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quarta-feira, 20 de julho de 2022

J. Rentes de Carvalho acerca do manhoso das cunhas

" A conversa informal

A notícia mais importante e surpreendente dos últimos dias, foi para mim a do encontro do senhor Moedas e do senhor Santos, “a conversa informal” de ambos os cavalheiros sobre esse caso de aeroportos e construções.

Pelos jeitos tratava-se de assunto em que o senhor Costa, Primeiro Ministro, não era chamado, pois o seu cargo é apenas de político, o que equivale ao de montar e reger o espectáculo da governação para os basbaques que somos, e com a qualidade que lhe conhecemos.

Bem pode ele ser Chefe do Govêrno, possuir as manhas, habilidades e contorcionismos de um artista de circo, mas no seu caso toda a cautela é pouca, eu ficava de pé atrás. É que ser excluído, nem estar a par da “conversa informal” entre os senhores citados, prova à saciedade que assuntos de importância para os grandes interesses, e acidentalmente para o país, são tratados em segredo e em particular, não nos ministérios ou no Parlamento.

É facto que o senhor António Costa nasceu em Lisboa, e provavelmente dá-se conta, alguns fazem-lho sentir, mas o mais certo é que não tenha um amigo com suficientes “tomates” para o avisar de que estrebuche menos, pois nunca entrará nos inner circles daquela Lisboa que tem o país como colónia sua.

É que ele é o seu modo, ele é a pronúncia, a gramática, os trejeitos, até os fatos, por vezes os maneirismos involuntariamente rascas, as manhas, o afã plebeu das cunhas para um assento na UE, enfim, todo um conjunto que destoa no ambiente refinado e olímpico de quem se trata por tu nos concertos da Gulbenkian e naqueles clubes e associações em que o não querem, porque destoaria e lhe faltam os pergaminhos."

Texto de J. Rentes de Carvalho publicado aqui em 3 de Julho .

sábado, 1 de outubro de 2016

p. 187 (notas de leitura)

“Em 25 de Abril de 2003, é Ferreira Leite ministra das Finanças, o Presidente da República, Jorge Sampaio, faz um célebre discurso em que – referindo-se à política financeiramente exigente do governo – diz: ‘Há mais vida para além do Orçamento.’
…
Estávamos na pré-campanha das eleições de 2009, as segundas disputadas por José Sócrates. Era evidente para mim que Sócrates ia vencer, pois Manuela fazia uma campanha amarga, muito negativa. Boa parte da sua mensagem centrava-se na crítica ao plano megalómano de obras públicas de José Sócrates, que incluía um novo aeroporto de Lisboa, o TGV, uma nova ponte sobre o Tejo (também em Lisboa), 10 barragens, a requalificação da Zona Ribeirinha, etc. Mais tarde viria a perceber-se que Manuela Ferreira Leite estava cheia de razão nesse combate. Mas na altura não era evidente que todo aquele fogo-de-artifício propagandístico de Sócrates acabasse como acabou, na quase bancarrota e num resgate financeiro. E muito menos que o primeiro-ministro pudesse receber luvas pelas obras.”

Destes episódios da nossa história recente, ainda há muita coisa que não é “evidente” para muito boa gente, designadamente no que se refere à honorabilidade do trampolineiro; em boa medida, ele não é significativamente diferente de outros que por aí andam ou andaram.