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segunda-feira, 15 de março de 2021

do "jornal" público

Parece que o "jornal" Público zangou outra vez algumas pessoas que distraidamente o lêem, porventura ainda convencidas que se trata realmente de um jornal, uma daquelas coisas que antigamente usávamos para nos informarmos e que por uma qualquer estranha constelação de fenómenos se tornaram panfletos. A mim parece-me que seria altura de os portugueses se mobilizarem no sentido de boicotarem as empresas do grupo SONAE, responsáveis pelo financiamento desta madraça que em nome de um internacionalismo marxista milita o apoucamento de tudo quanto remotamente tenha que ver com a nossa história, com a nossa memória e identidade coletiva. Deveríamos, no mínimo, exigir saber as razões porque um grupo económico que paga mínimos obscenos aos seus trabalhadores, financia tão generosamente um jornal que não é mais que um porta-voz dos órfãos de Enver Hoxha e uma extensão das “ciências” sociais de algumas “universidades” (enfim, este termo deveria ser usado com um pouco mais de exigência…). 

Como muitas outras pessoas, em tempos coloquei a hipótese de a SONAE pagar tão generosamente aquele panfleto a arremedar um jornal para comprar a “paz social” nas suas empresas. Com efeito, enquanto o concorrente Soares dos Santos era bastas vezes depreciativamente descrito como “merceeiro” (por VPV, que por lá escreveu também, por exemplo), o senhor Belmiro foi sempre “engenheiro”, vá-se lá saber porquê... Mas isto é muito pouco serviço por tanto dinheiro. Se por princípio a administração da SONAE não fosse tão avara na hora de pagar a quem a serve, essa hipótese até poderia ser válida. Não, não pode ser, a SONAE gasta muito dinheiro com aqueles “colaboradores”. A explicação tem que ser outra: os obscenamente ricos que vivem por conta do trabalho alheio são sinceramente de “esquerda”, são todos de “esquerda”. Os trabalhadores, as pessoas que vivem modestamente do seu trabalho, geralmente têm consciência de classe e são de “direita”. E não me venham com o PCP. O PCP não é um partido político. É uma igreja, a Igreja Adventista da Sétima Internacional. E como qualquer outra igreja é ultraconservadora. De “extrema-direita”, portanto. 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

intelectuais de esquerda

“Riccardo Marchi … [q]uis estudar Ventura e o Chega, e desse estudo fez um livro, A Nova Direita Anti-Sistema. O Caso do Chega (Edições 70, 2020). Esse livro, entretanto, tornou-se objecto de opiniões. Nomeadamente, a opinião de 67 universitários que, em vez de o comentarem e criticarem pelas vias normais na academia, resolveram fazer um “abaixo-assinado”, publicado nos jornais, a proclamar, a pretexto de uma entrevista do autor, que não deveria haver liberdade na universidade para fazer investigações e publicar livros como os de Riccardo Marchi. Sim, sim, foi isso que proclamaram. Tenham ao menos a coragem do vosso ódio.

[V]ale talvez a pena lembrar quem é Riccardo Marchi. Não, não é um activista político, nem tem da academia a ideia de que deva ser activismo político, como muitos dos que se manifestaram contra ele. É um professor de Ciência Política com um CV dificilmente mais respeitável: bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, etc. Coordenou obras colectivas em que colaboraram professores de várias universidades e perspectivas. O seu tema de estudo? A “direita radical” em Portugal, antes e depois do 25 de Abril. Há quem, com o mesmo direito que Marchi, estude a “esquerda radical” e o Partido Comunista. Nunca vi manifestos contra isso, nem nunca vi ninguém preocupado em que o “estudo universitário” pudesse “branquear” ou “higienizar” o comunismo e a extrema-esquerda.

 Ah, mas não, ninguém quer proibir o livro. Pois não, é pior: querem proibir o autor. O objectivo do manifesto – porque senão, para quê mandar um abaixo-assinado para os jornais? – é tornar Marchi um “autor maldito”, fechar-lhe as portas, sujeitá-lo aos rigores da nova cultura de “cancelamento” e “desconvite” – em linguagem chã, “lixá-lo”. Porquê? Porque ele se atreveu a estudar em vez de se limitar a ter as opiniões da extrema-esquerda universitária. E porque é preciso dar exemplos para inibir quem por acaso pense em sair do rebanho para investigar o que não deve ou concluir o que não lhe é permitido. Sim, este é um abaixo assinado contra a liberdade de pensar que é a razão de ser de uma verdadeira universidade.”

Rui Ramos, aqui.
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No processo de apropriação por parte das nomenclaturas partidárias de todos os espaços e meios de que possam fazer uso para um modo de vida tranquilo e sem sobressaltos fala-se sempre dos partidos “do arco do poder”. Nunca se fala que outro tanto acontece em espaços aparentemente menos vistosos e apetecíveis – frequentemente, com auras de respeitabilidade – como as universidades, institutos, museus, etc.
Veja-se o corpo docente de qualquer universidade ou politécnico e facilmente se verificará que muitos deles, têm a militância no PCP (o maior número) ou no BE como nota maior dos seus currículos académicos. É, de resto, o caso da esmagadora maioria dos subscritores desta coisa.
Ainda por exemplo, veja-se o que muito recentemente aconteceu com a nomeação da dona rato para a direção de um museu* qualquer faz poucos dias…
Nestes meios, a venalidade dos partidos da “esquerda” não é diferente daquela que os das governações adotam em empresas publicas, bancos e em tudo o resto que se sabe.
Apenas parece mais respeitável.
São os “intelectuais de esquerda”.
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*- Ao ler as perguntas da entrevista citada, ia-me perguntando o que teria acontecido ao jornalista que as fazia. Estas “impertinências” – ou “discurso de ódio” como agora as batizam - não costumam ficar sem castigo…
Cliquei no link e percebi. A entrevista foi feita por um jornalista do CM, aquilo que o regime batizou de “esgoto a céu aberto”. Nunca será demais lembrar que aquilo que incomoda a esta gentalha não é a existência do esgoto moral do regime que só ali vê a luz do céu. Não. Eles apenas preferem que o esgoto corra em manilha fechada para que ninguém se incomode com o cheiro. 


domingo, 12 de janeiro de 2020

vitimas e algozes não deveriam ter cor

Embora já tenha lido várias explicações (até uma em que os investigadores colocam a hipótese de morte em consequência de queda induzida por coma alcoólico), aparentemente o jovem cabo-verdiano que está na origem de várias manifestações “antirracistas” foi efetivamente vítima de um crime de carácter racista.
Perpetrado por um bando de ciganos.* Como aqui se explica detalhadamente:

O assassínio de Giovani e os racismos

Já quanto ao assassinato de um jovem português, alegadamente perpetrado por três jovens guineenses em Lisboa, não creio que tenha tido motivações racistas. O rapaz não concordou com o assalto que lhe estavam a fazer e foi esfaqueado mortalmente. "Só" isso.

Vitimas e algozes não deveriam ter cor.

Mas porque o crime de Bragança  foi imediatamente descrito por parte da militância marxista-gramsciana – constituída invariavelmente por brancos da alta burguesia com relações privilegiadas junto do poder político, da classe jornalística e das universidades - como um crime inspirado pelo racismo (implicitamente do “povo português”, dos “brancos”)** é necessário contrapor e diferenciar devidamente estes dois casos.



O primeiro, o da pergunta, aparentemente não tinha causa além do racismo. Decorreu na sequência de uma cilada (devidamente descrita no blog linkado). Para desgraça destes perigosos cínicos, adeptos da revolução através da prática do marxismo cultural, tudo sugere que foi um crime perpetrado por uma das tribos que lhes são mais úteis nesse seu projeto de fragmentar o que ainda remanesce da nossa identidade coletiva. De modo a levar a cabo os seus “amanhãs que cantam".

Esta gente é perigosa, mais perigosa do que assaltantes armados com facas.

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*Uma cultura, não uma raça, como frequentemente se pretende e como acredita o idiota do Chega. Uma cultura profundamente racista, como toda a gente sabe, embora não se possa dizer.  Porque isso é racismo…
 ** Quem é que ainda não ouviu estes burgueses internacionalistas  a guinchar que “os portugueses são racistas”?