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domingo, 2 de outubro de 2016

p. 205 (notas de leitura)

Onde se dá notícia de alguém que, sendo “a ‘criatura’ inventada pelo ‘criador’ Paulo Portas”, nunca chegou a ser poder.
Vale a pena citar uma passagem do diário de Saraiva (reproduzida no livro) para melhor compreender aquilo que, descarnado de contexto, tem vindo a descrever-se como patifaria:

“À saída conta-me uma história espantosa de Paulo Portas. Ele era visita de sua casa e tinha conhecimento, por via disso, da aparente impossibilidade de Monteiro e a mulher terem filhos. O Jardim Gonçalves (do BCP) aconselhou-os então a irem a Navarra, onde existe uma clínica célebre nestes casos. O P.P. também tinha conhecimento disto como amigo da casa. Ora um dia, comentando na SIC o facto de a mulher do primeiro-ministro Guterres ter ido tratar-se a Londres, Portas disse que não criticava esse facto… mas que situação diferente seria um líder de um partido nacionalista ir procurar tratamento a Espanha ou a outro país estrangeiro. Monteiro, (que nessa altura era líder do CDS-PP) e a mulher ouviram isto em casa e iam caindo do sofá. Ela terá mesmo começado a chorar. Manuel Monteiro é capaz de assassinar a frio, implacavelmente, sem contemplações. Tudo depende dos seus interesses no momento.
Eu não lhe falo de nada – mas numa gaveta do gabinete onde primeiro o recebi tenho uma foto de Portas, de há 10 ou 15 anos, vestido de mulher, aplaudido por homens com aspeto horrível. Como gostaria Monteiro de ver isto! E o que faria Portas se, quando estava à frente de O Independente, tivesse tido acesso a uma foto destas de um ministro? Ou mesmo minha, que era diretor do jornal seu principal concorrente? Escondê-la-ia, como eu fiz?”

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Caros comentadores, comentadoras e demais humoristas: descarnar a frase do contexto em que aqui é citada e de onde tem vindo a ser reproduzida e oralizada como exemplo de despudor e intrusão na vida privada de alguém, é uma filha-da-putice canalha.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

p. 132 (notas de leitura)

“Jardim Gonçalves tem relações inesperadas. Mário Soares, por exemplo, era sua visita, chegando a pedir-lhe conselho sobre a aplicação de dinheiros. Quando Jardim Gonçalves me contou isto, Mário Soares estava na fase final da vida e fazia violentíssimos ataques ao Governo de Passos Coelho. Tinha virado completamente à esquerda pelo que estranhei a cumplicidade com o banqueiro. … E compreendi porquê. … [Também para Jardim Gonçalves, o Governo não mostrava] respeito pelos tais ‘centros de decisões nacionais’ que o banqueiro tanto defendia”

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Fico aqui a pensar se o Jardim terá aconselhado o pai da pátria a investir as suas poupançazinhas em acções do BCP, e se tais investimentos não lhe terão precipitado um mau “estado da cabeça”. Como dizia o outro a perguntar-se acerca do assunto.

domingo, 25 de setembro de 2016

p. 102 (notas de leitura)

Onde o Rangel ("jornalista") e Saraiva ajudam Pinto Balsemão a impedir a publicação no “Tal&Qual” de “uma coisa qualquer que envolve saias” e “muito incómoda para ele.” Balsemão diz que é falsa, Saraiva acha que é verdadeira.
O Rangel resolve.
Viria mais tarde a fazer não sei o quê na SIC.
Fica-se depois a saber o que sempre se disse: Balsemão nunca interferiu no Expresso e nem chegava a saber das primeiras páginas antes de serem publicadas. Também se fica a saber que era forreta; que lamentava o desaforo de Jardim Gonçalves – que ao mesmo tempo que lhe falhava com a publicidade no jornal lhe ia ali “papar um almoço”; e que a saída de Saraiva do Expresso sucedeu com toda a lealdade por ambas as partes: uma das reuniões em que o assunto é discutido terá lugar “na Lapa, num palacete que Balsemão herdou de uma tia e onde tem uma espécie de escritório particular”. (É nestes pequeninos detalhes que os mundos navegam no livro de Saraiva)