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domingo, 3 de março de 2024
que faz correr sammy?
Pelo menos a nível doméstico trata-se de um amor não correspondido. E lá pela Europa desconfio que logo depois de lhe apertar a mão e demais afagos, Orbán, discretamente limpará às calças a mão peganhenta da mão do doutor costa.
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
grosseiras equivalências
“[…A]lguns intelectuais conservadores têm namorado a ideia de um governo abertamente autoritário. O professor de Direito em Harvard Adrian Vermeule, por exemplo, tem argumentado a favor daquilo a que chama o ‘constitucionalismo do bem comum’:
6 Vermeule (2020). Ver também Laura K. Field, “What the Hell Happened to the Claremont Institute?”, The Bulwark (13 de julho de 2021).
7 Yoram Hazony, The Virtue of Nationalism (Nova Iorque: Basic Books, 2018)"
Francis Fukuyama, Liberalismo e seus descontentes, Dom Quixote, 2022, pp. 137-38
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Que em universidades respeitáveis se comece a fazer equivaler Orbán a Salazar é bem ilustrativo do estado de coisas a que chegámos. Porque esta equivalência não tem nada de séria, mesmo para o antissalazarista mais assanhado. Enquanto o primeiro não passa de um populista sem escrúpulos que acha que os húngaros precisam ser defendidos de uma conspiração judaica patrocinada por Soros - e, não por acaso, também tem um amigo com muito dinheiro -, o segundo foi ridicularizado pela ascese e julgou-se investido do dever de salvar as massas de si mesmas.
De facto, de um modo cada vez mais perturbante nas limitações que põem a nu, mais ou menos por todo o lado, alguns “descontentes do liberalismo” parecem enlevar-se muito irrefletidamente com criaturas monstruosas como Orban e Trump. E fazer algumas grosseiras equivalências.
Esta abordagem deve tomar como ponto de partida os princípios morais substantivos que conduzam ao bem comum, princípios que os agentes oficiais (incluindo, mas de maneira nenhuma limitando-se aos juízes), deveriam retirar das generalidades e ambiguidades inscritas majestosamente no texto da Constituição. Estes princípios incluem o respeito pela autoridade da governação e do governo; o respeito pelas hierarquias necessárias para o funcionamento da sociedade [...].
O autor passa depois a defender que o principal objetivo do constitucionalismo do bem comum «não é certamente maximizar a autonomia individual ou minimizar o abuso do poder (um objetivo que, em qualquer caso, é incoerente), mas antes garantir que quem governa tem o poder necessário para governar bem» 6. Alguns autores conservadores têm sugerido que o húngaro Viktor Orbán ou o antigo ditador português, António de Oliveira Salazar, podiam servir de modelo para futuros líderes americanos.7 Na extrema-direita, tem havido um namoro com a violência como meio de travar o progressismo.
6 Vermeule (2020). Ver também Laura K. Field, “What the Hell Happened to the Claremont Institute?”, The Bulwark (13 de julho de 2021).
7 Yoram Hazony, The Virtue of Nationalism (Nova Iorque: Basic Books, 2018)"
Francis Fukuyama, Liberalismo e seus descontentes, Dom Quixote, 2022, pp. 137-38
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Que em universidades respeitáveis se comece a fazer equivaler Orbán a Salazar é bem ilustrativo do estado de coisas a que chegámos. Porque esta equivalência não tem nada de séria, mesmo para o antissalazarista mais assanhado. Enquanto o primeiro não passa de um populista sem escrúpulos que acha que os húngaros precisam ser defendidos de uma conspiração judaica patrocinada por Soros - e, não por acaso, também tem um amigo com muito dinheiro -, o segundo foi ridicularizado pela ascese e julgou-se investido do dever de salvar as massas de si mesmas.
De facto, de um modo cada vez mais perturbante nas limitações que põem a nu, mais ou menos por todo o lado, alguns “descontentes do liberalismo” parecem enlevar-se muito irrefletidamente com criaturas monstruosas como Orban e Trump. E fazer algumas grosseiras equivalências.
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