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sexta-feira, 28 de julho de 2023

benfica 0 zelensky 10

Quando um mamífero chamado zelensky tem mais tempo de antena nos noticiários do que as populares considerações acerca da zona púbica de um novo reforço do benfica, algo vai podre pelo reino da Dinamarca.
, algo vai podre pelo reino da Dinamarca.

sábado, 1 de outubro de 2022

helicóptero da sic

 O texto de Miguel Sousa Tavares que aqui partilho resume algumas das principais mentiras - obvias mentiras – com que os órgãos de desinformação têm vindo a intoxicar a opinião pública. Nem todas foram resumidas porque todos os dias são inventadas e difundidas novas mentiras. Uma das mais recentes e grotescas consiste na acusação de a Rússia haver rebentado os gasodutos que lhe pertencem...

Mas MST resume algumas das mais notáveis mentiras que se propagam em unanimismo concertado por toda a “comunicação social”.

Porém, não concordo com MST quando classifica os referendos de “ridículos”. Foram livres, disso não tenho a menor dúvida, já que se tivessem sido outra coisa teria havido abundantes notícias de fraude. Ora, acerca desse assunto - desconsiderada a não ilustrada acusação de que a polícia/ militares (?) teria obrigado a população a ir votar (…) -, não me recordo de qualquer imputação de fraude em relação aos resultados.

E os referendos não são ridículos porque se justificam. Só não é obvio para todos porque a “comunicação social” se tem dedicado a escamotear um razoável conjunto de factos que permitiriam compreender a sua utilidade. Por exemplo, desde 2014 que a ”comunicação social” insiste em silenciar a verdadeira natureza da guerra civil que opõe ações militares de governos fantoches patrocinados pela administração americana em territórios de maioria russa. Quem honestamente desejar compreender a guerra civil que precede em vários anos a invasão russa pode dedicar alguns minutos a analisar os gráficos que são anexos em cada um dos links que podem ser vistos aqui.

Esses gráficos, de junto com um par de neurónios, explicam mais do que horas a ouvir os tó jó’s com voz cativa nos vários canais noticiosos. Simplificando muito, se se quiser, o que hoje se passa na Ucrânia em muitos aspetos assemelha-se ao que na década de sessenta se passou no Chipre: os cipriotas gregos violentaram, assassinaram e expropriaram os cipriotas turcos que, em consequência, se foram acantonando ao norte da ilha. Na sucessão destes eventos, a Turquia, que se havia comprometido por tratado a defender a minoria cipriota turca, invadiu o norte da ilha e instituiu um estado fantoche, hoje conhecido por República Turca de Chipre do Norte. Embora com muitas dissemelhanças, no essencial é quase o que agora se passa hoje na Ucrânia e nas regiões de maioria russa anexadas na sequência dos referendos. A maior diferença está exatamente no facto de Zelensky sujeitar os ucranianos a serem instrumento de uma estratégia e motivações a que os europeus não podiam ser mais alheios.

Os resultados dos referendos exprimem efetivamente a vontade das populações e, por consequência, não podem ser descritos como “ridículos”. Deixemos esses adjetivos para os órgãos de intoxicação coletiva. E se são “legais” ou não, fará aqui tanta diferença como saber se as inúmeras “ilegalidades” perpetradas pelas várias administrações americanas são mais ou menos contemporâneas dos referendos em causa: a lei é sempre a do mais forte e não releva muito saber se gostamos de que a coisas sejam exatamente assim.

MST tem razão quando lembra que as hipóteses com que os europeus - e os ucranianos em particular – são confrontados são apenas aquelas que respondem a interesses que são completamente alheios a uns e outros. São escaramuças de um naufrago que esbraceja por uma hegemonia que sabe ter chegado ao fim.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

helicóptero da sic

Lembrando o dia em que - depois de conversações entre a Ucrânia e a Rússia, mediadas pela Turquia,  quase se conseguiu um cessar fogo e o fim da guerra – e a administração Biden manda o seu caniche inglês informar Zelensky que a guerra era para continuar.



quinta-feira, 28 de abril de 2022

o anfitrião e o convidado



Boto aqui esta redação, um pouco fora de estação, mas para vosso benefício.

Comecemos por este último. Não interessa agora quem o apoiou e a quem obedece na sua fulgurante carreira de cómico que se transmuta em político. Porque nem sequer é muito original nessa metamorfose. E quem chegou a sentir realmente alguma curiosidade pelo assunto, já teve várias oportunidades para a satisfazer.

Vamos diretamente ao assunto que o traz convidado: a solidariedade do parlamento português para com o modo como vem lidando com a violência que a Federação Russa, à revelia do direito internacional, vem impondo ao povo ucraniano.

Não pude assistir ao encontro virtual no parlamento e não senti entretanto a menor curiosidade para confirmar o pretexto do convite, mas terá sido mais ou menos esse. Aparentemente, o momento alto da coisa terá sido a ausência dos deputados do PCP. Isto a ajuizar pelo ruído que se fez à volta dessa ausência. Uma ausência que – apresso-me a esclarecer – é inteiramente compreensível: entre os onze partidos proibidos na democracia à moda do convidado, pelo menos metade deles pertencem à família política do PCP, um partido que entre nós beneficia de todo o respeito e consideração, sobretudo quando honra as alianças com as pessoas do bem. Como se sabe. Mas nem sequer o PCP fala do ameno convívio que o convidado mantem com o Svoboda no democrático parlamento nascido da “Revolução da Dignidade”. Que depôs o democraticamente eleito Yanukovych. Como já todos percebemos, os “aliados” são sempre muito poéticos e inspirados na hora de batizar estas “revoluções democráticas”…

Mas não, não, não me dou à enorme fadiga de rabiscar isto para mencionar ninharias destas. De que ninguém quer saber, tantas que são. E não vamos falar da guerra civil que, desde 2014, as autoridades saídas da “Revolução da Dignidade” vêm impondo nas zonas do território ucraniano habitadas por populações de maioria russa. Ou de saber porque os edifícios esventrados e as vidas destruídas desde então não vêm sendo notícia ilustrada ou comentada nas televisões.

Não, não. Vamos diretamente ao assunto que levou ao vigoroso aplauso dos nossos valentes parlamentares: a solidariedade com a resistência de Zelensky e da democracia ucraniana ao invasor russo.

Pode ser? Podemos especular acerca dos méritos dessa resistência?
Bom, então com licença. Começo com uma pergunta:
Lembram-se vossas senhorias do general Vassalo e Silva?
Eu também não. Acho que nem sabia andar quando se veio a saber dele.

E só vim a saber muitos anos depois, quando começaram a falar-me da maldade do doutor Salazar, um louco tão perigoso e mau quanto o senhor Putin.
E de que modo é que as pessoas do bem serviam esse propósito ao ir buscar o general?
Assim: o doutor Salazar ordenou que o senhor general se matasse.
E que de caminho fizesse outro tanto com a pequena guarnição de 3300 homens que o doutor Salazar lhe havia orçamentado.

Em 1961, o doutor Salazar exigiu que, na defesa de Goa, Damão e Diu, estas 3301 almas - com quase mais nada, senão paus e pedras - se imolassem no confronto com o exército “invasor” de 45000 homens da União Indiana. O senhor general lá deve ter pensado no assunto. Pensou, pensou, e ao fim de 36 horas concluiu que estava vivo e ainda era cedo para estar morto. Pelo menos tanto quanto a rapaziada mais nova que estava sob o seu comando.

E cometeu o delito de desobedecer ao doutor Salazar. Confrontados com a desproporção de forças e meios, é perfeitamente normal concluirmos pela razoabilidade de uma desobediência que não oferece qualquer desonra. Por muito austera que fosse a vida em São Bento a honra era algo que o doutor Salazar poderia experimentar com menos sobressaltos.

Vossas senhorias vão já pôr-se a guinchar que isto não tem nada a ver.
Mas tem. Tem tudo a ver. Até nas palavras.

Por exemplo: a esta operação militar os portugueses chamaram “invasão de Goa”. Já os indianos preferiram referir-se-lhe por “libertação de Goa”. Fosse o que fosse, o senhor general Vassalo e Silva foi confrontado com a necessidade de tomar uma decisão militar e decidiu-se pela rendição. E creio que só um feroz salazarista poderá achar que Vassalo e Silva decidiu mal.

Já no caso do ex-pianista Zelensky, em circunstâncias absolutamente idênticas no que se refere à desproporção de forças e meios, acha-se valor na decisão de resistir ainda que com ela não pareça arriscar a vida. Ao contrário do que infelizmente sucede com milhares dos seus concidadãos.

Eventualmente duvidarão de mim quando falo nesta desproporção, habituados que já estão a ouvir os comentários do senhor Rogeiro, um homem que deve ter tido uma infância muito serena a arrumar as roupinhas do Action Man em caixas de sapatos. Apenas sugiro que oiçam militares a sério neste assunto: não sei de um único que não reconheça as desproporções que menciono e a consequente improbabilidade ou impossibilidade de uma vitória do exército ucraniano. Como já disseram muitos, Zelensky faz uma guerra por procuração.
E assim sendo vão certamente perdoar-me a bigorna da lógica: os senhores deputados são a modos que um bocadinho salazaristas quando felicitam Zelensky na honra de resistir.

E para aqui a falar em honra, quase me esquecia do augusto anfitrião. Antes de ser o que agora quis ser, pertence lembrar os muito esquecidos que o doutor silva era ministro dos assuntos parlamentares do 44 quando, em Julho de 2008, o governo português “ [considerava a] Líbia um parceiro estratégico para Portugal”. Numa atmosfera de imensas “fotocópias” e de negócios “Lino & Pino”, na bonacheira descrição de Hugo Chávez.

Na sequência dos bombardeamentos da OTAN na Líbia - em apoio de uma revolução “espontânea” e de mais um acaso – a coincidência com as cogitações que o senhor Kadafi deu de fazer acerca do petrodólar… -, em março de 2011, já na qualidade de ministro da defesa, o doutor silva fazia saber que Portugal critica[va] o regime de Kadafi e não nega[va] participação em missão da NATO :“o mundo deve ser 'muito claro' na condenação ao regime líbio de Muammar Kadafi”. Porventura inspirado pelos ventos que lhe eram soprados pela “primavera” tunisina.
Sem a menor dúvida, com a falta de pudor e cinismo desta criatura, foi a ocasião em que me senti mais envergonhado com a desonra da política externa do meu país … Em outubro de 2011, Kadafi seria assassinado em Sirte, à saída do esgoto em que o apanharam.

E é mais ou menos isto o que tenho a dizer sobre o tema. É tarde e já deve dar no mínimo para um suficiente menos.
Se ainda houver justiça neste mundo.