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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

não se iludam: o livro do doutor costa não se resume ao “empenho” do doutor costa – o antónio -, pela “filha do presidente amigo”

 Para perceber porque parece incomodar tanta gente, basta ler o índice que aqui deixo em vosso benefício. E para se perceber do que trata exatamente, é preciso ler título e sub-título:

“O Governador – Carlos Costa ex-líder do Banco de Portugal e as revelações sobre os 10 anos mais críticos da história recente do país”,
Luís Rosa, 2022, D. Quixote
PREFACIO Um homem certo para tempos difíceis.....................11
INTRODUÇÃO A política do segredo, a prestação de contas e a democracia……13
1. Da aldeia para a Europa: o elevador social a funcionar por mérito........19
2. A vida em Bruxelas......... 29
3. A parceria com Vitor Gaspar e a ida para a Comissão Europeia …….41
4. O presente envenenado no BCP…….51
5. A passagem pela Caixa e o regresso à Europa……..63
6. A crise (anunciada) de 2008..............75
7. Sócrates, o convite para governador e a chegada da crise da dívida soberana…..87
8. A crise, a proximidade com Teixeira dos Santos e o financiamento intercalar.......101
9. As negociações confidenciais com o FMI e o PEC clandestino......113
10. As cartas secretas para Cavaco e Sócrates…...123
11. A troika de Sócrates, Constâncio & Barroso e o memorando de entendimento….133
12. Como o governador convenceu o FMI a desistir da desvalorização interna........... 147
13. O programa de ajustamento aplicado por Passos Coelho.......155
14. A reforma da supervisão prudencial e a banca como um caso de polícia………..169
15. Como começou o caso BES…….. 179
16. Retirar ou não a idoneidade a Salgado?.......... 189
17. O início do fim do BES.... 199
18. As denúncias de Ulrich e Queiroz Pereira foram decisivas?........ 209
19. O ring-fencing do BE......................199
20. A estratégia para afastar os Espírito Santo.......... 229
21. O projeto Uriel e a saída de Salgado..........239
22. A Eurofin e as cartas de conforto para a Venezuela..............257
23. O caso BESA e a garantia soberana de Angola.....269
24. A resolução do BES....283
25. Os “três problemas» de António Costa com Carlos Costa.…. 293
26. As duas fases da venda do Novo Banco......... 305
27. A nega do governador à filha de um presidente de um país amigo de Portugal...…..327
28. A carta de António Costa para Juncker e Draghi escrita nas costas do governador...............337
29. O caso BANIF. A carta de Costa, a notícia sobre a resolução que não existia e a venda que podia ter acontecido.......347
30. Os problemas do BANIF, as tentativas de venda e a influência do Mecanismo Único de Supervisão..............357
31. A estranha aliança entre Centeno e o Bloco para derrubar o governador…………..371

domingo, 9 de outubro de 2016

p. 258 (notas de leitura)

Recordo-me que em tempos, vez por outra, – não sei se ainda acontece –, os jornais “de referência” davam de construir a reputação de alguém que afiguravam como promessa política e que era unanimemente apresentado como cântaro de virtudes e qualidades, a água mais pura e fresca para protagonismo político num qualquer partido (com representação parlamentar).
Para mim, o primeiro e último desses episódios em que me senti tolo de fé– de vida breve, apenas até aos primeiros assobios da criatura – foi com Durão Barroso. Sucederam-se outros: António Vitorino, por exemplo - foi divertido porque a certa altura percebi que os “criadores” estavam espantados com a medíocre vulgaridade da criatura.
Outra dessas “criações” foi Vítor Constâncio que viria a ser “apontado como o mais forte candidato”:

“Na conversa que mantivemos mostrou-se um homem convencido de si próprio. Estava-se no período de sucessão à liderança do PS, após o anúncio de saída de Mário Soares, e ele era apontado como o mais forte candidato. À minha pergunta sobre o assunto, respondeu que só se candidataria se tivesse a certeza absoluta de ganhar e houvesse uma quase unanimidade em redor do seu nome. Era como se estivesse a fazer um favor ao PS e não aceitasse ser contrariado.”

À frente do Banco de Portugal, não obstante sucessivos erros em previsões macroeconómicas, continuou a gozar de “boa imprensa”. E continuou a gozar de “boa imprensa”, não obstante as sucessivas falhas na supervisão bancária nos casos do BPN, BPP e BCP com prejuízos de cerca de 10.000 milhões de euros a faturar ao contribuinte. Justificou tudo com preleções em que, no jargão dessa “ciência oculta” que é a economia e com uma arrogância a roçar a má criação, explicou às criancinhas a inevitabilidade do desastre e as superiores virtudes da sua pessoa à frente do Banco de Portugal, uma instituição ruinosamente dispendiosa, reiterada e confessadamente incompetente e, nos seus desígnios, inútil a um país sem soberania financeira.
Numa magnífica ilustração do princípio de Peter, em 2010 foi nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu.
Durante oito anos, é um azeiteiro a menos por aqui.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

p. 132 (notas de leitura)

“Jardim Gonçalves tem relações inesperadas. Mário Soares, por exemplo, era sua visita, chegando a pedir-lhe conselho sobre a aplicação de dinheiros. Quando Jardim Gonçalves me contou isto, Mário Soares estava na fase final da vida e fazia violentíssimos ataques ao Governo de Passos Coelho. Tinha virado completamente à esquerda pelo que estranhei a cumplicidade com o banqueiro. … E compreendi porquê. … [Também para Jardim Gonçalves, o Governo não mostrava] respeito pelos tais ‘centros de decisões nacionais’ que o banqueiro tanto defendia”

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Fico aqui a pensar se o Jardim terá aconselhado o pai da pátria a investir as suas poupançazinhas em acções do BCP, e se tais investimentos não lhe terão precipitado um mau “estado da cabeça”. Como dizia o outro a perguntar-se acerca do assunto.

domingo, 25 de setembro de 2016

p. 98 (notas de leitura)

Onde Saraiva escreve que Fernando Nogueira “trocou a política pela banca, recusou-se a voltar a dar entrevistas, usou um pouco o BCP – o banco onde se empregou [na Fundação BCP] – como um convento.”