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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

“É preciso admitir que a maior parte dos e-mails trocados nas ultimas semanas tinham como primeiro objectivo verificar se o interlocutor não estaria morto, ou em vias de morrer. Mas, feita essa verificação, tentámos ainda assim dizer coisas interessantes, o que não era fácil porque esta epidemia conseguiu a proeza de ser ao mesmo tempo angustiante a aborrecida. Um vírus banal, aparentado de maneira pouco prestigiosa a obscuros vírus da gripe, com condições de sobrevivência pouco conhecidas e características indefinidas, umas vezes benigno e outras vezes mortal, nem sequer transmitido sexualmente: em suma, um vírus sem qualidades. Esta epidemia, por muito que fosse provocando milhares de mortos todos os dias, pelo mundo fora, não deixava de causar a curiosa impressão de um não-acontecimento. Ainda por cima, os meus estimados confrades (alguns, temos de reconhecer, são estimáveis) não falavam muito do assunto, preferindo abordar a questão do confinamento; e gostaria de acrescentar aqui o meu contributo a algumas das observações feitas por eles.



Catherine Millet (normalmente mais parisiense, mas encontrando-se em Estagel, Nos Pirenéus Orientais, no momento em que a ordem de imobilização chegou). A situação presente faz-lhe desagradavelmente pensar na parte intitulada ‘antecipação’ de um dos meus romances,
A Possibilidade de Uma Ilha.

Eis um momento em que disse a mim mesmo que afinal é bem bom, isto de ter leitores. Porque não me ocorreu fazer essa aproximação ao livro, quando ela é absolutamente cristalina. De resto, voltando a pensar nisso, verifico que era exactamente aquilo em que eu andava a matutar na altura, no que diz respeito à extinção da humanidade. Nada de semelhante aos filmes de grande espectáculo. Qualquer coisa de mais sombrio e triste. Indivíduos que vivem isolados nas sua celas, sem contacto físico com os seus semelhantes, apenas algumas trocas por computador com vivacidade decrescente.



[O] coronavírus deveria ter, como principal resultado, a aceleração de certas mutações em curso. Desde há alguns anos, o conjunto das evoluções tecnológicas, sejam as menores, (o streaming de vídeo, o pagamento sem contacto) ou maiores (o teletrabalho, as compras pela Internet, as redes sociais) tiveram como principal consequência (ou principal objectivo?) diminuir os contactos materiais, e sobretudo os contactos humanos. A epidemia de coronavírus oferece uma magnífica  razão de ser para esta tendência pesada: a de uma certa obsolescência que parece afectar as relações humanas. O que me faz pensar numa comparação luminosa que encontrei num texto [anti procriação medicamente assistida] redigido por um grupo de activistas denominado ‘os chimpanzés do futuro’ (descobri estas pessoas na Internet; nunca disse que a Internet só tinha inconvenientes). Por isso, vou citá-los: ‘Dentro em breve, fazer filhos pelos próprios meios, gratuitamente e ao calhas, parecerá tão incongruente como hoje andar à boleia sem uma plataforma web.’ A partilha de carros, a partilha de aluguer de casa, esse tipo de coisas, enfim, temos as utopias que merecemos, mas passo bem sem elas.

Seria igualmente falso afirmar que redescobrimos o trágico, a morte, a finitude, etc. A tendência desde há meio século, bem descrita por Philippe Ariès, foi a de dissimular a morte, tanto quanto possível; pois bem, nunca a morte terá sido tão discreta como nas últimas semanas. As pessoas morrem sozinhas nos seus quartos de hospital ou de [lares de terceira idade], enterram-nas assim que morrem (ou serão cremadas? A cremação está mais conforme o espírito do tempo), sem chamar ninguém, em segredo. Mortos que partem sem que haja testemunho disso, as vítimas resumidas a uma unidade nas estatísticas dos mortos diários, a angústia que se espalha pela população à medida que os números totais aumentam, tudo isto tem qualquer coisa de estranhamente abstracto.

Um outro número ganhou importância nestas semanas, o da idade dos doentes. Até quando é suposto reanimá-los e trata-los? Onde colocar o limite? Nos 70, nos 75, nos 80 anos? Isso depende, aparentemente, da região do mundo onde se vive; mas nunca, em todo o caso, foi dito com um tão tranquilo impudor que nem todas as vidas valem o mesmo; que a partir de uma certa idade (70, 75, 80 anos?), é um pouco como se já estivéssemos mortos.

Todas estas tendências, já o disse, existiam antes do coronavírus, mas manifestam-se agora com uma maior evidência. Nós não vamos acordar, depois do confinamento, num mundo novo; será o mesmo, só que um pouco pior.”

Michel Houellebecq, Intervenções, Alfaguara, 2020, pp.359-64

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Fernando Medina
Foto: Rodrigo Antunes/LUSA/Arquivo

O cachopo que ficou a fazer de presidente da câmara diz que “Depois do coronavírus, Lisboa vai livrar-se dos Airbnb"
Com o bicho a deixar tudo bem à vista no que a turismo e a turistas diz respeito, já é possível concluir que pior do que o bicho, só o cachopo.
Aturem-no.



segunda-feira, 4 de maio de 2020

São muitos os que vêm dizendo que as coisas nunca mais serão como antes. Ainda não percebi de onde deduzem tal juízo. Numa ou noutra coisa, poderá vir a pensar-se que se tornaram diferentes. Mas não, as grandes mudanças ocorrem em água tépida, de uma forma francamente impercetível para a maior parte das pessoas. Raramente em água a ferver.

quinta-feira, 19 de março de 2020

helicóptero da sic

O doutor Costa responde a um jornalista:
“-Bom, que eu saiba o estado não é produtor de bens de proteção individual….”
Bom, mas é proprietário de uma companhia aérea…

Ainda se podem fazer reversões? É que os 100 milhões de prejuízos da companhia aérea que o contribuinte vai ter de pagar, agora davam jeitinho.

terça-feira, 3 de março de 2020

helicóptero da sic

O tiririca confessa que chegou a pensar ir dar beijinhos aos infetados nos hospitais. Achou, contudo, que era mais avisado deixar o protagonismo ao dr. Costa.
Interpelado acerca do assunto, o dr. Costa declarou entre dentes e no seu português ininteligível qualquer coisa como "cagandafilhodaputa..."
"Tinha um ar cansado", acrescentou o pivô da sic.