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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

“que venha a chuva”

 










Apenas alguém incapaz de atar os sapatos sem se babar será capaz de “negacionismo” em relação às chamadas “alterações climáticas”: há abundantes evidências de os mamutes terem vivido na Sibéria e iguais evidências de o Sahara ter sido um lugar com vida luxuriante.

O que me parece realmente inédito em toda a história da humanidade é o uso político que se vem fazendo das “alterações climáticas” para explicar a mais absoluta irresponsabilidade e incompetência: a seca no verão e as chuvas no inverno passaram à categoria de consequência das “alterações climáticas”. E isto não é muito diferente da explicar as catástrofes com a ira dos deuses, como sucedia até ao iluminismo. Com a “ciência” nunca mais um político foi responsabilizado por catástrofes que muito evidentemente poderiam ter evitado através de uma boa gestão de recursos hídricos, com soluções urbanas capazes de lidar com os elementos naturais, com o sol e com a chuva, através de uma boa gestão do território e de uma adequada manutenção das infraestruturas em espaços públicos. Nunca o arq. Ribeiro Teles – a pretexto de rigorosamente os mesmos problemas – falou de “alterações climáticas” para oferecer explicações. Ofereceu soluções para lidar com o calor e com o frio, com o sol e com a chuva.

O clamor contra a despesa inútil dos “governadores civis” que vinham do tempo da mala-posta foi apaziguado com a sua extinção. E onde havia um com direito a carro e motorista, passou a haver cem. Desta vez com coletezinhos laranja, tão inúteis quanto os primeiros. Ignorantes, pesporrentes, fala-baratos, sempre dispendiosos e possuidores do cartão do partido certo. Aparecem agora com a chuva e vão aparecer lá mais à frente com os incêndios. Sempre com inspiradas “janelas de oportunidade” nas ventas que as levam a “secretárias de estado da proteção civil".

Mas como se tudo isto não chegasse, fazem agora uso das “alterações climáticas” para enfiar novos impostos em tudo o que mexe. Sai-se da farmácia, da livraria ou loja de roupa com caixas de antiácidos, livros ou pares de calças abraçados como quem rouba se não estivermos dispostos a pagar os 0,10€ do imposto inventado para "salvar o planeta". Não importa que o pequeno saquinho ofertado pelo fabricante do analgésico seja de papel biodegradável.

O mais que sobre é gerido na extraordinária hipocrisia política daquela pequena senhora que orava pela chuva na governança dos prosélitos e exigia a cabeça dos oponentes que responsabilizava pelos fogos.

Pois “que venha a chuva” e vos afogue a todos na vossa impunidade.