sábado, 1 de outubro de 2022

helicóptero da sic

 O texto de Miguel Sousa Tavares que aqui partilho resume algumas das principais mentiras - obvias mentiras – com que os órgãos de desinformação têm vindo a intoxicar a opinião pública. Nem todas foram resumidas porque todos os dias são inventadas e difundidas novas mentiras. Uma das mais recentes e grotescas consiste na acusação de a Rússia haver rebentado os gasodutos que lhe pertencem...

Mas MST resume algumas das mais notáveis mentiras que se propagam em unanimismo concertado por toda a “comunicação social”.

Porém, não concordo com MST quando classifica os referendos de “ridículos”. Foram livres, disso não tenho a menor dúvida, já que se tivessem sido outra coisa teria havido abundantes notícias de fraude. Ora, acerca desse assunto - desconsiderada a não ilustrada acusação de que a polícia/ militares (?) teria obrigado a população a ir votar (…) -, não me recordo de qualquer imputação de fraude em relação aos resultados.

E os referendos não são ridículos porque se justificam. Só não é obvio para todos porque a “comunicação social” se tem dedicado a escamotear um razoável conjunto de factos que permitiriam compreender a sua utilidade. Por exemplo, desde 2014 que a ”comunicação social” insiste em silenciar a verdadeira natureza da guerra civil que opõe ações militares de governos fantoches patrocinados pela administração americana em territórios de maioria russa. Quem honestamente desejar compreender a guerra civil que precede em vários anos a invasão russa pode dedicar alguns minutos a analisar os gráficos que são anexos em cada um dos links que podem ser vistos aqui.

Esses gráficos, de junto com um par de neurónios, explicam mais do que horas a ouvir os tó jó’s com voz cativa nos vários canais noticiosos. Simplificando muito, se se quiser, o que hoje se passa na Ucrânia em muitos aspetos assemelha-se ao que na década de sessenta se passou no Chipre: os cipriotas gregos violentaram, assassinaram e expropriaram os cipriotas turcos que, em consequência, se foram acantonando ao norte da ilha. Na sucessão destes eventos, a Turquia, que se havia comprometido por tratado a defender a minoria cipriota turca, invadiu o norte da ilha e instituiu um estado fantoche, hoje conhecido por República Turca de Chipre do Norte. Embora com muitas dissemelhanças, no essencial é quase o que agora se passa hoje na Ucrânia e nas regiões de maioria russa anexadas na sequência dos referendos. A maior diferença está exatamente no facto de Zelensky sujeitar os ucranianos a serem instrumento de uma estratégia e motivações a que os europeus não podiam ser mais alheios.

Os resultados dos referendos exprimem efetivamente a vontade das populações e, por consequência, não podem ser descritos como “ridículos”. Deixemos esses adjetivos para os órgãos de intoxicação coletiva. E se são “legais” ou não, fará aqui tanta diferença como saber se as inúmeras “ilegalidades” perpetradas pelas várias administrações americanas são mais ou menos contemporâneas dos referendos em causa: a lei é sempre a do mais forte e não releva muito saber se gostamos de que a coisas sejam exatamente assim.

MST tem razão quando lembra que as hipóteses com que os europeus - e os ucranianos em particular – são confrontados são apenas aquelas que respondem a interesses que são completamente alheios a uns e outros. São escaramuças de um naufrago que esbraceja por uma hegemonia que sabe ter chegado ao fim.

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