou é nada ou será revertido logo que as coisas arrefeçam um pouco. Outra coisa qualquer seria haraquíri político. 

Reconhecimento da “República” de Donetzk (DNR) e da “República” de  Luhansk (LNR) por parte do Conselho de Segurança da Federação Russa

É um “agarrem-me senão mato-o” muito equivalente ao de Scholz. Por uma bravata, Putin troca a autoridade moral que tinha sobre o ocidente no que se refere ao respeito pelo direito internacional. Não obstante as aldrabices que agora se vão dizendo, a Federação Russa nunca reconheceu a Transnístria a Ossétia do Sul, Nagorno-Karabakh  ou a Abecásia. Ao contrário dos “aliados” que agora enchem a boca com o “direito internacional”, mas reconheceram “autodeterminações” ao sabor das suas conveniências e à revelia desse mesmo direito. Como a “República” Chipre do Norte ou a “República” do Kosovo – esta última formalmente reconhecida pelo senhor Luís Amado, camarada de partido do senhor Augusto, banqueiro, chairman da EDP e coisas assim. A nossa vizinha Espanha não reconheceu. Não quer nada com isso de “independentistas”… Isto para nos ficarmos apenas por exemplos que  ficam aqui por perto.